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RUNGORE – Análise

RUNGORE

RUNGORE é na nossa opinião um jogo para #jogarerepetir mas o que faz deste jogo uma experiência assim tão recomendada? A resposta está nas linhas que se seguem.

RUNGORE é mais um daqueles jogos que fazem da abordagem simplista o seu ponto forte. Ele é uma aventura de batalhas em tempo real que vai buscar inspiração em títulos geniais como o “Slay The Spire” ou o “Loop Hero”.

Mas a abordagem dos “devs” de RUNGORE foi um pouco diferente. Eles decidiram seguir o caminho das batalhas automatizadas proporcionando desta forma uma experiência de jogo mais rápida e intensa do que o habitual para o género.

O jogo não é bem a experiência tradicional de combate por turnos até porque o combate ocorre automaticamente assim que damos de caras com o inimigo.

Durante os combates temos à nossa disposição cartas que nos auxiliam e é a sua boa utilização que determina o nosso sucesso.

Seguindo a lógica da “derrota como caminho para a progressão” RUNGORE testa não só as nossas habilidades estratégicas como também a nossa paciência.

Combate por turnos em tempo real de alta rotação

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RUNGORE é de facto uma espécie de jogo de combate por turnos em tempo real de alta rotação. Os inimigos sucedem-se uns atrás dos outros e só existem pausas para selecionarmos as cartas antes do próximo combate.

Entre estas pausas há tempo para pensar e elaborar uma estratégia. Desde cedo aprendemos que uma boa gestão das cartas que temos à disposição é fundamental para sermos bem sucedidos.

Não há restrições na utilização de cartas, podemos por exemplo, utilizar todas as cartas que temos à disposição num só inimigo. É claro que isso significa que contra os inimigos que se seguirem poderemos ficar mais desprotegidos e isso é meio caminho andado para sermos derrotados.

As batalhas geralmente processam-se de forma rápida quer nós estejamos do lado vencedor ou vencido. Inicialmente será necessário jogar, perder e voltar a repetir, mas com a progressão natural e o desbloqueio de armas mais poderosas, “upgrades” e novas personagens, as sessões tornam-se mais longas e vitoriosas.

Mesmo assim RUNGORE é um daqueles jogos em que a derrota faz parte da experiência e abre caminho à progressão. Ou seja, vais perder, repetir, perder e voltar a repetir para progredires.

Mas se por um lado a derrota é inevitável, pelo outro ela é muito menos frustrante do que com outros jogos do género. Isso acontece em parte devido à sua simplicidade e porque RUNGORE faz questão de não se levar muito sério.

O bom sentido de humor é uma das características de toda a experiência e isso adiciona alguma leveza às derrotas. Aliás, existem até momentos que as tornam, imagine-se, divertidas.

Por outro lado embora o tom humorístico do jogo esteja bem conseguido, a história é praticamente inexistente. Não é que isso seja um problema, até porque RUNGORE é daquelas experiências mais simples e imediatas que nós só queremos é jogar, porém um desenvolvimento, nem que fosse mínimo, da história só lhe teria feito bem.

A jogabilidade é simples e a simplicidade é a jogabilidade

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Já estabelecemos que RUNGORE é uma experiência imediata e que faz da simplicidade o seu ponto forte. Pois bem, a jogabilidade é precisamente uma extensão dessa lógica.

Podes jogar com um comando ou com o tradicional “setup” teclado+rato e em ambos os casos a experiência de jogo é virtualmente idêntica.

Na ação propriamente dita e como o combate decorre automaticamente, a nossa tarefa é utilizar cartas em tempo real enquanto decorre o combate.

As cartas oferecem todo o tipo de vantagens e até algumas desvantagens pelo meio. Umas traduzem-se em ataques mais poderosos; outras reforçam a defesa; existem algumas que marcam os inimigos para sofrerem mais dano e a lista é extensa.

Muitas cartas para jogar é sempre uma boa notícia e depois cabe-nos a nós fazermos uma boa gestão do que nos vai calhando à medida que vamos jogando.

Os inimigos são escolhidos aleatoriamente, isto significa que as sessões de jogo podem ser bem diferentes uma das outras. Numa determinada altura podemos encontrar inimigos mais acessíveis que facilitam a progressão, enquanto noutra sessão podemos encontrar sérias dificuldades.

A aventura começa com uma só personagem desbloqueada, o “Knight Guy”. Ele é acima de tudo uma personagem equilibrada que recupera energia após cada batalha e, com as cartas certas, é capaz de infligir toneladas de dano aos inimigos.

