PC Reviews

Secrets of Grindea – Análise

blank

No review found!

Secrets of Grindea é um pequeno videojogo independente que tem uma longa história de desenvolvimento e que foi finalmente lançado no passado dia 29 de Fevereiro. Mas será que a sua versão final tem o que é preciso para se destacar dentro de um género tão exigente como o RPG?

Com vários anos de desenvolvimento Secrets of Grindea está longe de ser uma novidade no mundo dos videojogos. Aliás há jogadores que acompanharam durante mais de uma década o seu desenvolvimento. E sim, eu não me enganei a escrever, este jogo esteve uns impressionantes 13 anos em desenvolvimento!

Em “acesso antecipado” deu para perceber que ele tinha potencial. Mas o desenvolvimento de projetos independentes pode ser moroso e muitos deles até caem no “limbo do acesso antecipado” sem nunca de lá saírem.

Felizmente não foi isso que aconteceu com este jogo, que demorou até ser lançado oficialmente, mas hoje está completo e disponível a um preço “amigo” da carteira.

13 anos depois…

blank

No papel eu diria que Secrets of Grindea tinha tudo para ser apenas “mais um RPG” modesto, inspirado em clássicos de um passado cada vez mais distante e pouco memorável. Mas neste caso particular o longo período de desenvolvimento talvez tenha sido, imagine-se, uma vantagem.

Os jogadores foram tendo a oportunidade de irem conhecendo o jogo e de partilharem o seu “feedback” sobre o mesmo. À medida que o tempo foi passando Secrets of Grindea foi despertando o interesse de jogadores que o identificaram como um daqueles “projetos de paixão” que tinha potencial para contrariar todas as previsões.

Passados 13 anos Teddy Sjöström (programação) Fred Ström (animações) e Vilya Svensson (arte) anunciaram que o seu pequeno jogo seria lançado. Por esta altura todos os jogadores que acompanharam religiosamente o seu desenvolvimento estavam eufóricos com a chegada da versão final. Para a pequena equipa de desenvolvimento talvez tenha sido o ponto mais alto da sua carreira desde que se conheceram enquanto estudantes de design.

Eu não sabia bem o que esperar de um jogo que esteve em desenvolvimento tanto tempo. Por um lado acreditava que o “feedback” da comunidade com toda a certeza ajudaria a equipa de desenvolvimento a polir o jogo até à exaustão, pelo outro sabia que na eventualidade de que algo corresse mal, como uma experiência que não correspondesse às expectativas, havia a possibilidade real de ele cair no esquecimento.

A boa notícia é que tudo correu às mil maravilhas. Secrets of Grindea foi lançado com a força de uma comunidade que acreditou no jogo desde o primeiro dia e é, arrisco-me a escrever, tudo aquilo e muito mais pelo qual os jogadores esperavam, ou melhor, que eu esperava.

Um jogo sólido; muitas áreas para explorar; “bosses” que testam a nossa resiliência; uma história divertida; muita costumização e um RPG que é precisamente aquilo que pretende ser.

Visual retro, belíssima arte e animações de qualidade

blank

Secrets of Grindea traz consigo nostalgia visual na medida em que relembra aqueles RPG’s 2D do passado que basicamente foram responsáveis pela enorme popularidade do género RPG desde a sua conceção até aos nossos dias. Apesar desta sua aparente simplicidade visual, estamos perante um trabalho de qualidade neste departamento que não só faz um excelente trabalho a relembrar o mágico RPG de duas dimensões, como o adapta a esta nova geração.

O resultado final é um trabalho de grande qualidade, um jogo recheado de cores e pequenos detalhes que se destaca por uma arte belíssima e animações também elas de grande qualidade. O Fred Ström (animações) e Vilya Svensson (arte) têm todas as razões para estarem satisfeitos porque foram capazes de conferir a Secrets of Grindea uma identidade visual única.

Os cenários, as personagens que vamos encontrado pelo caminho e até as mais pequenas animações são de uma qualidade acima da média para o género. Nota-se que há muito amor e dedicação neste projeto e com um período de desenvolvimento tão longo, confesso que não esperava menos.

Dentro das limitações óbvias do 2D está aqui um trabalho muito sólido e que a mim me conquistou visualmente a partir dos primeiros momentos em que comecei e jogar e foi-me deixando mais satisfeito à medida que ia progredindo e explorando novas áreas, conhecendo novas personagens e inimigos.

A jogabilidade

blank

As mecânicas de jogabilidade digamos que têm duas faces, por um lado elas são relativamente simples e fáceis de se perceber, pelo outro é necessário ter em conta as diferentes habilidades que temos à disposição e a sua utilização em combate é particularmente útil nos momentos em que o nível de dificuldade aumenta, como por exemplo, nas batalhas contra os “bosses”.

Quero com isto dizer que a jogabilidade será afetada pelas nossas escolhas na progressão.  pelas habilidades que selecionamos e também o tipo de armas que optamos por utilizar. Alguns jogadores certamente vão escolher o combate corpo-a-corpo com ataques mais próximos e potencialmente devastadores mas arriscados, enquanto outros optarão por utilizar habilidades mágicas misturadas com um maior número de ataques à distância.

Aliás um dos pontos fortes deste jogo é a inexistência de classes, que é como quem diz, os jogadores definem a sua própria classe de acordo com os seus gostos à medida que vão jogando. Para garantir isso a equipa de desenvolvimento disponibilizou um grande número de armas e equipamentos bem como 31 habilidades mágicas através de 9 categorias.

