Artigos PC

Acesso Antecipado: Uma Bênção ou uma Maldição?

Acesso Antecipado: Uma Benção ou uma Maldição

A ideia de podermos acompanhar o desenvolvimento de um videojogo é de facto atrativa. A possibilidade de podermos contribuir ativamente para o desenvolvimento de um videojogo é ainda melhor e é por isso que as versões de “acesso antecipado” são tão populares nos dias que correm. No entanto serão elas uma bênção ou uma maldição?

Nós somos gamers e enquanto gamers gostamos de saber tudo sobre videojogos. Esta máxima ganha ainda mais força quando nos referimos aos gamers de PC, que é talvez o grupo no seio da comunidade de gaming, que mais se interessa por tudo o que envolve a indústria dos videojogos.

Há alguns anos atrás as notícias sobre as várias fases de desenvolvimento de um videojogo saiam a “conta gotas” e só quando ele fosse lançado é que nós poderíamos finalmente colocar-lhe as mãos em cima. Hoje as equipas de desenvolvimento optam por tentar partilhar o máximo possível com os gamers numa esperança de obterem “feedback” precioso que os ajude a construir a experiência de jogo ideal.

No passado era impensável o lançamento de produtos inacabados para o grande público, existiam os “demos” é verdade, mas esses só eram disponibilizados quando o jogo estava finalizado. Por outro lado, alguns títulos com enorme potencial revelaram-se fracassos monumentais muito por força de uma desconexão abismal das equipas de desenvolvimento com aqueles para quem elas faziam os jogos.

Acesso Antecipado
A popularidade dos jogos de acesso antecipado tem vindo a aumentar…

À medida que a indústria de videojogos foi crescendo, essa desconexão foi também saindo mais cara às empresas e um jogo mal sucedido poderia significar um prejuízo considerável. Seguiram-se as versões “BETA”, pelo caminho recuou-se mais um pouco para as “ALPHA” e subitamente arranjou-se uma descrição para todos os títulos que disponibilizam estas versões, são eles os jogos de  “Acesso Antecipado”.

Provavelmente o primeiro grande caso de sucesso do conceito de “Acesso Antecipado” terá sido o Minecraft. O que começou como um pequeno jogo independente transformou-se num verdadeiro colosso dentro do género. Curiosamente uma das razões – e talvez a principal – pela qual Markus Persson disponibilizou uma versão de acesso antecipado (por 10€), era porque ele tinha um emprego a tempo inteiro e precisava de fundos para continuar o desenvolvimento do seu jogo.

Eventualmente Markus Persson passou a dedicar-se a 100% ao desenvolvimento de Minecraft, fundou a Mojang e acabou responsável pela criação de um produto que rendeu muitos milhões. A fórmula de Minecraft é de certa forma vista como uma referência e depois de provada, multiplicaram-se os jogos que a seguiram.

Minecraft
O sucesso de Minecraft provou que o acesso antecipado resulta…

Até a Steam, a gigante da distribuição digital, foi obrigada a render-se às evidências e possui uma secção dedicada aos jogos de acesso antecipado. Alguns deles são bem sucedidos e populares, outros nem por isso, mas todos permitem ao gamer acompanhar as fases de desenvolvimento de um videojogo, mesmo se de vez em quando nós fiquemos com a sensação de que este ou aquele jogo estão há demasiado tempo em acesso antecipado.

Vamos por partes, o acesso antecipado pode de facto ser benéfico quer para os gamers que começam de imediato a jogar um videojogo e participam ativamente no seu desenvolvimento, quer para os criadores que conseguem fundos e o não menos importante “feedback” de quem joga. Mas existem aspectos positivos e negativos, sendo que neste momento são os negativos que mais me preocupam.

Como todos sabem muito bem, algumas companhias aproveitaram-se do acesso antecipado para tentarem obter o mais cedo possível ganhos. Isto não é obrigatoriamente mau, caso o jogo continue a progredir até ao seu lançamento final, mas é péssimo quando na data de lançamento todos aqueles que apoiaram o projeto reparam que o salto evolutivo foi pequeno e que a versão final do jogo afinal de contas é uma desilusão.

Spacebase
Spacebase DF9 deixou gamers de todo o mundo desiludidos com o produto final…

Realmente tem existido aproveitamento do conceito de “Acesso Antecipado” com algumas companhias a lançarem para o mercado – e recorde-se que muito embora um jogo em acesso antecipado não tenha sido lançado oficialmente, a partir do momento em que ele se encontra à venda ao público, ele foi de certa forma lançado para o mercado – não só o já esperado produto inacabado, como em muitos casos um jogo que é jogável por muito pouco.

