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Há coisas que nunca mudam

É em tempos difíceis e caóticos que procuramos alguma estabilidade e rotina. Algo por que nos agarrarmos e que nos transmita uma sensação de segurança e conforto. Estamos presentemente numa época tal, e a nossa casa parece tornar-se numa prisão, e por isso muitos de nós acampam na sala de estar ou no quarto, agarramo-nos aos nossos comandos ou teclados e fechamo-nos momentaneamente ao mundo, numa tentativa de escape a esta estranha realidade que nos tem assombrado.

Assim aconteceu comigo e, enquanto ávido fã das consolas da Sony, percorri a minha biblioteca de jogos descarregados graças à PlayStation Plus, à procura de algo para me entreter. Lembrei-me que nos tinha sido disponibilizada a trilogia Uncharted no mês de Janeiro, e à falta de melhor, deixei que a nostalgia me levasse.

Devo dizer, há muito tempo que tal sentimento não me fazia sentir tão bem. Dentro de uma semana platinei a trilogia e esqueci as minhas responsabilidades, porque dia após dia, enquanto me relembrava da incrível narrativa protagonizada pelo imortal Nathan Drake, relembrava-me também de tempos mais calmos e simples, uma década atrás, quando o primeiro título “Drake’s Fortune” nos foi apresentado.

É fantástico como um jogo nos pode fazer sentir, e recomendo a todos os que se apaixonaram por esta trilogia quando primeiro foi lançada para olharem para ela outra vez, para se deixarem levar pelas carismáticas personagens de Nathan Drake, Victor Sullivan e Elena Fisher uma vez mais, pelos diálogos cómicos e interações geniais que fazem destes títulos o sucesso que são. Para quem nunca lhes deu uma hipótese, que invista algumas horas das muitas que tem disponíveis de momento para arriscar neles, porque prometo que não se arrependerão.

E para aqueles que valorizam os gráficos e a fluidez mecânica do jogo acima do conteúdo e da história, aconselho a ignorar essas políticas desta vez, porque se há coisa que a Naughty Dog nos provou com todos os títulos que lançou desde o primeiro “Jak and Daxter” é que uma boa narrativa supera toda a necessidade de qualidade gráfica. Mas há que ter noção da década em que a trilogia Uncharted foi desenvolvida e reconhecer o génio e visão da produtora, que tão à frente do seu tempo estava, e assim se mantém.

E a boa notícia, excelente até, é que a PlayStation Plus vai disponibilizar o Uncharted 4: ”A Thief’s End” neste mês de Abril, e que melhor altura para limpar toda a coleção senão nestes tempos de isolamento? E, pelo menos para este último título, a desculpa dos gráficos não é válida, porque todos podemos concordar que até alguns dos nossos smartphones têm menos qualidade de imagem do que as cinemáticas desta obra de arte.

Onde quero chegar é que, no meio desta situação complicada em que todos estamos envolvidos, quando tudo parece mudar e quebrar a rotina, afastando-nos dos nossos e criando instabilidade nas nossas vidas, é bom saber que há coisas que nunca mudam.

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