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Isolationist Nightclub Simulator: Opinião

Se há jogos que dificilmente podem ser classificados apenas como “videojogos” então o invulgar Isolationist Nightclub Simulator é muito provavelmente um deles. Esta experiência surreal é um simulador solitário que até diverte mas por momentos consegue ser assustador. É difícil de perceber? Acreditem que é bem mais difícil de explicar.

Num futuro cinzento e estranhamente familiar uma misteriosa doença parou por completo a vida no planeta. Na nossa vida real nós temos um vislumbre de uma realidade semelhante com a COVID, mas neste jogo a situação é bem mais grave. A humanidade foi completamente devastada e os poucos que restam, como nós, vivem na protecção dos seus “bunkers”.

Nós vestimos a pele de alguém que criou um “disco-bunker”, ou seja, um “bunker” que é simultaneamente uma discoteca. É uma decisão estranha mas ao que parece o protagonista to jogo é obviamente um grande fã do divertimento nocturno.

Invulgar e intrigante

Isolationist Nightclub Simulator é um “walking simulator” o que essencialmente significa que embora possua interacção, ele é em grande parte uma experiência contemplativa. É por isso que nos é difícil classificá-lo apenas como um videojogo, porque no fundo ele é muito mais do que isso e como qualquer outro jogo do seu género, um dos seus objectivos é fazer-nos pensar.

Pensar na vida, na nossa existência e na necessidade de termos algo que lhe dê sentido. Estes pensamentos tornaram-se comuns na vida real muito por força da pandemia contra a qual todos estamos a lutar. A realidade é que por mais desoladora que seja a pandemia da vida real, ela oferece-nos perspectiva e faz com que passemos a dar mais valor ao que outrora nem sequer dávamos a mínima atenção.

Este jogo é um pouco isso, através da simulação ele transporta-nos para um “bunker” que tem tudo o que necessitamos para sobrevivermos e é também uma discoteca que está completamente vazia. Cabe ao jogador explorar não só este enorme bunker como a sua própria solidão e não podemos mentir, é um pouco desconcertante.

Cria a tua própria música

Como referimos anteriormente existe alguma interacção neste jogo e uma das mais interessantes é com a música. Temos à nossa disposição uma série de instrumentos com os quais podemos criar, ou melhor misturar, a tradicional “música de discoteca” e sim, é como se vestíssemos a pele de uma espécie de DJ do Apocalipse e até é uma experiência bem divertida.

Para complementar o estímulo auditivo existe também um estilo visual único suportado por cores néon vibrantes. E se por acaso gostavas de preencher a pista de dança com alguns clientes virtuais, podes fazê-lo activando hologramas.

Depois da música é tempo de visitar o bar, desfrutar de algumas bebidas que oferecem novos estímulos visuais e que basicamente alteram as cores do jogo. E foi no bar que encontrámos aquela que é no fundo a interacção mais significativa de toda a experiência.

Partilha uma mensagem com outros jogadores

O jogo permite que qualquer jogador utilize um terminal, escreva uma mensagem e depois a envie para que a mesma seja visualizada por outros jogadores. Enquanto autores da mensagem nunca sabemos especificamente quem é o jogador que a vai ler mas sabemos que ela será definitivamente mostrada a alguém que está, como nós, a desfrutar da experiência.

É uma espécie de “mensagem na garrafa” com a certeza de que alguém, algures vai ler a nossa mensagem. Isto abre inúmeras possibilidades para os jogadores e permite uma comunicação indirecta que seguramente terá resultados hilariantes. Aliás, tendo em conta que podemos escrever o que quisermos na mensagem, é possível deixarmos o nosso nome de forma a permitirmos que o receptor da mensagem possa escrever uma resposta. Não sabemos como o sistema vai funcionar e isso só será possível analisar após o lançamento e se os jogadores aderirem a este sistema.

O que sabemos no entanto é que essas mensagens serão espalhadas um pouco por todo o lado e em locais inesperados como as paredes da casa-de-banho ou objectos comuns do dia-a-dia.

Joga mini-jogos e visita o museu

Existe também uma zona arcade na qual encontrámos algumas máquinas onde pudemos jogar mini-jogos. Nada de muito elaborado ou divertido mas é definitivamente algo que explorámos com atenção durante alguns minutos.

Foi nesta área que encontrámos a entrada para o museu (sim este bunker é muito à frente) na qual encontrámos informação interessante. Numa imagem em particular ficámos a saber que os jogadores podem enviar as suas obras de arte aos criadores do jogo para que as mesmas seja expostas, à vez, nesta secção.

Não sabemos se isso será uma opção para todas as imagens expostas no museu, mas era muito interessante se assim fosse. De qualquer maneira é mais uma oportunidade para partilharmos algo com outros jogadores e começámos a perceber que de facto como experiência artística este jogo tem potencial.

O jardim, o deserto e o grande hall

Existem também três zonas de relaxamento, duas exteriores e uma interior. O jardim oferece um vislumbre do que era a vida antes do desastre, no deserto podemos subir uma estrutura e desfrutar do cenário nas alturas e finalmente no imponente grande hall temos um piano no qual podemos alternar entre várias músicas.

São experiências relaxantes e bem mais contemplativas do que a energética discoteca mas com a excepção do grande hall não lhes dedicámos mais do que dez minutos até ficarmos aborrecidos.

Mais do que um videojogo Isolationist Nightclub Simulator é uma experiência artística

É um pouco difícil classificarmos um videojogo que no fundo é muito mais uma experiência artística e por isso decidimos que tudo se resume ao quão divertida e relaxante foi a experiência.

Honestamente acreditamos que o jogo tem uma magia única, ele consegue transmitir a sensação de solidão intensa mesmo quando estamos no meio da discoteca com o volume da música no máximo. Há imersão na experiência e nós compreendemos bem estes momentos solitários porque passamos por muitos deles nas nossas próprias casas durante o confinamento da vida real.

A partilha de pensamentos e sobretudo a partilha de trabalho artístico parecem ser o aspecto mais interessante do jogo. A perspectiva de podermos visitar um museu com obras de arte de outros jogadores é fantástica e o nosso desejo é que esse conceito seja bem explorado.

Mas ao final do dia não nos podemos esquecer de que o Isolationist Nightclub Simulator é um “walking simulator” que se baseia também muito na contemplação e como tal é uma experiência de “nicho” que só será desfrutada por quem realmente aprecia o género.

Última atualização: Março 11, 2021 às 08:55

Um videojogo, uma experiência artística relaxante

Isolationist Nightclub Simulator é um jogo interessante que desperta sentimentos com os quais todos nos identificamos especialmente em tempos de pandemia. A interactividade (com destaque para a mistura de música ou no envio de mensagens para outros jogadores) é uma mais valia e o museu virtual tem potencial.

6.8
Recomendado:
6.8

O Márcio é uma das forças editoriais da Gaming Portugal, ele também faz um pouco de tudo mas a sua preferência reside nos artigos de opinião. Regra geral ele não é comedido nas palavras, porém em vez de optar pela dureza extrema ele prefere quase sempre pelo sentido de humor.

Adepto do ar livre e dos desportos radicais, nós nunca sabemos se no próximo fim-de-semana ele não irá longe demais, levando a equipa a ficar com um elemento a menos. Quer dizer, o exercício é uma coisa boa, mas quando isso envolve quedas de grandes alturas ou escaladas perigosas, talvez seja melhor ficar em casa a jogar videojogos.

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