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Overwatch e as Malditas Estrelinhas do Vício

Overwatch

Overwatch é simultaneamente um dos meus jogos preferidos e um dos jogos que eu mais odeio. É dificil de acreditar?

Eu acho que não, até porque na minha opinião (que vale o que vale) todos nós jogadores acabamos por ter uma relação de amor/ódio com jogos que puxam pelo nosso lado competitivo.

Não me interpretem mal, eu gosto de jogar Overwatch porque ele me diverte bastante e porque o jogo faz-se valer de uma simplicidade e leveza ideais para quem procura uma experiência rápida que acaba por ser também altamente recompensadora.

Mas, tal como em qualquer relação amor/ódio, é a parte do ódio que torna tudo um pouco mais “indigerível”…

Overwatch Wiston
Por vezes fico irritado e os outros jogadores não me querem ver irritado…

ainda bem que eu não tenho um taco de basebol à mão quando me irrito no Overwatch

Eu gosto de jogar Overwatch, mas isso não impede que às vezes me apetecesse ter à mão um taco de basebol (não me perguntem porquê que tinha de ser um taco de basebol que até nem é um desporto de que gosto, mas em nome de uma descrição rigorosa de violência gratuita parece-me ser o objecto indicado) para proceder à destruição de tudo o que estivesse ao meu alcance.

A primeira coisa a “ir à vida” seria o monitor que levava uma cachaporrada tal que saía disparado pela janela (que fique registado, eu moro num segundo andar), seguia-se a impressora numa lógica de: “Bom, se eu estou a partir tudo o que está ao meu alcance então a impressora, embora nada tenha a ver com a minha frustração no momento, terá de ser um elemento sacrificial” e também ela depois de 14 marretadas (14 podem parecer muitas mas tenha-se em conta o nível extremo de irritação atingido) sucumbiria.

Neste momento e depois de destruir a minha impressora reparava que ainda tinha o headset colocado, procederia à sua remoção com violência e torcia-o diversas vezes de maneiras para as quais ele não foi de todo concebido (não é a ação mais máscula que existe, mas que se dane, afinal eu estou irritado neste momento), atirando-o de seguida também pela janela sendo que por esta altura, lá fora, algumas pessoas decidiriam parar para assistir ao que elas julgam ser um caso de violência doméstica.

Eu teria o taco de basebol na mão e agora centraria o meu olhar na torre (para aqueles que se estão a perguntar porque raio é que ele está a falar de uma torre, eu refiro-me à torre do computador daaaaaa!).

O meu olhar estaria tão focado que eu próprio conseguiria sentir a intensidade da minha raiva, algo que curiosamente me proporcionaria um breve momento de lucidez: “Tem calma, só perdeste um jogo no Overwatch” diria o meu consciente ao subconsciente ou vice-versa durante cerca de um segundo, só para no momento seguinte esse pensamento ser substituído pelo mais profundo e filosófico: “NÃOOOO!!!!!“.

Atingiria a torre violentamente com o meu taco de basebol e agora já acompanharia a minha raiva com gritos, o que me colocaria a mim pessoalmente numa posição de vulnerabilidade acompanhada por uma grande percentagem de estupidez, mas por outro lado deixaria a multidão que agora se teria juntado por baixo da minha janela não só certa de que estava a assistir a um caso de violência doméstica como convencida de que a vítima da suposta violência, depois de tanta pancadaria, com toda a certeza já não faria parte deste mundo.

Mas a “filha da mãe” da torre teimaria em resistir e eu seria ainda obrigado a desferir vários golpes violentos até que veria partes da placa gráfica a serem projectadas pelas aberturas recentes que foram causadas pelas tais marretadas iniciais.

Ainda estaria fora de mim, teria dificuldades para lidar com a forma como perdi aquele jogo de Overwatch (é claro que eu ignoro por completo que não sou apenas EU que perco um jogo no Overwatch mas também a minha equipa, só que o egocêntrico do “je” acha-se o “Rei da Cocada Preta” e decide carregar consigo toda a responsabilidade pela derrota, faz sentido…not) e já de olhos fechados começaria a balançar o taco de basebol e acertaria em algo, quando abrisse os olhos ainda com raiva aperceber-me-ia que tinha acabado de atingir a Wii U.

A pobre consola da Nintendo nada teria a ver com a situação e de imediato sentiria remorsos pelas minhas ações, um certo pesar tomaria conta de mim no momento em que me relembraria que foi a minha namorada que me ofereceu a consola. Agora exausto parava finalmente e a minha preocupação principal seria verificar se a Wii U ainda funciona, era com satisfação que constataria que sim. Ufaaa!

