Opiniões PC

Nioh 2 – The Complete Edition: Opinião

Depois de uma longa espera “Nioh 2” chegou finalmente ao PC com uma versão robusta e remasterizada que inclui três DLC’s numa experiência desafiadora mas também muito recompensadora.

Prepara-te para uma das experiências de combate mais intensas, difíceis e divertidas do mundo dos videojogos. Este segundo jogo do “franchise” veio expandir consideravelmente a experiência quando comparado com o seu antecessor e a “edição completa” que nós recebemos agora no PC tem tudo o que poderíamos desejar.

A ação decorre entre os anos de 1555 e 1567 e nós vestimos a pele de “Hide” que é metade humano e metade “yokai” (criatura sobrenatural). A apresentação da história é impactante e acompanhar a jornada de “Hide” com o seu companheiro “Tokichiro” enquanto ambos tentam unificar o Japão durante o período Sengoku é envolvente e divertido.

Antes de começarmos a aventura temos à nossa disposição uma elevada costumização de personagem que nos permite alterar o sexo bem como inúmeras características físicas que nos ajudam a criarmos um herói à nossa medida. Estamos certos que alguns jogadores vão demorar o seu tempo até saírem do menu de criação de personagem e começarem a jogar.

Depois disso prepara-te então para dares início a uma das aventuras mais difíceis do mundo dos videojogos.

Hey! Este jogo não é para desistentes

Desde já é importante esclarecer que “Nioh 2” não é de maneira alguma fácil e sobretudo não é o título indicado para aqueles jogadores que frequentemente fazem “rage quit” dos videojogos. Adversidade é a palavra de ordem neste jogo e para ultrapassares obstáculos terás de aprender todas as nuances da extensa e até relativamente complexa mecânica de combate.

Senão vejamos, no início do jogo terás à tua disposição um grande número de armas, todas elas com um estilo de jogabilidade único sendo que deverás utilizar as que melhor se adaptam ao teu estilo de jogo. O sistema de combate é, como já referimos, extenso e complexo e a nossa primeira recomendação na eventualidade de nunca teres jogado um título deste “franchise”, é que faças os tutoriais e te familiarizes muito bem com as bases do jogo.

Se não aprenderes a usar correctamente esquivas e contra-ataques prepara-te para seres derrotado com muita frequência, aliás, mesmo que os saibas utilizar a tua vida nunca será fácil porque uma grande parte deste jogo consiste em “abraçar” a derrota e utilizá-la para descobrir o melhor caminho para a vitória.

Não te surpreendas se no início da aventura claudicares perante o primeiro inimigo mais poderoso que encontrares. Faz tudo parte da experiência e à medida que fores conhecendo o jogo, evoluindo as armas e subindo de nível vais descobrir novas maneiras de venceres e novos caminhos que te levarão ao teu destino.

Dito isto é verdade que “Nioh 2” pode estar longe de ser um jogo fácil, mas tal como qualquer outro título do género é altamente recompensador quando finalmente conseguimos derrotar um inimigo que à primeira vista parecia intransponível.

No PC “Nioh 2” é visualmente impressionante

Se há departamento no qual a versão do PC mais beneficia é sem dúvida alguma o grafismo. A única condicionante é que para tirares partido dos 120 FPS vais precisar de uma máquina de gaming moderna e relativamente poderosa e de um monitor que a acompanhe.

Aliás antes de adquirires este jogo certifica-te que cumpres os requisitos recomendados e que consegues pelo menos estabilidade em Full HD (1080p). Nós encontrámos alguns problemas de “performance” com pequenas quebras de “framerate” inexplicáveis mas que felizmente não afectam negativamente a experiência.

Há também o suporte para 4K Ultra-HD; suporte para Ultra Wide-Screen e para monitores HDR e 144 Hz. Mas tal como já referimos isto só é uma opção para “setups” de gaming robustos e que sejam capazes de garantir estes níveis de qualidade.

Na nossa opinião a “performance” alvo que devias procurar são os 60 FPS relativamente estáveis a 1080p, o que já garante uma experiência de qualidade considerável.

Esquecendo agora o departamento mais técnico, esta nova versão do PC é absolutamente fantástica e prepara-te para desfrutares de um jogo artisticamente sublime e que tenta reflectir o fascinante período Sengoku que foi uma das fases mais conturbadas e instáveis da história do Japão (obviamente com a adição do elemento de fantasia).

