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Unclaimed World: Coloniza um Mundo Desconhecido

Unclaimed World

A ideia de explorar e colonizar outros planetas há muito que fascina a humanidade. Eu não sou excepção, se neste momento me oferecessem um lugar numa viagem até um planeta desconhecido com o objetivo de o colonizar, eu seria dos primeiros a assinar o contrato.

No entanto como é pouco provável que isso aconteça na minha geração e é ainda menos provável que a NASA se lembre de mim (a não ser que eles gostem de videojogos e leiam a minha review), por isso resta-me continuar a sonhar no mundo dos videojogos e Unclaimed World é sem dúvida alguma uma ajuda preciosa.

Primeiro vamos às apresentações. Unclaimed World é um jogo de estratégia e simulação onde nós temos de gerir as vidas de pioneiros interestelares. O jogo foi criado pela Refactored Games OÜ, uma companhia independente com base na Dinamarca e creio que este é o seu primeiro jogo. Ele esteve disponível numa versão de acesso antecipado na Steam durante bastante tempo e foi lançado oficialmente no passado dia 4 de Outubro.

Muito bem, Unclaimed World é portanto um jogo independente de estratégia no qual nós somos responsáveis pelas vidas de colonos. O objetivo principal é simples: colonizar o planeta, sobreviver, progredir e se o jogo fosse uma simulação 100% fiel à realidade, eventualmente nós iríamos esgotar os recursos do planeta e levá-lo à sua inevitável destruição.


Graças a Deus ele não é um jogo assim tão deprimente. hehe


Pelo contrário, Unclaimed World é um daqueles jogos de estratégia de ritmo vagaroso e parte disso deve-se à necessidade de pensarmos antes de agirmos. É neste ponto caros amigos que vocês podem decidir continuar a ler esta review ou optar por parar.


O quê que eu quero dizer com isto?


É muito simples, Unclaimed World é um jogo de estratégia que possui controlo indirecto dos protagonistas. Isto significa que nós damos ordens e eventualmente elas serão cumpridas pelos colonos. Ora quem já jogou este tipo de jogos sabe que a progressão por vezes pode ser um pouco lenta (apesar de existir a opção de acelerar o tempo) porque ele não é um jogo de estratégia em tempo real.

Se este género de estratégia não “é a tua praia” então podes parar de ler esta review agora. Se por acaso o jogo desperta o teu interesse e queres saber se ele poderá ser uma boa primeira incursão no género então por favor continua a ler esta review. Se és um veterano que já jogou inúmeros jogos semelhantes, provavelmente é uma boa ideia continuares a ler e se apenas “caíste aqui de paraquedas” e andas à procura de ler algo interessante então não perdes nada em continuares com a tua leitura.

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Continuemos…


O meu primeiro contacto com o jogo foi através dos tutoriais que são absolutamente obrigatórios para quem ambiciona gerir os destinos de uma colónia sem a levar ao colapso nos seus primeiros estágios de desenvolvimento. Os tutoriais são longos, por vezes complexos mas cobrem praticamente toda a informação que necessitamos saber para podermos jogar Unclaimed World confortavelmente.

Infelizmente foi nesta altura que encontrei um primeiro problema, a interface. E como há confusão neste departamento, tudo desde os menus; os sub-menus; a organização dos elementos e até o tamanho reduzido do interface, prejudicam muito a nossa interacção com o jogo.

Curiosamente esta é mesmo a grande razão pela qual os tutoriais são muito importantes, é que sem eles seria uma dor de cabeça monumental tentar perceber tudo o que se passa no jogo. Embora eu já o conhecesse das versões de “acesso antecipado” esperava melhorias significativas neste departamento aquando do seu lançamento e apesar de existirem algumas, elas simplesmente não são suficientes.

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Unclaimed World passou então a exigir de mim mais tempo, não só para fazer os tutoriais mas também para estar à vontade com o interface. Confesso que fiz os tutoriais mais do que uma vez, senti-me quase obrigado a fazer isso não só para compreender bem a interface mas também para ser justo com o jogo nesta review.

Sinceramente acredito que muitos jogadores nesta altura talvez tivessem desmotivado um pouco com aquela atitude do: “amanhã quando tiver mais tempo pego neste jogo” e que eventualmente ele se transforme num daqueles títulos nunca jogados de uma colecção.

A boa notícia é que embora a interface seja fonte de alguma frustração e prejudique um pouco a experiência, não é nada que um pouco de habituação não resolva. Certamente o interface poderia ser muito mais simples e intuitivo e quem sabe talvez ele vá melhorando com updates, mas nesta fase é necessária alguma atenção e paciência para conhecer o jogo e acima de tudo não deixar escapar detalhes importantes.


A minha vida tornou-se subitamente mais difícil


A vida tornou-se então um pouco mais difícil a jogar Unclaimed World porque o jogo exige-nos uma atenção redobrada. É claro que a complexidade neste género de jogos é de certa forma intencional, porém neste caso específico ela é acentuada pelos problemas de interface acima referidos.

Após umas horas e depois de repetir algumas vezes os tutorais senti-me minimamente preparado para gerir a minha colónia. A jogabilidade é simples, temos de gerir as ações dos colonos e basicamente só precisamos de atribuir tarefas que são depois realizadas por eles.

Tudo se processa com base na criação de zonas, por exemplo eu crio uma zona e dou a ordem para que sejam retiradas 20 pedras e 20 troncos de madeira. De seguida os colonos começam o trabalho e reúnem todo o material no seu campo.