Como qualquer outro RPG digno desse nome também em Secrets of Grindea precisamos de armar e equipar a nossa personagem da melhor maneira possível. Isso pode ser feito através da realização de “quests” e de exploração. A minha recomendação é que, sempre que possível, faças as “quests” secundárias (para além das principais), porque essas não só te podem dar equipamento como garantem experiência que te vai ajudar a subir de nível mais rápido e a melhorares a tua personagem.

blank

Para além do combate existe muito conteúdo extra no jogo como a possibilidade de construíres a tua própria casa; a pesca; “crafting”; domesticação de animais; mini-jogos; puzzles e mais. Estes elementos adicionam valor à experiência e alguns deles também ajudam a progredir mais rápido. O jogo oferece variedade que é bem vinda especialmente naqueles momentos em que fazemos uma pausa de “quests” e só queremos explorar.

O combate é simples, há um botão para atacar com a arma equipada; um botão para defender com o escudo equipado; um botão para utilizar poções e depois cabe-nos a nós equiparmos as habilidades à nossa maneira. Apesar da simplicidade a utilização de habilidades em combate pode requerer alguma habituação a jogadores menos habituados a este tipo de jogo.

E por “falar” em jogadores que não jogam muitos RPG’s, Secrets of Grindea é um título excelente para aqueles que só agora começaram a explorar o género. É verdade que a jogabilidade tem os seus desafios (já lá vamos) mas até para o jogador inexperiente não será muito difícil adaptar-se de depois desfrutar de se habituar às mecânicas de jogo.

Escrevi que “a jogabilidade tem os seus desafios” porque há momentos em que o nível de dificuldade sobe inesperadamente. Secrets of Grindea à primeira vista parece fácil, mas as aparências iludem e até em batalhas contra inimigos de pequeno calibre as personagens impreparadas podem sucumbir. Vou mais longe e na minha experiência pessoal, ser derrotado neste jogo nem sequer é assim tão difícil e para isso em muito contribuem as batalhas épicas contra os bosses.

As batalhas com os “bosses” são simultaneamente momentos memoráveis e de frustração. Isso acontece porque cada “boss” tem os seus próprios ataques e movimentos, o que se revela desafiante ao longo de vários encontros. Só a partir do momento em que passamos a reconhecer os seus padrões é que começamos a vislumbrar uma vitória, mesmo assim e dependendo do “boss” que estivermos a defrontar, pequenos erros são na maior parte das vezes punidos com derrotas frustrantes.

A frustração e até a repetição não me incomoda, pelo contrário é divertida e torna o momento da vitória mais recompensador. Fica no entanto o aviso para os jogadores com menos paciência do que eu.

A qualidade da história, a banda sonora e efeitos sonoros

blank

Num RPG a história deve ser obrigatoriamente um ponto sólido e em Secrets of Grindea é isso que acontece. O mundo é grande e composto por mais de 300 personagens, existem diálogos para “dar e vender” e muitas histórias e mini-histórias secundárias para além da história principal.

A melhor forma de desfrutar esta experiência é através de exploração e tentar não ignorar as “quests” secundárias, porque elas também têm muita informação sobre o mundo que nos rodeia. Desde o momento em que damos os primeiros passos na pele de um jovem herói que ambiciona tornar-se um “Collector”, a história adiciona à imersão e houve alturas em que nem dei conta do tempo a passar.

Dito isto, também tenho de reconhecer que apesar de ter qualidade, não é uma história robusta ou elaborada como acontece num RPG de grande orçamento, isso nem seria possível. Pelo contrário, neste jogo a história é simples e faz questão de não se levar muito a sério, algumas personagens são um pouco “tolas” e o bom sentido de humor é uma constante durante toda a experiência.

Outra boa notícia é que se és daqueles jogadores que não tem paciência para ler diálogos, a simplicidade da história garante que nunca perdes o “fio à meada” mesmo que ignores a maior parte. Eu não o recomendo, mas cada um joga como quer.

Já no que diz respeito à banda sonora, ela também não fica atrás da história e complementa bem toda a experiência. Quanto aos efeitos sonoros, eles foram uma agradável surpresa e são de uma qualidade acima da média. Todos os pequenos sons, quer seja a nossa personagem a caminhar; os ataques especiais; desferir golpes simples com as armas; destruir objetos e até apanhar o dinheiro e o “loot” dos inimigos que acabámos de derrotar, estão muito bem concebidos.

Há uma qualidade viciante em toda a experiência de jogo que é fruto da sua qualidade geral mas é, na minha opinião, potenciada pelos efeitos sonoros.

A cooperação e o modo arcade

blank

Há dois elementos interessantes neste jogo, o primeiro é um modo de cooperação online que suporta até 4 jogadores. Como é óbvio a cooperação é sempre bem vinda neste tipo de jogos e com amigos a experiência ganha uma nova dimensão. No entanto com o divertimento extra também chega bastante caos e muito menos imersão do que quando estamos a jogar sozinhos.

O outro elemento interessante é o “modo arcade” que transforma o jogo num “rogue-like” através do qual nós podemos batalhar em áreas geradas aleatoriamente, derrotar inimigos, receber “loot” e construir uma cidade à medida que progredimos.

É acima de tudo um modo interessante quando acabamos a história e queremos continuar a jogar e a ter um propósito. Nesta medida ele adiciona mais alguma longevidade a uma experiência que, na melhor das hipóteses, não supera as 18 a 20 horas, um pouco menos para aqueles que se limitarem unicamente à história principal.

Com a cooperação e o modo arcade a adição de muitas horas extra de divertimento está garantida e é bom perceber que a equipa de desenvolvimento pensou além da experiência base.

Última atualização: Março 21, 2024 às 09:24

blank
Helio Costa

O nosso editor-chefe. encarrega-se de gerir toda a equipa. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *