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Disintegration: Opinião

Disintegration é um FPS com elementos de RTS no qual os jogadores controlam um veículo poderoso e participam em batalhas épicas quer seja em modo de história ou multijogador.

No jogo nós vestimos a pele de Romer Shoal, um antigo piloto de um “Gravcycle” que é um veículo ultra-poderoso que pode espalhar o caos em qualquer campo de batalha. Romer vê-se obrigado a voltar a pilotar um “Gravcycle” devido às forças maléficas da “Rayonne” que pretendem eliminar todos os vestígios da humanidade.

Digamos que Disintegration não é o FPS tradicional na medida em que não controlamos a personagem, mas sim o “Gravcycle” que é o veículo da nossa personagem. O “Gravcycle” é um veículo anti-gravidade de uma pessoa que no início chegou a ser utilizado para missões de salvamento, reconhecimento e até agricultura, mas eventualmente acabou transformado numa arma de guerra bastante eficaz e letal no campo de batalha.

A HISTÓRIA

A história do jogo apresenta-nos o conceito de “integração” (“Integration” em inglês) que é um processo que permite a integração do cérebro humano num corpo robótico. As vantagens são óbvias, o homem “livra-se de incómodos” como os órgãos vitais e transforma-se numa máquina que necessita apenas de alguma manutenção. Romer, o protagonista do jogo, foi alvo de uma integração bem como os seus “companheiros de guerra” no jogo.

Desde cedo percebe-se que há uma separação entre os chamados “naturais” – que são humanos de carne e osso – e os que foram alvo de uma “integração” e possuem o corpo robótico como é o caso do protagonista.

A introdução à história do jogo é, na minha opinião, muito bem feita. Aliás a história é interessante e envolvente se tivermos em conta que esta fusão entre homem e máquina é previsível até na vida real.

Não é uma história complexa, as personagens são simples mas têm personalidade e os diálogos são razoáveis. No geral é um excelente trabalho se tivermos em consideração que é o primeiro jogo deste estúdio.

A JOGABILIDADE

Um FPS regra geral não tem muitas surpresas, mas Disintegration não é o FPS tradicional. Neste jogo nós controlamos o veículo “Gravcycle” que circula pelo campo de batalha e pode deslocar-se também verticalmente, ou seja, podemos aumentar ou diminuir a altitude.

Um pequeno tutorial explica as principais mecânicas de jogabilidade. Vá-se lá saber porquê, mas por defeito o SHIFT é subir e o SPACE é fazer “boost” por isso uma das primeiras coisas que fiz foi precisamente trocar estas duas teclas.

De resto o controle do veículo é bastante simples e tenta transmitir-nos aquela sensação de poder que deveríamos ter ao controlarmos uma máquina de guerra.

Infelizmente ele fica-se pela tentativa porque o “Gravcycle” está longe de ser a arma devastadora que na minha opinião deveria ser. Em todos os movimentos sentimos o peso do veículo, mas não de uma forma positiva, pelo contrário esse peso abranda a movimentação, quebra um pouco o ritmo da experiência e torna-a por vezes aborrecida.

A deslocação vertical oferece perspectivas diferentes no campo de batalha e é neste ponto que se misturam os elementos de RTS. Enquanto controlamos o veículo podemos simultaneamente dar ordens aos elementos do esquadrão no terreno.

Não é nada demasiado complexo e inicialmente até é um pormenor interessante, mas com o tempo percebe-se que na maior parte das vezes é uma experiência dolorosamente “atabalhoada”.

Os elementos do esquadrão ajudam mas nem sempre, a “inteligência artificial” falha no departamento da “inteligência” e inúmeras vezes dei por mim a ignorar por completo os meus “colegas” e a tentar resolver os problemas com o “Gravcycle” em oposição a dar ordens aos elementos do esquadrão.

O GRAFISMO

Sem ser surpreendente neste departamento Disintegration é um trabalho aceitável quer estejamos a falar de potência gráfica ou de beleza artística. O mundo e os cenários estão bem desenhados, porém é visível a falta de atenção aos detalhes e a ausência de “vida”.

