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Super Meat Boy Forever: Opinião

O Super Meat Boy original mostrou-nos que o género de plataformas 2D não só estava bem de saúde como nunca foi tão divertido e desafiante. Super Meat Boy Forever é a muito aguardada sequela de um dos mais aclamados jogos independentes de todos os tempos, mas será que está à altura do seu antecessor?

O género de plataformas 2D continua tão relevante como sempre foi e a série “Super Meat Boy” é um exemplo perfeito de como mecânicas de jogabilidade simples podem resultar em experiências divertidas e desafiantes. Super Meat Boy Forever é a muito esperada sequela que surge no mercado com a tarefa de elevar ainda mais a experiência.

Não é uma tarefa fácil, o “Super Meat Boy” original é um dos jogos independentes mais bem sucedidos e aclamados de sempre. O primeiro jogo destaca-se pela sua jogabilidade precisa e exigente na qual o mínimo deslize é sinónimo de morte. É um daqueles jogos em que a derrota faz parte da experiência e, como seria de esperar, Super Meat Boy Forever não é muito diferente.

Uma história de carne

A história neste segundo jogo continua simples e recheada de sentido de humor. Já passaram alguns anos depois da primeira aventura e Meat Boy e Bandage Girl são agora pais de um menino chamado Nugget.

Pois bem, Nugget acaba raptado pelo sinistro Dr. Fetus (que também está de volta) e esta é a desculpa perfeita para dar início a uma nova aventura. Agora Meat Boy e Bandage Girl vão ter de correr freneticamente e ultrapassar todo o tipo de obstáculos para tentarem salvar o seu “filhote”.

Tal como acontece com o primeiro jogo, também “Forever” é uma história divertida de perseguição constante. Apesar da simplicidade na apresentação há uma preocupação em manter a história consistente, um pequeno pormenor para um jogo no qual este departamento está longe de ser o mais importante, contudo é com esta atenção aos “pequenos pormenores” que se constrói “franchises” de sucesso.

Para quem jogou o primeiro título o registo da história é semelhante nesta nova aventura e existem momentos hilariantes que servem para atenuar ligeiramente as alturas de maiores frustração (porque existem muitas!).

Um visual de carne

Super Meat Boy Forever mantém-se fiel ao seu antecessor no departamento gráfico na medida em que continua a ser um jogo de plataformas 2D. Porém a realidade é que “Forever” é bem superior ao primeiro jogo neste departamento com um trabalho artístico, cenários e animações mais detalhas.

O Meat Boy e a Bandage Girl têm agora mais personalidade e de certa forma o jogo enquadra-se bem nesta nova era do 2D adaptado às mais altas resoluções. Artisticamente esta sequela conserva o estilo visual do jogo original, mas claro, eleva-o de acordo com os padrões da actualidade.

Os artistas continuam neste segundo jogo a expressarem visualmente o sentido de humor de toda a história num visual que navega a deliciosa fronteira entre o patético e o absurdo.

Foram muitos os momentos em que sorrimos com as “cutscenes”.

Afinal de contas estamos a falar de um jogo em que o principal protagonista não é mais do que um pedaço de carne com vida!

Um som de carne

A banda sonora bem como os efeitos sonoros estão ao mais alto nível. Tal como acontece no primeiro jogo a banda sonora transmite a intensidade da experiência e por vezes a loucura com que nos deparamos e que só a repetição consegue oferecer um vislumbre de uma solução.

Os efeitos sonoros também estão ao nível do primeiro jogo com destaque para o som que o pedaço de carne (o Meat Boy) faz quando é triturado por todo o tipo de mecanismos. É divertido, é hilariante e deliciosamente imperdoável e sim, também pode ser muito irritante.

No geral o departamento do som não desilude.

A nova e potencialmente controversa mecânica de jogabilidade

Uma das grandes diferenças entre Super Meat Boy Forever o o seu antecessor prende-se com a jogabilidade. No primeiro jogo nós temos o controle total do Meat Boy, podemos mudar de direcção e acelerar ou abrandar na procura da melhor estratégia. É o que se pode chamar da experiência tradicional dentro do género de plataformas 2D.

Já em Super Meat Boy Forever nós temos um menor controle sobre a personagem porque não conseguimos parar a sua corrida frenética. Ou seja, a personagem está permanentemente a correr (para a direita) e cabe-nos a nós “guiá-la” por entre os obstáculos.

Más línguas diriam que há uma vibe ao estilo dos jogos “mobile” e o facto de o jogo até ter sido anunciado inicialmente como uma experiência exclusiva para telemóveis não ajuda. No entanto a realidade é que uma mudança de curso virou o foco para as consolas e o PC e muito embora o jogo tenha esta particularidade da corrida ininterrupta, a equipa de desenvolvimento assegura que ele foi criado a pensar nas grandes plataformas.

Há de facto menos controle e é inegável que em “Forever” a jogabilidade foi ainda mais “despida” de complexidade. Agora ela resume-se a dois botões e à nossa disposição temos: um salto; um ataque em salto; uma espécie de mergulho de ataque e um deslize de ataque. Sim, é assim tão simples.