Tudo está muito bom, desde os cenários, passando pelos modelos das personagens e os efeitos de luz e as animações nunca desiludem. Um destaque especial vai para os “bosses” que são verdadeiramente espectaculares!

Difícil, por vezes imperdoável mas com uma jogabilidade à altura

Na nossa opinião, a qualidade de um jogo de ação resume-se inevitavelmente à forma como essa ação é implementada na experiência de jogo. Dentro deste género uma boa jogabilidade tem capacidade para suportar toda a experiência e eventualmente até “cobrir” falhas que possam existir noutros departamentos.

Num título como o “Nioh 2” a ação é sempre o foco de toda a experiência e a qualidade da jogabilidade está felizmente à altura. Tendo em conta que estamos perante um jogo de dificuldade elevada e que por vezes chega a ser imperdoável ao ponto em que um pequeno erro pode significar a “morte do artista”, seria de esperar que a jogabilidade fosse sólida, divertida e acima de tudo recompensadora.

Para teres uma ideia, nós temos à nossa disposição no início do jogo 11 tipos de armas por onde escolher, cada uma dela com a sua própria jogabilidade e “árvore de habilidades”! Há tanto para explorar neste departamento que no início da experiência nós dedicámos grande parte do nosso tempo a compreendermos as armas, a avaliarmos os seus pontos fortes e fracos e finalmente a decidirmos quais as que melhor se adaptam ao nosso estilo de combate.

Depois há o combate propriamente dito que no início requer aprendizagem e habituação. Um pequeno tutorial oferece as bases, no entanto é um mero vislumbre do que o combate neste jogo é capaz de oferecer.

O jogo faz um bom trabalho ao munir o jogador de informação valiosa nos primeiros estágios da aventura, mas cabe ao jogador explorar por si o sistema de combates e perceber como funciona a progressão e como ela pode ser determinante para tornar a experiência um pouco mais acessível num jogo que tem picos de dificuldade assinaláveis.

Para cada uma das armas disponíveis existe uma “árvore de habilidades” e para além disso a nossa própria personagem também possui uma. Com o desbloquear das habilidades nós fomos tendo acesso a novos movimentos (ataque; defesa; conta-ataque; esquiva etc…) e é a partir desse momento que se consegue compreender a beleza da complexidade do sistema de combate.

Por exemplo, mesmo no início da experiência nós encontrámos pela frente um inimigo gigante e aparentemente muito poderoso. Num primeiro confronto ele pareceu-nos simplesmente demasiado poderoso e presumimos que só o poderíamos enfrentar quando estivéssemos mais evoluídos. No entanto não demorou muito para percebermos que na realidade se tratava de um inimigo até bastante básico que pode ser derrotado mesmo nos primeiros estágios da aventura.

Mas verdade seja dita, pouco importa o poder do inimigo que estamos a defrontar, o que determina na maior parte das vezes a derrota são as nossas próprias falhas. Uma esquiva mal feita ou um contra-ataque mal calculado é o suficiente para sermos derrotados, não há muita margem para erros e até os inimigos mais fáceis podem tirar partido dessas falhas. Obviamente a progressão é uma ajuda preciosa e sobretudo quando temos à nossa disposição mais ataques sentimos alguma de protecção, no entanto o jogo faz sempre questão de nunca nos “dar a mão” mesmo quando julgamos estar no controlo.

Como já deu para perceber neste jogo a derrota faz parte da experiência e ela acontece com frequência e de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Apesar disso a frustração nunca atinge níveis muito altos, ou pelo menos tão altos como em outros títulos do género. Pelo contrário “Nioh 2” atenua a frustração oferecendo sempre alguma progressão nem que seja mínima e sobretudo porque a cada derrota vamos aprendendo mais e ficando mais perto da tão ambicionada vitória.

De resto também ajuda o facto de os confrontos serem na sua maioria épicos e a satisfação de executar golpes com as mais variadas armas ser elevada. Há uma suavidade notável nos combates, uma cadência natural numa filosofia em que a “pressa é inimiga da perfeição” e que surpreendentemente tornam os confrontos também cerebrais. É preciso controlar o cansaço, recuperar sempre que possível mas sem correr demasiados riscos e atacar nos momentos certos. É quase uma abordagem realista de combate que resulta na perfeição e é, na nossa opinião, um dos pontos fortes deste “franchise”.