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Pode-se fazer um pouco de tudo, desde reunir recursos, investigar uma área para descobrir que recursos ela tem disponíveis; patrulhar um território que porventura seja perigoso e por aí fora.

A evolução é sempre um dos principais objectivos, necessitamos de materiais para construirmos infraestruturas e claro precisamos de alimentos (obtidos através de caça, pesca ou agricultura) que cheguem de forma a que os nossos colonos estejam sempre aptos para trabalharem sem restrições.

O problema é que os colonos não necessitam apenas de comida, eles também querem algum conforto e até mais segurança, sendo certo que quando nada disto é proporcionado eles podem ficar insatisfeitos. Se ficarem muito satisfeitos podem mesmo abandonar o campo e procurar por uma vida melhor noutros campos vizinhos.

No início grande parte destes pormenores passam-nos ao lado e só com um alguma experiência de jogo é que aos poucos conseguimos ter mão na colónia. É extremamente importante não “dar um passo maior do que a perna” e sempre que conseguirmos prever muito trabalho para os colonos é importante verificar se existem reservas suficientes de alimentos para eles poderem recuperar as energias que vão perder.

Infelizmente tudo isto decorre a “passo de caracol” e não me refiro apenas à velocidade do jogo mas também a todo o moroso processo de aprendizagem. A dificuldade deste jogo pode ser encarada como um desafio para aqueles que gostam de descobrir tudo por eles próprios, porém para a grande maioria dos jogadores ela poderá ser um dissuasor.

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Com um pouco de insistência começamos a descobrir o jogo…


Depois de algumas gestões desastrosas, mesmo quando eu me julgava capaz de fazer um bom trabalho, eventualmente “entrei nos eixos“. De certa forma o jogo começa realmente quando conseguimos estabelecer uma colónia e garantir alguma estabilidade.

A nossa ambição cresce e com ela a vontade de criar novas ferramentas e novos edifícios. Como qualquer outro título do seu género, Unclaimed World exige concentração e persistência, mas é altamente recompensador no resultado final.

Às vezes coisas mínimas como garantir que tudo funciona como deve funcionar numa colónia são o suficiente para nos darem algum alento. Mas nada é mais memorável do que aquele momento em que sentimos que a nossa colónia é de facto poderosa e auto-suficiente.

É por esta altura que descobrimos o sistema de trocas que podem ser realizadas com colónias vizinhas. As trocas são importantes porque nos garantem acesso a recursos e ferramentas que necessitamos, para além disso podemos recrutar para a nossa colónia elementos que dominem profissões importantes e a ajudem a evoluir.

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Infelizmente e por demasiadas vezes a AI (inteligência artificial) não ajuda a nossa tarefa. Este é outro dos problemas do jogo que causa alguma frustração.

Por vezes é difícil perceber a razão pela qual os colonos não desempenham uma tarefa que lhes foi atribuída. Pior do que isso, se lhes dermos várias tarefas ao mesmo tempo por vezes assistimos a uma autêntica barafunda com alguns colonos a largarem tarefas a meio para se dedicarem a outras em vez de as priorizarem e fazerem por ordem.

Em suma, a AI neste tipo de jogos geralmente precisa de ser muito boa para que eles funcionem sem “soluços”, mas não é isso que acontece no Unclaimed World apesar de, nesta área, eu acreditar que com mais trabalho e alguns updates eles serão capazes de resolver a maior parte dos problemas.


Unclaimed World é fascinante mas não é para todos…


Eu gosto do Unclaimed World, o jogo tem personalidade e nota-se que foi desenvolvido com uma enorme paixão, infelizmente por vezes a paixão não é o suficiente para fazer um jogo destacar-se.

Dentro do seu género este jogo fica uns furos abaixo da concorrência, primeiro devido a uma interface deficiente que dificulta o processo de aprendizagem. Os tutoriais são de facto uma ajuda preciosa pois sem eles a desorientação seria maior, mas mesmo assim estes pequenos empecilhos não se justificam e prejudicam a experiência.

É verdade que existem momentos altamente recompensadores, no entanto o percurso para chegarmos até eles por vezes é tão moroso que talvez uma grande parte dos gamers desista antes de os atingir.

A lentidão é esperada, mas sinto que no Unclaimed World não havia necessidade para tarefas insignificantes demorarem tanto tempo (mesmo com o aumento de velocidade), eu sei que ele é um simulador mas em nome do divertimento há momentos em que a simulação deveria ter sido colocada de parte.

Os problemas deste jogo são demasiado evidentes para serem ignorados e no final impedem-no que saia desta review com uma nota mais elevada. Unclaimed World tem os seus momentos e até é um jogo fascinante mas não é para todos.

Ary Costa

Ary Costa

Fundador / Editor Sénior em Gaming Portugal
Empresário moderno, o Ary Costa é um daqueles indivíduos multifacetados que se movimenta em diversas áreas de negócio. Ele foi a força fundadora por detrás da Gaming Portugal e conseguiu reunir uma equipa competente e muito unida. É principalmente um elemento que trabalha nos bastidores, embora ultimamente vocês o conheçam pelo seu trabalho nas streams da NOX.
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Não é para todos...

Problemas no interface; na inteligência artificial; uma progressão por vezes demasiado lenta e uma desnecessariamente longa curva de aprendizagem não deixam Unclaimed World sair daqui com uma nota mais elevada.

6
Apresentação:
5
Grafismo:
6
Jogabilidade:
6
Banda Sonora:
7

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