Mas esta nova simplicidade é negativa?

A resposta a esta pergunta é subjectiva e vai depender muito dos gostos de cada um. Nós acreditamos que alguns jogadores vão encarar esta corrida ininterrupta como um verdadeiro “murro no estômago” e muito provavelmente os grandes fãs do primeiro jogo serão aqueles que vão reagir pior.

No nosso caso particular não somos grandes fãs da sensação de não conseguirmos parar a corrida da personagem de forma nenhuma. Para nós não é uma sensação positiva e muito embora não anule o prazer da experiência de jogo, acaba por ter um efeito negativo na nossa opinião.

Não é que a dificuldade sofra muito com isso porque Super Meat Boy Forever é tão difícil como o primeiro jogo muito por força da criação aleatória de níveis que oferecem uma dose saudável de imprevisibilidade. Mas a realidade é que há um prazer especial quando conseguimos ultrapassar dificuldades enquanto temos controle total das nossas acções e a corrida ininterrupta retira-nos um pouco desse prazer.

Temos de ser honestos e reconhecer que aquando do anúncio da sequela do “Meat Boy” ambos esperámos que o jogo se mantivesse “colado” à experiência original e que recebesse um “upgrade” gráfico bem como uma enorme injecção de conteúdo. Ou seja, esperávamos “mais do mesmo” e acreditávamos na altura que isso seria mais do que suficiente. Verdade seja dita, ainda hoje acreditamos que seria o suficiente.

O problema com o Super Meat Boy Forever é que ele é “mais do mesmo mas com menos controle” e voltamos a repetir, corre o risco de ser uma valente desilusão para quem jogou e gostou do primeiro jogo.

Ok, mas a jogabilidade é divertida?

Sim. Embora a corrida ininterrupta tenha retirado algum encanto à experiência de jogo quando comparada com o seu antecessor, Super Meat Boy Forever é de facto uma experiência divertida, desafiante e que inclusive chega a ser mais difícil do que o primeiro jogo.

Os momentos de irritação extrema são muitos e as mortes sucessivas uma certeza, mas faz tudo parte do processo. Há o clássico respirar de alívio quando conseguimos ultrapassar um obstáculo que parecia impossível só para alguns segundos depois ele ser substituído por uma respiração ofegante de quem está prestes a atirar o comando para o chão. Por vezes pode demorar até encontrarmos uma saída e é sempre uma surpresa agradável quando percebemos que a solução é infinitamente mais simples do que pensávamos.

Há genialidade na simplicidade e Super Meat Boy Forever transporta-nos numa viagem de dificuldade extrema na qual a execução perfeita e o nosso próprio intelecto têm de trabalhar em conjunto para sermos bem sucedidos.

Finalmente e depois de o completarmos podemos voltar a jogá-lo com níveis completamente diferentes. A cada nova sessão a criação aleatória de níveis encarrega-se de tornar o jogo “fresco” e oferece uma motivação extra para continuarmos a jogá-lo.

Infelizmente temos de confessar que no nosso caso particular depois de completarmos o Super Meat Boy Forever ficámos com mais vontade de voltarmos a jogar o seu antecessor do que propriamente este novo jogo.

Não queremos ser injustos

A corrida ininterrupta é o nosso único problema com o Super Meat Boy Forever mas é importante deixar claro mais uma vez que isso depende muito dos gostos pessoais de cada um e no fundo essa é a nossa única queixa.

Em tudo o resto Super Meat Boy Forever é um jogo francamente bom e que é mais do que capaz de satisfazer as necessidades dos jogadores de plataformas que procuram por experiências desafiantes. Tal como o seu antecessor ele também é um jogo muito bom para as célebres “speedruns” e talvez ainda mais desafiante devido à criação aleatória de níveis a cada nova sessão.

Também é verdade que ele não é nem de longe nem de perto um título tão surpreendente ou genial como o seu antecessor, mas lá está, o primeiro Super Meat Boy foi lançado há 10 anos atrás num mercado completamente diferente e que hoje em dia não tem falta de experiências do género.

Mesmo assim nós acreditamos que Super Meat Boy Forever é um jogo à altura do seu antecessor e que em grande parte conserva todas as qualidades que catapultaram o primeiro jogo para o sucesso.

O homem de carne continua a ter um talento especial para morrer

Super Meat Boy Forever é uma experiência divertida e acima de tudo desafiante. A corrida ininterrupta é uma espécie de desilusão mas em tudo o resto o jogo é uma boa adição ao "franchise" e poucas experiências no mercado são capazes de igualar o seu ritmo intenso e frenético mas também altamente recompensador e viciante.

7
Reconmendado:
7

O Figueiras é um elemento fundamental da Gaming Portugal e a figura mais respeitada da equipa. A sua vida atarefada impede-o de acumular uma posição de maior destaque, embora mesmo se tivesse essa oportunidade o mais certo era ele recusá-la. A sua participação na Gaming Portugal é motivada principalmente pelo gosto por gaming e dá-lhe um prazer especial saber que nesta casa a “independência” é uma característica definidora.

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

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