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Não Fiquei “Nether” Impressionado

Não Fiquei "Nether" Impressionado

Nether é mais um jogo de sobrevivência num mundo pós-apocalíptico, só que neste caso toda a ação decorre num cenário urbano. Ele joga-se na perspectiva da primeira pessoa e tal como outros jogos de sobrevivência (DayZ, Rust) ele sustenta-se numa percentagem de realismo que nos obriga a sermos cautelosos e a pensarmos sobre o que vamos fazer a seguir. É preciso comer, beber água, arranjar armas melhores do que a faca inicial que nos dão e como não poderia deixar de ser, batalhar com monstros temíveis.

O planeta sofreu muito com a “Cull”, um fenómeno epidémico que transformou para sempre o ser humano e como consequência o mundo que nós conhecíamos já não existe. Pelo contrário muitos humanos foram transformados em criaturas que se chamam “Nether” e que circulam pelas ruas à procura da sua próxima vítima.

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Nether transporta-nos para um mundo pós-apocalíptico…yap é mais sobrevivência…

A primeira boa notícia deste jogo é que nele não existem zombies, ou pelo menos as criaturas que existem não se chamam “zombies” e eu diria que só isso já é um progresso. É verdade que na jogabilidade nós encontramos semelhanças com outros jogos de sobrevivência, mas este pelo menos “esqueceu” os zombies.

Depois de ter jogado o mod DayZ original que parece ter sido o responsável pelo recente ressurgimento dos zombies nos videojogos – se bem que desta vez com uma forte componente de realismo – e de já ter passado algum tempo na versão standalone de DayZ, sou obrigado a reconhecer que embora eu considere a experiência divertida e original, não demora muito tempo até que ela se torne monótona e repetitiva.

Mesmo assim “Nether” parecia ter ingredientes capazes de anular o previsível aborrecimento. O facto de toda a ação decorrer num cenário urbano, ou de existirem criaturas sobrenaturais em vez dos típicos “zombies” despertaram-me o interesse.

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Nethers são seres humanos que sofreram uma mutação…

Tudo parecia estar encaminhado para que eu tivesse umas boas horas de entretenimento pela frente, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Escusado será dizer que o trocadilho do título resume muito bem a minha experiência pessoal com este jogo e sim, eu não fiquei “nether” impressionado com ele.

Na minha primeira incursão eu fui acompanhado pelo Snoopy, o nosso objetivo inicial passava por entrarmos no mesmo servidor e criarmos uma equipa, porque juntamente com um amigo as minhas probabilidades de sobrevivência aumentavam consideravelmente.

Quando entrei num servidor fui “atirado” para um local ao acaso no mundo à semelhança do que acontece com outros jogos do mesmo género. De imediato comecei a minha aventura, munido apenas com uma faca para me defender o meu plano era evitar confrontos diretos com “nethers” e encontrar alguns mantimentos e armas.

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Jogar em cooperação torna a nossa vida mais fácil…

Assim que o Snoopy e eu fizemos um grupo o objetivo passou a ser encontrá-lo “ingame“, juntar forças e explorar um pouco o que o jogo tem para oferecer. Encontrá-lo foi relativamente fácil, bastou abrir o mapa e lá estava ele assinalado, seguiu-se depois uma pequena caminhada na qual eu tive a oportunidade de ir vasculhando tudo o que encontrava à procura de mantimentos e armas.

Pouco tempo depois e mesmo antes de me reunir com o Snoopy consegui encontrar alguma comida e uma arma que tinham sido deixadas perto de um helicóptero que se tinha despenhado. Tal como outros jogos de sobrevivência a caminhada foi aborrecida, com alguns “nethers” pelo caminho que consegui eliminar sem grandes dificuldades.

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Há alturas em que a “performance” é simplesmente medonha…

Mas foi nesta fase que reparei num dos aspectos negativos de Nether, a sua “performance“. De facto o jogo tem sérios problemas de otimização e o framerate anda um pouco por todo o lado, por vezes ele desce de tal maneira que eu receio que mesmo as máquinas que satisfaçam os seus requisitos recomendados apenas por uma pequena margem, não sejam capazes de o correr de uma forma decente. Estando o jogo a correr em Unreal Engine é um pouco estranho que tenha problemas de performance.

A boa notícia é que Nether ainda se encontra numa fase de acesso antecipado na Steam e como tal eu espero progressos na performance, mas por outro lado a má notícia é que, pelo que sei, isso tem sido um problema recorrente em todas as fases de desenvolvimento.

Graficamente este jogo tem os seus momentos embora esteja longe de ser uma obra-prima. À superfície a fidelidade gráfica parece ser de facto boa, contudo à medida que vamos jogando percebemos que alguns dos bons detalhes são pontuais e que no geral o jogo é simplesmente “pálido”.

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Ele parece muito bonito mas é só “fogo-de-vista”…

Nether possui elementos de PvE e PvP, o que em jogos deste género essencialmente significa que só existe PvP. Ou seja, são muito poucos os jogadores que se ajudam uns aos outros, pelo contrário um encontro com outro sobrevivente vai quase sempre resultar num banho de sangue e morte de um jogador.

Ainda voltando à minha jogatana com o Snoopy, quando finalmente nos encontrámos “ingame” para iniciarmos a aventura, também nos deparamos com outro jogador que de imediato começou a disparar. O Snoopy que estava mais visível foi abatido sem piedade e eu ainda me consegui esconder depois de receber algum dano. Regra geral as experiências com outros jogadores são quase sempre assim, mesmo em incursões que realizei sozinho no jogo raramente sobrevivia a um encontro com outro jogador e quando isso acontecia era porque eu próprio o tinha abatido.

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O jogo está está uns furos abaixo da concorrência…

Este é o grande dilema dos jogos de sobrevivência, todos eles pretendem ser realistas e as mortes cruéis e inesperadas fazem parte da experiência. Mas será divertido?

Eu acredito que ter algumas histórias de como nós morremos nas mãos de outros jogadores pode realmente ser divertido, o problema é quando as histórias são recorrentes e já ninguém confia em ninguém. Nether sofre um pouco com isto mas, verdade seja dita, ele não está sozinho e o mesmo acontece com outros jogos do género.

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Nether não tem absolutamente nada de novo para apresentar, quanto mais não seja ele oferece-nos um pequeno “twist” dentro do género da sobrevivência mas que não é suficiente para rivalizar com jogos como o DayZ ou o Rust.

Eu achei-o demasiado aborrecido para o seu bem, uma opinião que de resto não é só minha mas também é partilhada pelo Snoopy que ainda consegue ter comentários menos lisonjeiros do que os meus sobre este jogo. Para já Nether leva um “NÃO” e o tempo dirá se até ao seu lançamento oficial os progressos serão suficientes para que eu mude de opinião.

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Ary Costa

Ary Costa

Fundador / Editor Sénior em Gaming Portugal
Empresário moderno, o Ary Costa é um daqueles indivíduos multifacetados que se movimenta em diversas áreas de negócio. Ele foi a força fundadora por detrás da Gaming Portugal e conseguiu reunir uma equipa competente e muito unida. É principalmente um elemento que trabalha nos bastidores, embora ultimamente vocês o conheçam pelo seu trabalho nas streams da NOX.
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