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Kickstarter e o Possível Declínio no Crowdfunding

Kickstarter e o Possível Declínio no Crowdfunding

O mundo do gaming está em constante evolução e nada é certo. Há uns anos atrás foram muitos os que precipitadamente anunciaram a morte do gaming no PC, mas isso não aconteceu. De facto tudo pode mudar, por exemplo o Kickstarter que revolucionou a indústria do “crowdfunding” e tornou-se super-popular, hoje parece estar gradualmente a perder força e relevância.

É inegável, o “crowdfunding” ajudou a revitalizar o mercado dos jogos independentes e contribuiu para que muitos bons títulos se tornassem uma realidade. Todavia à medida que o tempo foi passando e alguns dos problemas deste sistema vieram ao de cima, os gamers começaram a perceber que embora o acto de ajudar um videojogo a chegar ao mercado fosse nobre, ao final do dia nem sempre eles tinham em mãos aquilo que lhes fora prometido.

Esse tornou-se no grande problema do financiamento coletivo – ou crowdfunding – é que por cada bom projecto que procura apoio, existem mais 100 que ou são maus ou simplesmente não possuem um perfil que se enquadre neste tipo de iniciativas. A realidade é que nem todos os jogos precisam de recorrer ao “crowdfunding” para serem financiados, mas a questão é que a determinada altura essa pareceu ser a alternativa mais fácil e viável de se obter um financiamento.

Mas bastaram surgir as primeiras desilusões provenientes do “crowdfunding” para que num ápice os gamers se desencantassem com esta ideia de serem eles próprios a financiarem um videojogo. Hoje nós somos mais “esquisitos” e exigentes, ao contrário do que aconteceu no ano passado os gamers já não “mergulham de cabeça” numa campanha de “crowdfunding” sem que antes tenham algum tipo de garantias de que o projeto tem de facto pernas para andar.

De acordo com a Ico Partners, o total de dinheiro obtido através de campanhas de “crowdfunding” no Kickstarter em 2014 será menos de metade do que foi no ano passado. Em 2013 cerca de 46 milhões de euros foram obtidos em campanhas de financiamento coletivo, neste momento em 2014 o número encontra-se apenas nos 11 milhões de euros. Se a tendência se mantiver, em 2014 o total deverá rondar os 21/22 milhões de euros, uma descida bastante acentuada.

As razões são várias, por exemplo nesta altura parecem existir menos projetos gigantes e ambiciosos no Kickstarter, alguns criadores são mais comedidos na quantidade de dinheiro que pedem e muitos influenciados pelos recentes fracassos do “crowdfunding” optam por colocar esta opção de parte. Para além disso existe o sucesso do programa de acesso antecipado na Steam, que vai ganhando cada vez mais protagonismo embora isso não aconteça sem a sua percentagem de polémica.

No geral nada disto deve ser encarado como uma má notícia, pelo contrário até é uma boa notícia um Kickstarter mais “leve” e através do qual é possível encontrar com mais facilidade projetos merecedores de apoio. Também é uma boa notícia saber que o entusiasmo inicial dos gamers desapareceu e deu lugar a uma atitude mais ponderada que por sua vez se traduz em decisões mais inteligentes. Existe de facto um declínio no “Crowdfunding” mas contrariando tudo e todos eu acredito que talvez este seja um daqueles raros casos em que esse declínio até pode ser benéfico.

Finalmente existe outro factor que embora seja interessante é também um pouco preocupante, a hegemonia do programa de acesso antecipado na Steam.

É verdade que por lá podemos encontrar títulos com um enorme potencial, mas também é verdade que, tendo em conta o programa sob o qual todos estes jogos se encontram, nenhum deles está finalizado. Basicamente as companhias têm aproveitado a enorme vontade que o gamer tem de jogar um videojogo a partir do primeiro dia que houve falar dele, é por isso que as “ALPHAS” as “BETAS” nunca foram tão populares como são hoje.

Preocupa-me o facto de cada vez mais no mercado nós ficarmos com a sensação que as ALPHAS e BETAS quase parecem ser eternas e quando o jogo é finalmente lançado, aqueles gamers que acompanharam todos os seus estágios de desenvolvimento já não o podem ver à frente porque exploraram tudo o que havia para explorar.

Obrigado, Ico Partners

Diogo Mota

Diogo Mota

Editor-Chefe em Gaming Portugal
O Diogo é o organizador, todo o conteúdo do website passa de uma forma ou de outra pelas suas mãos, ele certifica-se que os padrões de qualidade são sempre altos e se a Gaming Portugal é hoje uma máquina relativamente bem oleada, isso acontece em grande parte graças ao seu trabalho.
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