Há no entanto um pequeno aspecto negativo na jogabilidade. Jogar com o setup “teclado + rato” não resulta numa experiência suave, o movimento com o rato é francamente mau e como tal é altamente recomendada, pelo menos nesta fase de lançamento, a utilização de um comando. Bem sabemos que este problema inicial não será bem recebido por jogadores que preferem o setup “teclado + rato” mas esperamos que em breve ele seja resolvido.

Curioso é também o facto da imagem do comando da Playstation ainda estar presente quando fomos configurar os controles, aliás permanecem também os ícones dos botões da Playstation mesmo quando se joga com um comando Xbox e escusado será dizer, é mais um detalhe que deve ser corrigido pela Team Ninja. Felizmente e pelo menos no que diz respeito à utilização do comando de Xbox, a jogabilidade não sofre com isso porque o comando é muito equivalente ao da Playstation e ninguém terá dificuldades para perceber os controles.

O sofrimento em cooperação é sempre divertido

Numa experiência de dificuldade elevada é sempre boa notícia quando podemos desfrutar da mesma com amigos. Partilhar o “sofrimento” não é uma má ideia e o modo de cooperação oferece aquela ajuda adicional preciosa especialmente quando estamos com dificuldade para ultrapassar uma missão mais complicada.

Mas “nem tudo são rosas”, mesmo em cooperação e com a ajuda de amigos as derrotas são inevitáveis e um desastre acontece quando menos se espera. Pior do que isso, se todos forem derrotados vão ter de começar a missão de novo.

Talvez seja uma boa ideia recrutares mais dois amigos que tenham interesse em jogar “Nioh 2” no PC porque a ajuda adicional faz a diferença e atenua a frustração perante as muitas derrotas, quanto mais não seja porque todos se riem e alguém arranja sempre um culpado. Mas apesar disso e na nossa opinião, a cooperação acaba por quebrar um pouco a imersão.

Embora seja uma experiência divertida com amigos, “Nioh 2” brilha mais quando um jogador sozinho enfrenta níveis de adversidade elevados e através da sua perseverança e engenho consegue ultrapassá-los.

São pequenos detalhes que em boa verdade não prejudicam a experiência, seja a solo ou em cooperação “Nioh 2” o jogo é uma aventura de grande qualidade e ao final do dia tudo se resume ao tipo de experiência que pretendemos.

Muito conteúdo na versão mais completa do jogo

A injecção de conteúdo desta versão que inclui todos os DLC’s do jogo garante uma longevidade significativa. São mais de 50 horas de jogo espalhadas através de 25 missões principais; mais de 100 missões secundárias e inimigos “para dar e vender”.

A inclusão dos DLC’s adiciona valor ao jogo e as melhorias no departamento visual também tornam esta edição na melhor versão do jogo até à data.

A versão remasterizada do jogo vai marcar também presença também na PS4 e PS5 com a consola da nova geração a permitir o upgrade da “Complete Edition” normal para a esta versão remasterizada por um valor reduzido (não deverá chegar a 2€).

A única desvantagem para jogadores de consolas é que na eventualidade de já terem explorado a “Complete Edition” até à exaustão, esta remasterização muito provavelmente não traz novidades suficientes para despertar o seu interesse.

Seja em que plataforma adquirires este jogo uma coisa é certa, ele proporciona uma das experiências mais intensas, difíceis, divertidas e recompensadoras dentro do seu género. No PC e sobretudo para os fãs dos jogos desafiantes e que gostam colocar as suas “skills” à prova, este jogo é uma compra obrigatória.

Última atualização: Fevereiro 5, 2021 às 09:16

Desafiante, divertido e recompensador

Esta nova versão remasterizada do Nioh 2 conserva todas as qualidades do jogo original e eleva ainda mais a experiência. As melhorias no departamento gráfico são bem vindas e a inclusão dos DLC's é uma excelente contribuição para a longevidade. Não é um jogo fácil e sobretudo não é uma experiência para desistentes, mas para quem gosta de um bom desafio e está preparado para aprender com as derrotas este jogo é definitivamente uma compra recomendada.

8.8
Recomendado (atenção que este é difícil!):
8.8

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

Adepto do ar livre e dos desportos radicais, nós nunca sabemos se no próximo fim-de-semana ele não irá longe demais, levando a equipa a ficar com um elemento a menos. Quer dizer, o exercício é uma coisa boa, mas quando isso envolve quedas de grandes alturas ou escaladas perigosas, talvez seja melhor ficar em casa a jogar videojogos.

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