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SpellForce 3 Fallen God: Opinião

SpellForce 3: Fallen God é a expansão “standalone” do SpellForce 3 o que significa que não precisas de ter o jogo original para poderes desfrutar desta experiência. Esta expansão em particular traz consigo uma nova história protagonizada pelos “Trolls” que são a sexta facção do Universo SpellForce.

O que é interessante nesta nova expansão é que não é necessário jogar os títulos anteriores para se poder acompanhar a história. Ele é para todos os efeitos um jogo independente que faz uso das mecânicas de de jogo do SpellForce 3 que para quem não sabe é uma mistura de RPG com RTS.

No jogo nós vestimos a pele do chefe Akrog, o carismático líder de uma tribo de “trolls” nómada que tem um único objectivo: a sobrevivência. Com a sua tribo a ser assolada por ataques inimigos e pela doença, o chefe não tem uma tarefa fácil pela frente e toda a esperança parece estar quase perdida até que um enigmático “Elf” oferece um caminho para a salvação: ressuscitar um Deus.

A apresentação, a história e o “voice acting”

Regra geral um bom RPG suporta-se numa história sólida e SpellForce 3: Fallen God não desilude neste departamento. A épica história dos “trolls” apresenta-nos uma raça que curiosamente não é regida pela violência extrema ou ignorância, pelo contrário os “trolls” neste jogo são inteligentes e muito mais cerebrais do que nós estamos habituados a ver no mundo dos videojogos.

Para uma história de fantasia o enredo é bastante realista. Akrog acaba por “cair de paraquedas” na liderança da tribo e como consequência nem todos os membros confiam na sua liderança. Este cenário realista faz com que inevitavelmente tenhamos alguma simpatia por Akrog e ajuda a manter-nos investidos na história durante o jogo.

O “voice acting” é excelente, os “trolls” são inteligentes e usam um discurso complexo mas muito característico. Por exemplo durante conversas eles referem-se a si próprios frequentemente na terceira pessoa, para além disso são na sua grande parte, totalmente dedicados ao bem estar da tribo. Os seus diálogos são sempre interessantes e motivados por pensamentos inteligentes, as suas preocupações surpreendentemente humanas.

Tratando-se de um RPG nós esperávamos naturalmente uma história de qualidade, contudo não estávamos à espera que os “trolls” fossem representados com tanta lucidez e que fossem muito mais do que simples guerreiros sedentos por sangue. É refrescante, é envolvente e foi sem dúvida uma escolha fantástica por parte da equipa de desenvolvimento.

A história dos “trolls”, que nos é contada através da luta de Akrog, é interessante, inspiradora e comovente. Ingredientes mais do que suficientes para fazerem dela um dos elementos mais fortes deste jogo.

O grafismo

Tal como acontece com o SpellForce 3, também “Fallen God” é um “regalo para os olhos” e apesar de não existir propriamente uma grande evolução gráfica na expansão, há uma continuação do excelente trabalho da equipa de desenvolvimento neste departamento.

Os cenários são lindíssimos e o trabalho artístico tem uma qualidade acima da média. O jogo não é muito exigente mas nós recomendamos que ele seja jogado apenas em máquinas de gamas médias/altas porque nas gamas mais baixas a “performance” estará longe da ideal. Se estiveres interessado neste jogo então certifica-te que tens um computador capaz de cumprir os seus requisitos.

Os modelos das personagens também estão francamente bons, aliás basta fazer “zoom” para se perceber isso mesmo e as animações também têm uma qualidade acima da média. Visualmente “Fallen God” é um dos jogos mais bonitos dentro deste género que mistura RPG com RTS e isso ajuda a que a experiência se torne ainda mais envolvente.

No entanto para quem jogou o SpellForce 3 esta expansão “Fallen God” é o que se pode chamar de uma “continuação natural” que não inova no departamento gráfico mas mantém-se sólida e principalmente fiel ao “franchise”.

A jogabilidade

Um jogo que mistura RPG com RTS pode parece uma mistura estranha mas não o é de todo. Pelo contrário é uma “fórmula” que tem sido explorada com sucesso ao longo dos anos no mundo dos videojogos e “SpellForce” é um dos melhores “franchises” dentro do género.

A jogabilidade divide-se em duas mecânicas: o tradicional “point and click” que serve para movimentarmos as personagens e as mecânicas de “gestão de base” que consiste em reunir recursos, construir novas estruturas; expandir a base e tal como qualquer outro jogo de estratégia em tempo real, fazer crescer o exército para que ele seja capaz de vencer as forças inimigas.

