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Kosmokrats: Opinião

Camaradas vamos construir naves espaciais? Vamos jogar uma espécie de Tetris enquanto o fazemos? Kosmokrats é um novo jogo de quebra-cabeças polvilhado de originalidade que chegou recentemente ao mercado. Mas será que ele vale o investimento?

No Kosmokrats os jogadores vestem a pele de um “cidadão das estrelas” e fazem parte de uma história de colonização protagonizada pela Rússia. O objectivo é simples, utilizar um “drone” para montar naves espaciais em plena órbita. Parece absurdo nós sabemos, mas este pequeno e despretensioso jogo até é parece ser uma ideia engenhosa.

A apresentação, o início da experiência

A mãe Rússia é um dos protagonistas do jogo e Kosmokrats recua no tempo até aos anos 60 para nos dar a conhecer uma nação que quer conquistar o espaço. A apresentação foi uma surpresa agradável, é francamente divertida e faz um excelente trabalho na apresentação de um cenário no mínimo invulgar.

A nossa personagem viaja para o espaço e não demora muito até ser obrigada a saltar da cozinha (onde descascava batatas) para o lugar de piloto de “drones” mesmo sem qualquer experiência prévia na área.

A história é sempre acompanhada por interacções com personagens interessantes que tomam decisões ainda mais interessantes. O sentido de humor também é uma presença assídua em todos os diálogos e ajuda a criar algum interesse pela estranheza do que se passa à nossa volta.

Enquanto piloto de “drones” nós teremos à nossa disposição no início um tutorial opcional e para além disso as primeiras missões ajudam-nos a compreender o sistema de jogo.

A jogabilidade, pilotar “drones” e uma espécie de Tetris

Depois da introdução a uma realidade na qual a Rússia tenta conquistar o espaço, começa a experiência propriamente dita. Kosmokrats é na sua base um jogo incrivelmente simples, nós essencialmente pilotamos um “drone” e a nossa tarefa principal é unir componentes de naves espaciais.

Estamos aqui perante uma espécie de jogo de puzzles com um sistema de encaixe que por vezes relembra a brilhante simplicidade do icónico “Tetris” e cuja experiência pode e deve ser jogada com um comando.

No espaço o “drone” movimenta-se com relativa facilidade mas a falta de gravidade torna a jogabilidade um desafio sempre que é necessário empurrar e encaixar secções. O toque gentil é geralmente a melhor forma de jogar, porém e visto o tempo ser contado, também é necessário terminar a montagem o mais rápido possível.

A jogabilidade resume-se a tentarmos puxarmos ou empurrarmos secções para os locais certos de forma a que a nave espacial fique bem montada e o trabalho seja um sucesso. A simplicidade da jogabilidade é uma mais valia porque à medida que vamos progredindo também aumenta o nível de dificuldade e e nesse caso se a jogabilidade fosse muito complexa a progressão poderia ser uma verdadeira “dor de cabeça”.

Compreender o sistema de jogo é muito fácil, executar bem as manobras e “guiar” as secções certas para os seus respectivos encaixes é que já um pouco mais difícil à medida que vamos progredido. Não é uma dificuldade extrema mas existem muitos momentos frustrantes mesmo na dificuldade “normal” e isso pode ser desencorajador para os menos persistentes.

É claro que a frustração até certa medida faz parte da experiência, no entanto para alguns jogadores ela poderá ser excessiva e ou nós até podemos estar enganados, mas acreditamos que os jogadores menos pacientes poderão ficar enervados ao ponto de descartarem o jogo.

Pilotar o “drone” é no início uma experiência divertida especialmente para quem utiliza o comando, no entanto a mecânica de controle em si não traz absolutamente nada de novo e não demora muito até se tornar bastante aborrecida.

Isto é um problema sério que infelizmente encurta bastante a longevidade do jogo, veja-se o nosso exemplo: depois de o completarmos não encontrámos qualquer razão para o voltarmos a jogar.

O grafismo

Kosmokrats não é um jogo de grandes aspirações no departamento visual. Nada disso, este é mais um jogo que vive mais da sua experiência de jogabilidade do que propriamente da sua potência gráfica.

Ele está longe de ser um jogo exigente, pelo contrário até computadores de gamas mais baixas “alimentados por uma batata” serão capazes de o correr sem grandes problemas. Afinal de contas é de um jogo de puzzles sobre o qual estamos aqui a escrever e não faria sentido que fosse um colosso no departamento gráfico.

Artisticamente o jogo tem no entanto uma identidade sólida e reflecte a narrativa exageradamente heróica da nação russa. Os modelos das personagens são hilariantes, os efeitos de luzes estão decentes e no geral não temos queixas neste departamento.

O som, os diálogos

Depois de uma apresentação no mínimo icónica e acompanhada por uma música igualmente icónica, ficou claro que este jogo apostou forte para tentar reproduzir uma atmosfera única. Os diálogos por exemplo são muito divertidos embora a qualidade de som dos mesmos oscile entre o bom e o “isto não foi obviamente gravado nas melhores condições”.

Apesar disso o som consegue contribuir positivamente para a experiência e no que diz respeito à jogabilidade até consegue acentuar o prazer (infelizmente de pouca dura) de pilotar um “drone” no espaço. Também não estamos por isso desiludidos no departamento de áudio mas reconhecemos que poderia ser muito melhor.

Um pouco divertido, um pouco recompensador, um pouco…

No papel uma experiência que mistura “drones” com uma espécie de Tetris espacial talvez parecesse uma ideia muito boa. Na prática a coisa não funciona assim tão bem como se esperava.

De facto Kosmokrats é um jogo interessante e divertido porque é uma história divertida e uma abordagem engenhosa ao género de puzzles. Mas infelizmente só o engenho na abordagem não é suficiente, é também necessária uma boa aplicação prática que ajude o jogo a ultrapassar a barreira do “pouco”.

Ou seja, Kosmokrats até consegue ser um pouco divertido, até consegue ser um pouco recompensador mas fica-se por aí. Embora o cenário e a narrativa sejam de certa forma originais, a aplicação dos conceitos deste jogo está muito longe de ser memorável e isso ao final do dia impede-o de se destacar dentro do seu género.

Ele é talvez um título interessante para os grandes apreciadores de jogos de puzzles, ou para quem procura por desafios com “a graça do invulgar”. Mas para todos os outros jogadores é uma experiência que apesar de cumprir o seu papel, é simplesmente demasiado mediana.

Divertido mas pouco...

Kosmokrats não é tecnicamente um mau jogo e existem momentos divertidos e de algum prazer na experiência. No entanto ele não é mais do que um mero jogo de fim-de-semana e uma boa compra com um grande desconto ou para alguém que não pode passar sem jogar títulos de puzzles.

5.8
Recomendado (apenas para apreciadores de jogos de puzzles):
5.8

Adepto do ar livre e dos desportos radicais, nós nunca sabemos se no próximo fim-de-semana ele não irá longe demais, levando a equipa a ficar com um elemento a menos. Quer dizer, o exercício é uma coisa boa, mas quando isso envolve quedas de grandes alturas ou escaladas perigosas, talvez seja melhor ficar em casa a jogar videojogos.

O Márcio é uma das forças editoriais da Gaming Portugal, ele também faz um pouco de tudo mas a sua preferência reside nos artigos de opinião. Regra geral ele não é comedido nas palavras, porém em vez de optar pela dureza extrema ele prefere quase sempre pelo sentido de humor.

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