O cenário onde decorre a acção é na sua grande maioria inexplicavelmente vazio, chega mesmo a ser desinteressante e como consequência contribui para o tal aborrecimento que já mencionei. Nada “salta à vista” não há aqueles “momentos chave” que nos deixam boquiabertos, pelo contrário é tudo demasiado mediano.

Dito isto, é aparente desde o primeiro momento que começamos a jogar que este jogo está longe de ser um “gigante” dentro do seu género. Se porventura eu estivesse a escrever sobre um jogo de preço modesto acredito que seria muito menos duro nas minhas palavras, mas para um jogo que apesar de independente, não é propriamente “amigo da carteira”, esperava-se muito mais neste departamento.

Existem por aí FPS muito melhores que estão disponíveis por uma fracção do preço deste jogo e isso não é encorajador.

SOM, BANDA SONORA, EFEITOS SONOROS

São áreas em que mais uma vez o jogo é cumpridor mas novamente demasiado mediano. A banda sonora é uma desilusão e falha no acompanhamento da acção especialmente se tivermos em conta que toda a mecânica de jogo é desenvolvida tendo como base a ideia de estarmos a controlar uma “máquina de guerra”.

Exigia-se portanto uma banda sonora e efeitos sonoros poderosos que causassem impacto, mas não é isso que acontece.

Aliás existem demasiados momentos em que simplesmente estamos rodeados de silêncio e isto aliado a cenários “muito despidos” é uma receita para o tédio. Infelizmente sou obrigado a voltar a repetir que para um jogo que custa 50€ pedia-se mais, muito mais…

CAMPANHA CURTA E POUCO MEMORÁVEL

A campanha a solo é demasiado curta e só a história e as “cutscenes” é que a salvam de um desastre completo. Escusado será dizer que se alguém está a pensar em comprar este jogo pelo seu modo de história, fique a saber que não é uma boa ideia.

VAMOS AO MULTIJOGADOR

O modo de multijogador oferece costumização do veículo, a possibilidade de podermos escolher “crews” (que são uma espécie de classes) e claro o confronto com outros jogadores. Num FPS a qualidade do modo de multijogador pode ser fundamental para o sucesso de um jogo, aliás nós sabemos que existem FPS no mercado que são adquiridos pelos jogadores apenas pelo seu modo de multijogador.

Infelizmente as notícias também não são boas neste departamento. Disintegration tem simplesmente demasiados problemas para conseguir ser mais do que mediano até no seu modo de multijogador.

A experiência é um pouco mais divertida é verdade, no entanto e na minha opinião os mapas, quase todos mal desenhados, nunca nos deixam tirar partido de todas as potencialidades de um veículo que apesar de tudo tem alguma versatilidade.

A combinação FPS/RTS também não funciona muito bem em multijogador e apesar de jogar contra outros jogadores ser mais entusiasmante, não há absolutamente nada neste modo que me faça ter vontade de voltar a ele. Dito de outra forma: para quem procura por uma boa experiência de multijogador este jogo também não é uma boa escolha.

BOA IDEIA, MÁ EXECUÇÃO

A ideia de um controlar um veículo de guerra poderoso enquanto simultaneamente damos ordens a membros do nosso esquadrão é de facto boa. Infelizmente Disintegration não é uma boa execução dessa ideia. Falta-lhe um pouco de tudo e o resultado é uma experiência demasiado mediana para um género de jogos que está recheado de alternativas de grande qualidade.

Demasiados problemas!

Disintegration tem ideias boas mas no geral é uma experiência que rapidamente se torna aborrecida e desinteressante. Não é um mau jogo mas está a milhas da concorrência e o seu preço elevado só lhe retira valor e impossibilita a sua recomendação.

5
Não Recomendado:
5

O Márcio é uma das forças editoriais da Gaming Portugal, ele também faz um pouco de tudo mas a sua preferência reside nos artigos de opinião. Regra geral ele não é comedido nas palavras, porém em vez de optar pela dureza extrema ele prefere quase sempre pelo sentido de humor.

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