Ao “Knight Guy” vão juntando-se outras personagens num total de 15 cujo desbloqueio ocorre quando atingimos certos objetivos.

Cada personagem tem as suas características únicas, o que ajuda a oferecer ainda mais variedade à experiência de jogo.

O grafismo, a arte

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Visualmente RUNGORE é um jogo 2D, nada exigente no departamento gráfico e qualquer computador consegue corrê-lo.

O trabalho artístico reflete muito a temática humorística do jogo. Sejam os protagonistas ou os inimigos que vamos encontrando pelo caminho, todos foram desenhados com essa vertente humorística de um jogo que não se leva a sério.

Apesar disso é um trabalho artisticamente sólido e que tem a sua própria identidade visual, o que é excelente porque sempre ajuda a distingui-lo da concorrência.

Talvez os cenários de fundo pudessem ser mais trabalhados, contudo com a quantidade de ação frenética que se passa no ecrã, toda a nossa atenção acaba por estar mais no combate.

Os efeitos visuais também são decentes e algumas animações são surpreendentemente boas. Lá está, não é nenhuma obra de arte mas visualmente RUNGORE é o que se espera de um jogo que aposta na simplicidade.

Banda sonora e efeitos sonoros

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Uma jogabilidade simples, rápida e viciante só poderia resultar em pleno se fosse combinada com uma banda sonora e efeitos sonoros à altura.

A boa notícia é que eles são, a par da jogabilidade, dois pontos fortes de toda a experiência. As músicas transmitem a intensidade frenética e por vezes caótica da jogabilidade e os efeitos sonoros também.

Esta combinação de uma jogabilidade simples e divertida com efeitos sonoros e uma banda sonora que acompanha o ritmo do jogo, fazem de RUNGORE uma experiência deliciosamente viciante.

Assim que damos de caras com o inimigo a banda sonora faz questão de marcar a sua presença em grande e depois cabe-nos a nós, enquanto assistimos à pancadaria, fazermos uso das cartas que temos à disposição numa tentativa de ganharmos vantagem.

Não é a primeira nem será a última vez que vemos um jogo independente a saber aproveitar todo o potencial da parte sonora de uma experiência e, diga-se de passagem, RUNGORE é bem sucedido numa área onde, por vezes, até os jogos AAA falham redondamente.

A longevidade

RUNGORE tem qualidades importantes que ajudam a estender bastante a experiência de jogo. Ele sustenta-se numa jogabilidade simples e divertida e em combates rápidos e intensos que culminam numa experiência viciante.

Por “viciante” entenda-se, é um jogo que dá sempre vontade de voltar a jogar independentemente da nossa progressão no mesmo.

Cada sessão de jogo é uma festa, cada derrota inesperada é capaz de nos fazer gritar de frustração mas sempre com um sorriso nos lábios e, logo a seguir, lá estamos nós mais uma vez a tentar.

Há horas infindáveis de entretimento neste pequeno jogo e o seu preço acessível faz dele uma compra recomendada.

7.5 NOTA FINAL

Intenso, divertido e viciante

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RUNGORE é mais uma daquelas pérolas do mercado independente. Ele faz-se valer de um combate por turnos em tempo real intenso e frenético e suporta toda a experiência com uma jogabilidade simples e viciante. Não existem muitos jogos assim.


Jogabilidade 8
Grafismo 6
Banda sonora e efeitos sonoros 8
Longevidade 8
POSITIVOS
  • aleatoriedade
  • banda sonora
  • leveza
NEGATIVOS
  • história pouco desenvolvida
  • demasiado simplista para alguns jogadores

Última atualização: Maio 25, 2024 às 09:33

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Marcio Olival

O Márcio é uma das forças editoriais da Gaming Portugal, ele também faz um pouco de tudo mas a sua preferência reside nos artigos de opinião. Regra geral ele não é comedido nas palavras, porém em vez de optar pela dureza extrema ele prefere quase sempre pelo sentido de humor.

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Helder Sousa

Adepto do ar livre e dos desportos radicais, nós nunca sabemos se no próximo fim-de-semana ele não irá longe demais, levando a equipa a ficar com um elemento a menos. Quer dizer, o exercício é uma coisa boa, mas quando isso envolve quedas de grandes alturas ou escaladas perigosas, talvez seja melhor ficar em casa a jogar videojogos.

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