Depois de tanto sarrabulho alguém tocaria à campainha. Era a polícia e eu começaria naquele momento a pensar numa explicação plausível para tudo o que se passou, mas rapidamente chegaria à conclusão que talvez eu fosse louco.

Quando os agentes batessem à porta, eu abriria a mesma e perplexo sem controle pelas minhas ações diria: “Overwatch!!“, os dois agentes abririam os olhos num gesto típico de quem recebeu; aceitou e compreendeu a 100% da mensagem transmitida.

Sem nunca proferirem uma única palavra eles voltariam as costas para mim, tocariam no botão para chamar o elevador e seguiriam o seu caminho conscientes de tudo o que se tinha passado.

overwatch-junkrat
Sim, talvez eu não seja bom da cabeça. Talvez…

Eu sou um fã de Overwatch, desde a BETA que me apaixonei pela sua jogabilidade viciante e momentos de diversão que não têm paralelo dentro do género de FPS’s de multijogador.

A Blizzard está de facto de parabéns, apesar da óbvia inspiração no Team Fortress eles foram capazes de criar um produto sólido que quanto a mim merece entrar na discussão para melhor jogo do ano.

O lançamento foi fenomenal, os servidores portaram-se lindamente e desde o primeiro dia que jogar Overwatch é uma experiência tranquila quase sempre desprovida dos “soluços” habituais neste tipo de jogos.

A fase inicial atraiu um grande número de jogadores e como a maior parte começava naquele momento a explorar o jogo isso resultou em partidas super-dinâmicas e equilibradas onde o nível de diversão rebentava a escala.

No entanto o tempo foi passando e embora eu continuasse a jogar o Overwatch, nunca fui daqueles jogadores que são capazes de passar quatro ou cinco horas a jogar ou até mesmo um dia inteiro.

Havia sempre dias em que não jogava e alturas em que tinha menos disponibilidade e tempo para dedicar ao jogo.

Apesar disso considero-me alguém que joga bastante Overwatch, senão vejamos, sempre que tenho disponibilidade para jogar é quase certo que o Overwatch será um dos meus focos e como regra geral costumo jogar acompanhado pela minha namorada (vocês provavelmente já ouviram falar dela, a NOX) e outros membros da comunidade como o D3vild0g ou o Snoopy, desta forma é fácil continuar a jogar Overwatch com bastante frequência.

A Blizzard por sua vez tem lançado inúmeros updates e até já adicionou um novo mapa bem como um novo herói. Mas outro elemento que parece dar um grande trabalho neste tipo de jogos é o balanceamento das partidas, ou seja, garantir que uma partida junta jogadores com níveis semelhantes de “skills“.

Por exemplo se uma partida está cheio de jogadores de níveis elevados e a minha equipa possui um jogador de nível 7, eu espero que a outra equipa também conte com um jogador “low level” semelhante.

O balanceamento é essencialmente isto, só que uma coisa é estar aqui a escrever sobre balanceamento de partidas num videojogo e outra completamente diferente é estar a trabalhar no jogo para atingir esse objetivo.

São públicas as queixas sobre o Overwatch, uns queixam-se do número “reduzido” de heróis; outros das muitas jogadas da partida que não são merecedoras de destaque especial e até há quem reclame por um maior número de mapas e modos de jogo.

Muito se tem falado sobre algumas destas situações, mas nenhum deles tem sido mais alvo de discussão do que a mencionada anteriormente: o balanceamento de partidas.

Por alguma razão eu comecei esta crónica com uma fantasia do que me apetece fazer quando saio irritado do Overwatch.

Na realidade eu tenho passado por alguns momentos de frustração e não obstante de eles serem expectáveis num jogo de multijogador, por vezes no Overwatch eles acontecem graças a um balanceamento de partidas que é absolutamente medonho.

No início quando o jogo contava com uma multidão de jogadores o problema do balanceamento não era tão grande, todavia nos últimos meses e talvez consequência da saída de alguns jogadores que se cansaram de jogar Overwatch (isto sou eu a conjecturar sem qualquer tipo de provas), eu tenho participado em algumas partidas tão injustas que mais parecem uma brincadeira de mau gosto.

Querem um exemplo de como o balanceamento de partidas no Overwatch por vezes é mau de mais para ser verdade?

Eu juntei-me a um grupo de três composto por mim, pela NOX e pelo D3vild0g. Eu e a NOX estávamos no nível 40 e qualquer coisa enquanto o D3vild0g deveria estar a aproximar-se dos 80.

É sabido quando se joga em grupo, o jogo tenta automaticamente juntar-nos a uma partida em que a equipa contrária também possua um grupo.

Por exemplo nós éramos um grupo de 3 e pela lógica o jogo junta-nos a uma partida em que a equipa contrária seja integrada também por 3 pessoas a jogarem em grupo de forma a anular potenciais vantagens que possam existir.

Como é óbvio isto nem sempre funciona na perfeição, por vezes quando nos juntamos a uma partida a nossa equipa conta com o nosso grupo de 3 enquanto a outra possui um grupo de 2 elementos ou até dois grupos cada um deles compostos por 2 elementos e por aí fora.

De certa forma o sistema tenta balancear bem as partidas, o problema é que num alarmante número de vezes o balanceamento não funciona.

Voltando ao que interessa, nós juntamo-nos a uma partida e a nossa equipa de defesa era composta pelo meu grupo de 3 elementos mais outros três elementos que estavam a jogar sozinhos.

Na nossa equipa não havia ninguém que tivesse estrelas (no Overwatch ganha-se uma estrela ao ultrapassar-se o nível 100, depois disso fica-se a nível 1 com uma estrela, o processo repete-se e a cada 100 níveis um jogador ganha uma estrela, isto significa por exemplo que um jogador de nível 20 com 3 estrelas é um nível 320) enquanto a outra equipa contava com um grupo de 5 elementos todos eles com um mínimo de 4 estrelas (ou seja eram todos níveis acima de 400) e um elemento a jogar sozinho com 2 estrelas. A SÉRIO!!!!!

Foi naturalmente um massacre! Foi bem pior do que participar na Casa Dos Segredos e ser humilhado todos os fins-de-semana pela Teresa Guilherme, no ano de maior audiência do programa, enquanto estava a ser “corneado” pela minha namorada que também participava no mesmo programa.

Foi pior do que estar sentado na fila de frente de um discurso do Tino de Rans, ficar directamente à sua frente e levar com uma chuva de saliva tão grande que mais parecia ter tido origem numa inundação próxima.

Foi pior do que ouvir um discurso do Jorge Jesus e depois tentar fazer a sua respectiva tradução para português!

Foi mesmo mau, foi tão terrível que naquele momento creio que todos gritámos em uníssono: “EPÁAAAAAAAAAAA ASSIM NÃO DÁ!!!!!!“.

Confesso que no meio da irritação também veio ao de cima o meu lado mais brejeiro e insinuei que as mães dos indivíduos contra quem jogámos com toda a certeza deveriam acompanhar outros senhores aos matagais mais próximos, se é que me faço entender.

No fundo, no fundo, bem lá no fundo, até teve a sua piada, mas voltando a um registo mais sério não é a primeira vez, nem a segunda, nem sequer a terceira que isto acontece.

Aliás ultimamente eu arriscarme-ia a dizer que cerca de 80% a 90% das partidas que fazemos não são bem balanceadas.

Como resultado nessas partidas do demónio, ou nós sofremos derrotas devastadoras ou fazemos das “tripas coração” para conseguirmos retirar “a ferros” uma vitória.

Nem sempre é fácil e este balanceamento desastroso de partidas pode por vezes causar bastante irritação. Mas a verdade é que eu vou continuar a jogar Overwatch, porque mesmo na derrota ele continua a ser uma experiência divertida e acima de tudo com muito espaço para evoluir.

Agora resta esperar para ver o que a Blizzard tem reservado para esta sua nova pérola. Pelo menos antes do final deste ano tudo indica que vêm por aí algumas novidades, esperemos que sejam boas porque depois de um lançamento genial é preciso força dar continuidade e atendendo ao que eu já aprendi ao longo dos anos com os jogos online, essa pode ser a parte mais complicada da coisa.

Ary Costa

Ary Costa

Fundador / Editor Sénior em Gaming Portugal
Empresário moderno, o Ary Costa é um daqueles indivíduos multifacetados que se movimenta em diversas áreas de negócio. Ele foi a força fundadora por detrás da Gaming Portugal e conseguiu reunir uma equipa competente e muito unida. É principalmente um elemento que trabalha nos bastidores, embora ultimamente vocês o conheçam pelo seu trabalho nas streams da NOX.
Ary Costa

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Uma relação amor/ódio mas que continua forte.

Sim, por vezes eu odeio Overwatch mas a verdade é que poucos jogos conseguem igualar a sua mestria. Ele é extremamente divertido e mesmo quando a minha equipa é cabalmente derrotada não posso deixar de esboçar um sorriso e preparar-me para mais outra partida.

9.6
Grafismo:
9
Jogabilidade:
9.8
Apresentação:
9.7
Percentagem de Recomendação:
9.8

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