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The Falconeer: Opinião

Em The Falconeer nós vestimos a pele de um falcoeiro e viajamos pelos céus nas costas de um pássaro de guerra com um poder de fogo considerável. Este jogo é uma interessante experiência de mundo aberto mas será que tem o que é preciso para conquistar os céus, e mais importante, conquistar os jogadores?

The Falconeer é uma abordagem interessante ao género de aviação que apesar de não ser propriamente uma novidade, faz-se valer de alguns conceitos originais suportados por uma experiência que tem como base a simplicidade.

No jogo nós vestimos a pele de falcoeiros que basicamente sobem para as costas de pássaros gigantes e realizam todo o tipo de missões enquanto voam pelos céus.

O início da aventura e a história

Uma área de “tutorial” encarrega-se de nos explicar as mecânicas de jogabilidade de “The Falconeer”. Este não é de todo um jogo complicado, pelo contrário os controles são muito simples e é altamente recomendada a utilização de um comando na versão do PC (ou até um Joystick para os mais finos…). Para além de podermos obviamente voar com o nosso pássaro, também podemos atacar inimigos com as armas que temos à disposição e realizar várias manobras de diversão.

A área de “tutorial” também funciona como o início da aventura. A apresentação da história é boa e serve para nos dar a conhecer este mundo peculiar composto por muitas ilhas e no qual os humanos viajam nas costas de pássaros.

No “tutorial” nós controlamos um recruta e temos de realizar os testes para “falconeer” que consistem na realização de manobras e combates aéreos. É também neste “tutorial” que nós percebemos que o mundo se encontra dividido por diversas facções e que os inimigos estão sempre à espreita.

A história é muito interessante não só porque é bem apresentada mas também porque o cenário de fundo no qual ela decorre é fascinante. E se é verdade que muito provavelmente “The Falconeer” talvez não vá ser recordado num futuro próximo pela força da sua história, também é verdade que este é um departamento que cumpre bem o seu papel ao longo de toda a aventura e contribui para a envolvência da experiência.

O grafismo e a arte

Graficamente “The Falconeer” é um trabalho de grande qualidade não só na parte técnica como também na parte artística. O jogo é visualmente um regalo para os olhos, o que é impressionante se tivermos em conta que estamos perante mais um daqueles títulos independentes criados por uma só pessoa.

Foram necessários vários anos para “The Falconeer” ganhar forma, um projecto de paixão para Tomas Sala (criador) tornado possível pelo versátil motor gráfico Unity. O jogo é o culminar de muito trabalho e visualmente o resultado final não poderia ser melhor, o mundo de “The Falconeer” é vibrante e tudo desde os pássaros, passando pelos cenários e detalhes como as tempestades ou até o vento foram traduzidos com mestria para o mundo virtual.

Aliás não é por acaso que uma das coisas que nós mais gostamos de fazer neste jogo é de voar livremente pelo mundo. É verdade que o mundo está na sua maior parte coberto de água, mas mesmo assim é uma experiência muito relaxante.

Não se trata de potência gráfica mas antes de “potência” artística, que é como quem diz, a arte neste jogo é absolutamente fantástica e confere-lhe um visual único dentro do género de jogos de aviação. Aliás já que escrevemos sobre aviação, é importante esclarecer que “The Falconeer” não é um simulador de aviação e se é isso que procuras podes parar de ler esta opinião por aqui.

No PC será possível jogar este título até em computadores de gamas mais baixas porque apesar de ele ser uma experiência visualmente deslumbrante, não é um jogo muito exigente. Para isso contribui muito o Unity, um motor gráfico que permite fazer muito, exigindo muito pouco das máquinas de gaming.

A jogabilidade é simples, relaxante mas podia ser mais qualquer coisa…

Simplicidade é a palavra que melhor descreve a experiência de jogabilidade deste jogo. Estamos perante uma experiência tradicional de aviação, a grande diferença é que controlamos um pássaro que possui mais mobilidade do que um avião que costuma ser a presença mais frequente neste tipo de jogo. Também é uma experiência muito mais simples do que o simulador de aviação visto não se tratar de um jogo de simulação.

É importante informar que só faz sentido desfrutar desta experiência no PC com um comando. Se porventura não tens um comando será infinitamente mais difícil tirares partido de tudo o que ele tem para oferecer. Nós recomendamos a utilização do comando oficial de Xbox para o PC que é de longe um dos melhores comandos para a plataforma.

Voltando ao tutorial, foi lá que nos aprendemos as mecânicas de jogo e no fundo são estas mesmas mecânicas que se “carrega” ao longo de toda a experiência. Voar é simples mas altamente recompensador, já os combates aéreos também são simples mas não tão recompensadores. A nossa arma principal é no mínimo atroz e não tem o “peso” da arma de fogo destruidora que é suposto ser e embora alguns combates sejam intensos, a simplicidade do jogo não permite assim tanta variedade.

Os disparos processam-se naquela mecânica habitual (em jogos de aviação) em que temos de disparar ligeiramente para a frente do inimigo de forma a que o possamos atingir em cheio mesmo que ele se encontre a realizar manobras de diversão.

