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Chronos Before the Ashes: Opinião

Chronos: Before the Ashes é um RPG atmosférico que nos conta a história de um herói que tenta salvar o seu mundo das forças do mal. O jogo transporta-nos para o misterioso labirinto e coloca-nos pela frente inimigos poderosos bem como puzzles para resolver. É mais um título no qual a morte faz parte da experiência e neste caso particular ela tem um peso significativo.

O jogo é uma prequela do bem sucedido Remnant: From the Ashes e foi inicialmente lançado como um título exclusivo Oculus Rift há alguns anos atrás. Para quem joga Remmant esta será a oportunidade de mergulhar num passado fascinante que ajuda a compreender melhor a história deste Universo peculiar.

Chronos: Before the Ashes é um jogo de mecânicas simples, fácil de se perceber e um pouco mais difícil de se dominar. O jogo vai buscar inspiração óbvia às experiências estilo “Dark Souls” e aliás descreve-se a si próprio como sendo uma mistura entre um “Zelda” e um “Dark Souls”.

A morte faz inevitavelmente parte da experiência e cada vez que a personagem principal morre ela “perde” um ano de vida. Isso significa que no início da aventura a personagem é jovem e dependendo da forma como progredimos ela pode ficar muito mais velha. Com a perda de juventude perde-se também atributos físicos, porém estes são substituídos por sabedoria e por um melhor domínio das artes místicas.

O grafismo

Como já referimos em cima, Chronos: Before the Ashes é essencialmente a versão não-VR do jogo Chronos VR, sendo que a versão VR encontra-se disponível em exclusivo na loja Oculus. A versão VR foi lançada em 2016, ou seja estamos a falar de um jogo com 4 anos de existência e muito embora a versão para o PC e consolas seja deste ano, não esperem por uma fidelidade gráfica ao nível de títulos mais recentes.

Isto não significa que Chronos: Before the Ashes é uma desilusão no departamento gráfico. Longe disso, visualmente ele até tem uma qualidade acima da média da qual se destaca um trabalho artístico sólido que tem os seus momentos.

No PC contudo os jogadores já estão habituados a grandes experiências visuais e atendendo a isso é razoável presumir que poucos ficarão surpreendidos no departamento gráfico e até o vão considerar um tanto ou quanto simplista.

A boa notícia é que devido à sua simplicidade não estamos perante um jogo muito exigente e até computadores de gamas mais baixas não terão problemas para o correr.

O som

Chronos: Before the Ashes é uma experiência solitária que para além dos combates foca-se também na resolução de puzzles. Há uma sensação de desconforto constante, uma sensação de vulnerabilidade que os jogadores de “Dark Souls” conhecem melhor do que ninguém.

A banda sonora e os efeitos sonoros ajudam a transmitir a inquietação e raramente se impõem a não ser em momentos de maior tensão. Como resultado há uma certa pureza na experiência e à semelhança do que acontece com o “Dark Souls”, a experiência está bem conseguida o suficiente para não necessitar de adornamentos sonoros excessivos.

Dito por outras palavras, o som complementa a experiência na perfeição tornando-a mais imersiva e intensa.

A experiência

A experiência de jogabilidade de Chronos: Before the Ashes vai buscar inspiração ao “franchise” Dark Souls e joga-se também na perspectiva da terceira pessoa. Devido à natureza da experiência na versão VR, nós acreditamos que este é um dos títulos que mais facilmente conseguiria fazer a transição para uma versão não-VR e de facto quem o joga nem sequer tem vislumbres da outra versão.

A experiência é simples também na jogabilidade. Estamos perante um jogo de ação na terceira pessoa com elementos RPG, um jogo no qual temos uma personagem que vai evoluindo ao longo do tempo e um combate de compreensão simples mas que demora o seu tempo até que o dominemos na perfeição.

Não é também um jogo fácil, pelo contrário a morte faz parte da experiência e tem um papel preponderante na progressão do jogo. Quando morremos a idade da nossa personagem avança um ano e se no início nós focamos os nossos pontos fortes na força e agilidade, à medida que vamos ficando mais velhos e naturalmente menos fortes e ágeis, o foco passa a ser nas habilidades mágicas que não necessitam de atributos físicos para serem executadas.

A nossa personagem começa a experiência com 18 anos de idade, mas dependendo da nossa progressão o envelhecimento pode ser lento ou desconfortavelmente rápido. Nós gostámos da mecânica da morte no jogo porque ela dá um peso muito maior à derrota o que por sua vez contribui para a envolvência da experiência. Neste jogo ninguém vai querer morrer, especialmente quando a idade começar a pesar!

Também existem puzzles para serem resolvidos e regra geral o seu nível de dificuldade não é muito elevado. Nós vamos percorrendo o que o jogo chama de “labirinto” e essencialmente vamos desbloqueamos novas áreas que nos permitem avançar na história bem como defrontar novos e mais poderosos inimigos. A exploração não é propriamente brilhante e aliás tem os seus momentos aborrecidos, mas pelo menos a resolução de puzzles é recompensadora.

Os encontros com inimigos podem variar, desde inimigos fracos que são fáceis de derrotar; passando por alguns mais poderosos que é importante descobrir um ponto fraco para que seja possível derrotá-los com facilidade até aos grandes inimigos que são uma autêntica dor de cabeça até descobrirmos a estratégia vencedora.

Há também alguma frustração na experiência, por exemplo cometer alguns erros com inimigos menos poderosos pode custar a muito valiosa vida e se não existir forma de a repor, a morte será quase inevitável se dermos de caras com um inimigo mais poderoso.

Temos à nossa disposição várias armas, habilidades e poderes à medida que vamos progredindo, para além disso também há a progressão tradicional de RPG na qual vamos melhorando atributos e o envelhecimento também traz consigo algumas vantagens a cada nova década. Para compensar a perda de força e agilidade causada pelo envelhecimento, torna-se mais fácil evoluir as habilidades mágicas quando ficamos mais velhos.

No geral a experiência é divertida para quem gosta do género, mas tem vários momentos de acalmia sobretudo na resolução de puzzles e claro o elemento “dificuldade” tem um papel importante e escusado será dizer, quem não pode ver um “Dark Souls” à frente porque não aprecia a natureza imperdoável da coisa, muito provavelmente não vai querer jogar este jogo.

Apesar disso é possível baixar o nível de dificuldade embora nós não recomendemos porque desafia um pouco o propósito de toda a experiência.

Sem surpresas mas com solidez

Chronos: Before the Ashes é acima de tudo um jogo sólido no estilo “Dark Souls” mas que para além do inteligente sistema de envelhecimento ligado à morte, não traz consigo nada de novo. Será sem dúvida alguma uma aventura interessante para quem gosta de desafios não só pelos combates difíceis como também pela resolução de puzzles, mas também é verdade que dentro deste género existem alternativas melhores no mercado. Como por exemplo, os jogos do “franchise” no qual ele foi buscar a sua inspiração.

Divertido e desafiante

Sem grandes surpresas Chronos: Before the Ashes é mais um jogo desafiante no qual a morte faz parte da experiência. Ele destaca-se pela sua mecânica única de envelhecimento mas para além disso não oferece nada de novo ao género. É talvez uma boa alternativa para os grandes fãs de jogos estilo "Dark Souls" e é sólido o suficiente para não desiludir.

7
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O Márcio é uma das forças editoriais da Gaming Portugal, ele também faz um pouco de tudo mas a sua preferência reside nos artigos de opinião. Regra geral ele não é comedido nas palavras, porém em vez de optar pela dureza extrema ele prefere quase sempre pelo sentido de humor.

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

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