Enquanto RPG “Fallen God” destaca-se pela força da sua história e enquanto RTS ele proporciona divertidas batalhas tácticas sem mergulhar demasiado na complexidade característica do género. Esta simplicidade ajuda a que a experiência seja acessível até para jogadores mais inexperientes nos jogos de estratégia em tempo real.

Já para os jogadores experientes não existem grandes surpresas, as mecânicas RTS de “Fallen God” são muito fáceis de perceber para quem conhece bem o género e ainda serão mais fáceis para quem jogou o SpellForce 3 porque é basicamente o mesmo jogo com uma nova história.

Porque este jogo é também um RPG nós temos acesso a um inventário (armas, equipamentos, recursos etc…), vamos evoluindo as personagens da nossa “party” e também existe algum “crafting”. Há por isso uma progressão no jogo que nos vai mantendo investidos ao longo de toda a campanha e é recompensadora especialmente quando sentimos o poder da nação “troll” a crescer.

Este jogo está longe de ser um RTS tradicional, pelo contrário são os elementos RPG têm um maior peso na experiência, sendo que grande parte dela consiste em ouvir muitos diálogos e assistir ao desenvolvimento da história.

Uma das grandes novidades é o modo de cooperação que suporta até dois jogadores e que te permite desfrutar da experiência com um amigo. É uma adição muito bem vinda especialmente para jogadores que têm acompanhado a série ao longo dos anos.

Para além da cooperação existe ainda o modo de multijogador que deverá satisfazer as necessidades dos jogadores de RTS que procuram por competição feroz. No entanto e porque a componente RTS é mais simplista em “Fallen God”, nós diríamos que para os jogadores que procuram por experiências puras de RTS com multijogador, este jogo não é uma boa alternativa.

Não nos interpretem mal, é bom que exista multijogador, mas no nosso caso pessoal não encontrámos razões para voltarmos a ele depois de completarmos a campanha.

A experiência, a jornada o RPG

Como já referimos anteriormente, “SpellForce 3: Fallen God” conta com uma história robusta, uma história recheada de personagens com personalidade e que têm sempre algo para dizer. Os diálogos são muitos e por vezes longos e grande parte da experiência é precisamente ir conhecendo a história dos “trolls” e de todo o mundo que os rodeia.

É de facto uma história fascinante e nesta medida “Fallen God” cumpre o seu papel enquanto expansão porque quanto mais não seja, expande muito a história. Apesar disso também é verdade que tecnicamente não estamos perante uma evolução fantástica, porém talvez isso fosse demasiada exigência para uma simples expansão.

A realidade é que este jogo é muito mais um RPG com elementos RTS do que o contrário. A estratégia é sólida mas simplista, alguns momentos (como por exemplo quando começamos pela primeira vez a expandirmos uma base para criarmos um exército) são divertidos mas não há nada de novo ou surpreendente neste departamento.

Por outras palavras, se este jogo fosse apenas um RTS ele seria bastante mediano e não é boa ideia pensar em comprá-lo com a estratégia em mente, a não ser que tu sejas daqueles jogadores que é um grande fã do Universo SpellForce.

O segredo deste jogo está mesmo na boa conjugação dos elementos, quando a estratégia não chega para nos satisfazer, eis que uma evolução na história nos deixa investidos. Quando já estamos cansados dos diálogos e da progressão mais vagarosa, eis que chega a estratégia e podemos criar um exército demolidor. O balanceamento entre este dois elementos está bem conseguido e faz com que “Fallen God” seja não só uma excelente expansão como um excelente jogo “standalone”.

Uma excelente mistura entre um RPG e um RTS

SpellForce 3: Fallen God não só é uma boa expansão como um excelente videojogo que conta com uma história envolvente. Sem revolucionar "Fallen God" é uma boa alternativa para quem gosta do género e um título obrigatório para os grandes fãs do Universo SpellForce.

8.7
Recomendado:
8.7

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

O Figueiras é um elemento fundamental da Gaming Portugal e a figura mais respeitada da equipa. A sua vida atarefada impede-o de acumular uma posição de maior destaque, embora mesmo se tivesse essa oportunidade o mais certo era ele recusá-la. A sua participação na Gaming Portugal é motivada principalmente pelo gosto por gaming e dá-lhe um prazer especial saber que nesta casa a “independência” é uma característica definidora.

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