De facto eu próprio já experimentei jogos de acesso antecipado que são de tanto acesso antecipado que mais parecem ter sido criados há meia dúzia de dias. Infelizmente isto começa a tornar-se um problema e nós precisamos de ter algum cuidado quando compramos um título rotulado de “acesso antecipado”.

Alguns gamers consideram toda esta “lengalenga” de acesso antecipado uma questão de semântica, eles defendem que a partir do momento que o jogo está à venda ele foi lançado. Na sua opinião “acesso antecipado” é simplesmente sinónimo de produto inacabado e isso não é bom. Eu não vou tão longe, pois existem jogos bastante completos e de qualidade que passaram pelo acesso antecipado, sendo que mesmo naquela fase eram produtos bons e hoje continuam a não desiludir.

ARK: Survival Evolved
ARK: Survival Evolved é mais um jogo de sobrevivência que chegou ao acesso antecipado…

Na minha opinião um gamer pode fazer é questionar a eficácia do acesso antecipado, nomeadamente no que diz respeito ao tempo de duração do mesmo. Senão vejamos, certos títulos são lançados em acesso antecipado, depois durante meses e por vezes anos os seus compradores jogam-no sem parar, mas quando chega finalmente o dia do “lançamento” muitos deles já deixaram de jogar por estarem fartos.

Voltando ao exemplo do Minecraft, não nos podemos esquecer da natureza do jogo em questão. Minecraft não era – e não é – simplesmente mais um jogo, é um verdadeiro hino à criatividade e reúne caraterísticas que automaticamente lhe garantem uma longevidade acima da média. A verdade é que a maior parte dos jogos não possui estas caraterísticas e como tal, o tempo de duração de uma versão de acesso antecipado talvez seja algo a ter em conta para os criadores de videojogos.

Space Engineers
Curiosamente o Space Engineers ainda se encontra em acesso antecipado…

Perceber toda esta questão dos jogos de “acesso antecipado” é simultaneamente simples e complexo, por um lado a maior parte dos gamers compreende que está a pagar pela oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de um produto inacabado, pelo outro eles – os gamers – também são responsáveis por avaliar os riscos que estão a correr ao realizarem um investimento onde existe sempre a probabilidade de fracasso.

É como realizar uma espécie de pré-compra, mas no caso de um jogo de acesso antecipado é talvez uma “pré-pré-compra“. Por exemplo alguns gamers recusam-se a pré-comprar videojogos porque já ficaram desiludidos demasiadas vezes e talvez para estes o acesso antecipado não seja a melhor ideia. Na existência de dúvidas há gamers que preferem não arriscar e a sua carteira agradece.

Se o acesso antecipado é uma bênção ou uma maldição? Ao final do dia tudo depende da nossa experiência pessoal, para mim ele é um misto dos dois embora ultimamente me pareça caminhar mais no sentido de “maldição”. Existe sem dúvida um aproveitamento por parte de algumas companhias; existem jogos que parecem estar “eternamente” em acesso antecipado; há também títulos em “acesso antecipado” que nem sequer deveriam ser disponibilizados ao grande público e a lista continua.

Em suma, embora existam jogos de acesso antecipado com potencial e que seguramente merecem uma vista de olhos, eles não são assim tantos e hoje mais do que nunca é importante que o gamer certifique-se que realmente está a fazer o melhor investimento possível.

Paulo Figueiredo

Paulo Figueiredo

Editor em Gaming Portugal
O Figueiras é um elemento fundamental do Gaming Portugal e a figura mais respeitada da equipa. A sua vida atarefada e cheia de responsabilidades impede-o de acumular uma posição de maior destaque, embora mesmo se tivesse essa oportunidade o mais certo era ele recusá-la. A sua participação no Gaming Portugal é motivada principalmente pelo gosto por gaming e dá-lhe um prazer especial saber que nesta casa a “independência” é uma característica definidora.
Paulo Figueiredo

Últimos posts por Paulo Figueiredo (exibir todos)

Também poderás gostar de:

A Gaming Portugal Recomenda

 

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Política de Privacidade & Cookies

Este site (tal como todos os outros) utiliza cookies. Ao navegares na Gaming Portugal estarás a consentir a sua utilização.