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Cris Tales: Opinião

Crisbell é uma Feiticeira do Tempo e quando uma catástrofe ameaça o mundo de Crystallis e todos os seus 4 reinos, cabe-lhe a ela impedir que isso aconteça. Cris Tales é o nome de mais um JRPG que chegou recentemente ao mercado para tentar conquistar o seu espaço. Mas será que este jogo tem o que é preciso para conseguir fazê-lo?

Cris Tales é uma viagem por um mundo mágico que é artisticamente sublime e que conta também com o habitual combate por turnos. O jogo descreve-se a si próprio como uma “carta de amor” aos JRPG’s e de facto ao longo de toda a viagem é e exactamente isso que ele tenta fazer.

A história, as personagens e o diálogo

Cris Tales é uma experiência na qual a história tem naturalmente um papel muito importante. Um bom JRPG é sempre acompanhado por uma boa história e neste jogo em particular ela é um dos pontos mais fortes de toda a aventura.

O mundo de Cris Tales tem uma identidade única, é colorido, vibrante e cheio de vida. As personagens são interessantes e os diálogos estão muito bons com destaque para o excelente “voice acting” que ajuda a elevar ainda mais a experiência.

Nota-se que a equipa de desenvolvimento trabalhou afincadamente na história e desde o primeiro momento ela cativa o jogador e a temática temporal ao longo de toda a experiência que mistura o presente, passado e futuro torna tudo mais interessante.

Dito isto há alguma infantilidade algo desnecessária na história e por vezes até nos diálogos, e sim, nós sabemos que os JRPG’s por vezes seguem esse caminho mas na nossa opinião uma dose de maturidade é sempre benéfica quanto mais não seja para alargar público.

Finalmente e apesar de muitas personagens revelarem promessa, especialmente alguns vilões, na maior parte das vezes elas não são muito desenvolvidas. Mesmo as personagens principais como a Crisbell tendem a ser pouco carismáticas o que faz com que nós jogadores tenhamos algumas dificuldades a estabelecermos uma relação com elas.

Artisticamente é um belíssimo trabalho

O departamento visual é mais um que está de parabéns. Cris Tales é um jogo belíssimo, muitas cores, personagens cheias de detalhes e cenários também eles fantásticos são habituais ao longo de toda a experiência.

Não é um jogo exigente na medida em que não necessitas de um grande computador para o correr, mas apesar disso é um belíssimo trabalho do ponto de vista artístico. Aliás grande parte da unicidade deste jogo deve-se também à sua arte com muitos momentos visuais memoráveis.

O 2D pode ser simplista e antigo mas a realidade é que todos os anos os criadores de videojogos provam que ele é ideal para dar largas à imaginação. Cris Tales é um exemplo perfeito de que a originalidade artística aliada a uma boa história podem ser meio caminho andado para o sucesso.

Sobretudo num JRPG a qualidade da arte é fundamental e Cris Tales não desilude neste departamento.

A jogabilidade e a repetibilidade

Cris Tales joga-se numa perspectiva 2D e como já deu para perceber, vem munido com uma boa história e um excelente trabalho artístico. Ele deixa boas impressões no primeiro contacto, mas depois vem o que realmente interessa: a jogabilidade.

Os combates por turnos são simplistas e não trazem novidades para o género, ou seja, os participantes atacam à vez e fazem uso de diversas habilidades para atacarem os seus inimigos. Grande parte da simplicidade deve-se ao facto de o jogo ser particularmente indicado para ser jogado com o comando.

Sempre que um combate é iniciado os inimigos surgem à nossa direita, à esquerda ou em ambos os lados. Os combates são divertidos mas não há muita variedade e a experiência torna-se repetitiva mais cedo do que nós gostaríamos.

Este ponto fraco é acentuado para quem for veterano do género, é que nesse caso o jogo tem muito pouco para oferecer no que diz respeito à jogabilidade. Os combates poderiam e deveriam ser mais dinâmicos e desafiantes. Por outro lado talvez seja uma boa opção para quem pretende dar os seus primeiros passos nos jogos de combates por turnos.

A party é sempre composta por 3 elementos e cada um deles oferece habilidades úteis no campo de batalha. Temos à nossa disposição ataques, habilidades e combos mas mais uma vez a experiência torna-se repetitiva passado pouco tempo.

E se achas que é má notícia quando um videojogo com uma longevidade na ordem das 20 horas se torna repetitivo demasiado rápido então estás correcto. É uma má notícia e claramente um ponto negativo em Cris Tales.

É um JRPG mas com muitas limitações

Estamos perante mais um jogo que tenta captar a magia dos grandes JRPG’s de um passado cada vez mais distante e até um certo ponto Cris Tales consegue fazer isso. É sobretudo um belíssimo trabalho artístico e complementado com uma história e personagens sólidas. E se é verdade que por momentos gostaríamos de ter visto maior desenvolvimento de personagens, não ficámos desiludidos com o que encontramos.

O mundo de Cris Tales tem a sua identidade, é diferente o suficiente para que possa ser considerado único e só isso já é “meio caminho andado” para a obtenção de uma boa experiência de jogo.

A jogabilidade no entanto não é tão refrescante como esperávamos, pelo contrário torna-se repetitiva e embora algumas batalhas sejam mais interessantes, no geral é uma experiência de combates por turno talvez demasiado despida de complexidade.

O problema deste tipo de jogos é que as pequenas falhas podem ser maçadoras quando lhes dedicamos umas boas horas. É precisamente isso que acontece com este jogo e embora o mundo seja fascinante e a história seja bem contada, a realidade é que demos por nós a não nos preocuparmos muito com o que ia acontecer a seguir.

Pois bem, não é isto que nós procuramos num bom JRPG, pelo contrário o que procuramos é uma história tão envolvente que tão cedo não a esqueceremos. O que procuramos são aqueles combates especiais nos quais uma estratégia de desespero inesperadamente dá-nos a vitória.

Mas não queremos ser demasiado duros, bem sabemos que Cris Tales não pretende rivalizar com os grandes colossos do género e que os orçamentos por vezes ditam as limitações de uma experiência desta natureza.

Digamos que para aquilo que ele é, Cris Tales não desilude e deixa bons apontamentos. Embora por vezes se torne demasiado repetitivo nunca nos chegou a aborrecer ao ponto de o queremos descartar. Nada disso, ele manteve-se sólido do principio ao fim e nos dias que correm isso já é um feito merecedor de elogio.

Última atualização: Julho 27, 2021 às 17:15

Divertido mas limitado

A Cris Tales deve ser reconhecido o mérito de conseguir ser uma experiência relativamente sólida que conta com um excelente trabalho artístico e uma história com potencial. Mas é também uma versão simplificada de um JRPG que necessitava de um pouco mais e melhor. Talvez vítima do seu orçamento mais limitado ele não se destaca pela positiva da concorrência mas apesar disso poderá ser indicado para aqueles que estão a dar os seus primeiros passos no género.

6
Recomendado:
6

O Márcio é uma das forças editoriais da Gaming Portugal, ele também faz um pouco de tudo mas a sua preferência reside nos artigos de opinião. Regra geral ele não é comedido nas palavras, porém em vez de optar pela dureza extrema ele prefere quase sempre pelo sentido de humor.

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

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