Opiniões PC

Horizon Zero Dawn (PC): Opinião

O Horizon Zero Dawn chegou finalmente ao PC, a boa notícia é que o jogo é de facto muito bom, a má notícia é que poderia ter sido uma conversão muito melhor.

O lançamento do Horizon na PC não foi fácil com jogadores a registarem “crashes” e quedas de “framerate” e mesmo sem conseguirem correr o jogo. Seguiu-se a muito esperada indignação e os inevitáveis “updates” até que finalmente a experiência ficou estável.

Hoje jogar Horizon no PC é uma experiência relativamente tranquila e desde o update mais recente que nós não registamos qualquer tipo de problemas.

Dito isto avancemos para a opinião…

Uma pequena introdução

Horizon Zero Dawn é um jogo de acção e aventura de mundo aberto com elementos de RPG. Neste jogo nós controlamos a Aloy, uma jovem caçadora e arqueira que vive num mundo pós-apocalíptico no qual os humanos são obrigados a partilhar o planeta com criaturas mecanizadas no mínimo peculiares que mais não são do que animais robôs e que, vá-se lá saber porquê, coexistem de forma pacifica com a fauna (os animais a sério).

A história é extensa, está bem construída seja através das missões principais ou das inúmeras missões secundárias que existem um pouco por todo o mundo. A qualidade da história está ao nível de um grande filme de Hollywood e até a dobragem em português de Portugal é francamente boa.

O mundo de Horizon é fascinante não só porque o jogo é visualmente muito bom, mas principalmente devido à mistura entre elementos ultra-tecnológicos e pré-históricos. No papel – e numa fase inicial – a história e o conceito talvez parecessem desprovidos de lógica, ou pelo menos conseguimos imaginar como algumas pessoas reagiram inicialmente à ideia “de caçar robôs com lanças e arco e flecha“, mas o que é certo é que a história acaba por ser um dos elementos mais fortes deste jogo.

Um fantástico jogo de mundo aberto mas sem grandes surpresas

No que a jogos de mundo aberto diz respeito não temos dúvidas: Horizon Zero Down está entre os melhores. Uma excelente notícia para os jogadores de PC porque podemos todos desfrutar de um título de enormíssima qualidade, mas – e porque há sempre um “mas” – ele não é propriamente uma experiência revolucionária.

Longe disso, Horizon limita-se a fazer uso de muitas ideias e conceitos que todos nós já vimos a serem utilizadas vezes sem conta em jogos do género. Nele vemos um pouco de Assassin’s Creed; Far Cry; The Witcher e de tantos outros títulos de mundo aberto que são referências no mercado.

Até certa medida isso é inevitável, o modelo do “jogo de mundo aberto” tem sido amplamente explorado nos últimos anos e as reutilizações (e em muitos casos as melhorias) de mecânicas de jogo conhecidas são expectáveis. A realidade é que já não há espaço para grandes surpresas dentro deste género.

Mas a inovação só por si não é garantia de qualidade. Sim é “giro” quando um estúdio cria uma experiência revolucionária, porém se ela claudicar em todas as outras áreas o mais certo é ser alvo de duras críticas e condenada ao esquecimento.

Nesta “altura do campeonato” a nós preocupa-nos muito mais a solidez da experiência e Horizon é todo ele solidez. Não há revolução mas há qualidade para dar e vender naquele que é um título soberbo.

Visualmente é um regalo para os olhos mas…

Quando Horizon Zero Down foi anunciado para o PC esperava-se que ele tirasse partido de todas as potencialidades da plataforma. No entanto e apesar de estarmos perante uma experiência visual de qualidade, a sua conversão para o PC está longe de ser perfeita e como consequência não existem assim tantas melhorias quando comparada com a versão da PS4 Pro.

Talvez a melhoria mais significativa seja o desbloqueio do “framerate“, o que significa que os jogadores de PC vão poder jogá-lo acima dos 30 FPS da versão das consolas. Computadores de gamas médias/altas não terão grandes problemas para correrem este jogo a 60 FPS ou mais e apesar de terem passado três anos desde o lançamento da versão da PS4, o jogo ainda continua impressionante no departamento gráfico.

Os modelos das personagens são fantásticos bem como os cenários; os efeitos de luz; a escala do mapa; os robôs e no geral e tendo em conta que estamos a falar de um jogo de mundo aberto, Horizon é visualmente um regalo para os olhos.

Há uma enorme atenção ao detalhe e há sobretudo um notável trabalho no departamento artístico que confere ao jogo um visual único devido à mistura entre a tecnologia e natureza.

A jogabilidade é uma boa mistura de elementos

Horizon Zero Down pode jogar-se bem no PC com o tradicional setup teclado+rato, porém nós recomendamos a utilização de um comando ou não fosse este um jogo criado a pensar numa consola.