Nas missões de história temos um companheiro que nos vai ajudando nos combates. É de facto uma ajuda bem vinda porque embora “The Falconner” não seja o que podemos chamar de “jogo difícil”, ele tem os seus momentos e por vezes é muito fácil (talvez demasiado fácil) sermos abatidos pelas forças inimigas. Não é um problema no nosso caso até porque nós por cá gostamos de um pouco de dificuldade.

A simplicidade é que é um “pau de dois bicos”, por um lado o controle do pássaro é fenomenal e voar livremente é uma experiência recompensadora, pelo outro quando chegam os combates nós ficamos com a sensação de que um pouco mais de variedade não teria sido má ideia.

O mundo aberto, a exploração

Nós sabemos que o “The Falconeer” descreve-se como sendo um jogo de mundo aberto mas não é bem isso que acontece. Ele é mais um jogo de áreas abertas, ou seja, existe um mundo e por sua vez esse mundo está dividido em capítulos que correspondem às tais áreas abertas que podem ser exploradas livremente. Isto quer dizer que depois de aventura começar nós não vagueamos livremente pelo mundo mas sim pela área (ou capitulo) em que decidimos jogar.

Não deixa de ser uma mecânica de jogo de “mundo aberto” mas não oferece a mesma liberdade do que um jogo que é de facto 100% mundo aberto. Este pequeno detalhe não tem no entanto qualquer impacto na experiência até porque as áreas para explorar são extensas.

Como nós voamos neste jogo faz sentido que as áreas abertas à exploração sejam enormes, até porque um pássaro consegue cobrir grandes distâncias rapidamente. E se por um lado as áreas são grandes e isso é muito bom, pelo outro a grande verdade é que não existe assim tanto para explorar.

O mundo é composto por uma grande percentagem de água com ilhas e barcos pelo meio. As ilhas têm dimensões variadas, muitas são grandes e albergam facções diversas, outras são pequenas e a sua existência pode ser atribuída à beleza estética.

Que não restem dúvidas de que nós podemos voar livremente numa experiência que “roça” a terapêutica, mas o que há para fazer torna-se repetitivo demasiado rápido e apesar da história ser interessante, não há muito mais para além dela a não ser missões secundárias que oferecem pouco à experiência.

Mais uma vez precisamos de ter em conta as limitações de um jogo que foi desenvolvido por uma só pessoa. Não queremos ser injustamente exigentes com o jogo quando sabemos bem que os recursos à disposição durante o seu desenvolvimento não devem ter sido muitos. No entanto compete-nos informar que embora não tenhamos ficado desiludidos com a escala do mundo aberto e a exploração, acreditamos que só vai dedicar horas infindáveis a este jogo quem realmente se “apaixonar” pela jogabilidade.

Uma pequena nota para o som e a banda sonora

Grande parte da experiência relaxante, contemplativa e quase terapêutica de “The Falconeer” deve-se também ao excelente trabalho realizado no departamento do som. A banda sonora é fantástica e enquadra-se na perfeição com as frequentes viagens aéreas que fazemos no jogo. O som do vento e até o som do mar estão bem conseguidos e contribuem para a experiência super-atmosférica.

Esquecendo o som atroz da arma principal que mais parece uma arma de brinquedo, tudo o resto do ponto de vista sonoro contribui para elevar a experiência.

Mas será que vale a pena a compra?

Tecnicamente “The Falconeer” é um jogo sólido, com uma história interessante e robusta e uma jogabilidade que apesar de simples é recompensadora. Ele também é visualmente imponente devido a um trabalho artístico de qualidade e a um dos motores gráficos mais versáteis disponíveis no mercado. Atendendo a que se trata de um jogo que foi desenvolvido por uma só pessoa, é de facto um trabalho impressionante e acima da média para o mercado de jogos independentes.

Dito isto, “The Falconeer” está longe de ser perfeito, as missões tornam-se repetitivas e para além do modo de história as missões secundárias são na sua generalidade pouco memoráveis. Sim controlar um pássaro pelos ares é muito divertido, mas na nossa opinião falta um pouco mais de variedade aos combates e voar num enorme espaço aberto até pode ser relaxante mas não chega para este jogo “alcançar voos mais altos”.

Divertido e com toques de originalidade

Uma história robusta, visuais belíssimos e uma jogabilidade sólida e recompensadora fazem deste título uma escolha interessante para quem procura por experiências mais "fora da caixa". The Falconeer pode ter os seus problemas mas ao final do dia é uma experiência divertida e recomendada.

7.4
Recomendado:
7.4

Adepto do ar livre e dos desportos radicais, nós nunca sabemos se no próximo fim-de-semana ele não irá longe demais, levando a equipa a ficar com um elemento a menos. Quer dizer, o exercício é uma coisa boa, mas quando isso envolve quedas de grandes alturas ou escaladas perigosas, talvez seja melhor ficar em casa a jogar videojogos.

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

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