Regra geral e em títulos na terceira pessoa são raras as vezes que não recomendamos a utilização de comando. Com elementos de jogabilidade como os saltos, as escaladas ou andar a cavalo, o comando oferece um controle mais completo só perdendo para o teclado+rato na precisão dos ataques à distância como é, por exemplo, o caso na utilização do arco e flecha.

A jogabilidade por sua vez é uma mistura de diversos elementos, desde o combate corpo-a-corpo com a lança; combate à distância com arco e flecha; armas de imobilização; armadilhas; escalada estilo Assassin’s Creed; andar a cavalo; reunir recursos; “crafting” e em suma pode-se dizer que é uma experiência de mundo aberto completa.

Nós diríamos que Horizon Zero Dawn é principalmente uma mistura inteligente de elementos de três jogos: o Far Cry Primal devido aos elementos pré-históricos e à forma como se reúne recursos e como o “crafting” funciona; o Assassin’s Creed porque muito do “stealth” e da “escalada” no jogo bem como toda a agilidade da Aloy vai buscar inspiração aos ágeis assassinos do “franchise” e o Tomb Raider pela personagem feminina forte e a predominância do arco e flecha.

Quem tem experiência no género vai “sentir-se em casa” e rapidamente estará à vontade para explorar sem restrições. De resto o prazer da exploração só consegue ser obtido com uma jogabilidade de base simples e intuitiva e felizmente é isso que acontece em Horizon.

Exploração, liberdade e escala

No computador nós recebemos a “edição completa” que por sua vez traz consigo ainda mais conteúdo, nomeadamente a expansão “The Frozen Wilds“. Isso é excelente porque significa que esta versão tem ainda mais para explorar.

Ora o que se quer num jogo de mundo aberto é muito conteúdo, um mapa grande e a liberdade para podermos explorar esse conteúdo como quisermos. Horizon, à semelhança dos outros grandes títulos de mundo aberto no mercado, oferece essa liberdade de exploração.

Há muito para descobrir neste jogo, inúmeros segredos para desvendar e um mapa gigantesco que é ideal para aquele jogador com alma de explorador. Para além da missão principal existem missões secundárias e um grande número de actividades, aliás não demora muito até o mapa estar recheado de informações sobre locais que merecem um olhar mais atento.

Os inimigos também são variados e compete-nos a nós decidirmos quando os encaramos ou simplesmente passamos despercebidos sem que eles dêem por nada.

Mais uma vez, nada disto é propriamente uma novidade dentro do género, mas conjugando muita história e um cenário fascinante que mistura ultra-tecnologia com a natureza e estão reunidos os ingredientes necessários para proporcionarem alguns momentos verdadeiramente memoráveis.

Ataques frontais, armadilhas ou paciência e inteligência com “stealth”

A liberdade estende-se também na forma como abordamos a missão. Tudo depende do estilo de jogo de cada um, se fores adepto das grandes batalhas então ataques frontais poderão ser uma alternativa, se por um lado gostas do planeamento estratégico podes montar uma defesa com várias armadilhas antes de realizares o ataque. Finalmente se gostas da furtividade então o “stealth” permite aniquilar os inimigos sem que eles se apercebam do que se está a passar.

Tudo se resume à tua própria imaginação e obviamente também dá jeito conheceres os pontos fracos dos teus inimigos e utilizá-los contra eles.

Um jogo completo, uma experiência fantástica

Desde o seu lançamento que nós lamentámos o facto de Horizon Zero Dawn não ter sido lançado também para o PC. A sua robustez e escala pareciam encaixar perfeitamente com esta plataforma e felizmente com as mudanças recentes no mercado eis que os jogadores de PC podem desfrutar desta fantástica aventura.

Sim, é verdade que esta conversão está longe de ser brilhante, é verdade que a versão do PC faz pouco uso de todas as potencialidades da plataforma mas nem isso impede este jogo de brilhar.

Sem surpresas mas com uma enorme solidez em todas as áreas, Horizon Zero Dawn é mais um jogo de mundo aberto de grande qualidade e passados três anos desde o seu lançamento oficial e numa nova plataforma, ele continua a ser um dos títulos mais impressionantes dentro do seu género.

Finalmente já o temos no PC!

Horizon Zero Dawn é uma experiência de mundo aberto belíssima e um título recomendado não só para quem é fã do género mas por todos aqueles que apreciam aventuras épicas.

9.1
Recomendado:
9.1

Ele foi a força fundadora por detrás da Gaming Portugal e conseguiu reunir uma equipa competente e muito unida. É principalmente um elemento que trabalha nos bastidores, embora ultimamente vocês o conheçam pelo seu trabalho no podcast juntamente com a NOX e nas transmissões ao vivo.

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

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