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Retro Machina: Opinião

Num mundo devastado apenas uma cidade protegida por um globo de vidro foi capaz de resistir. A “Endeavor” é no entanto habitada apenas por robôs e esse tem sido o segredo da sua manutenção durante centenas de anos. Mas para que tudo funcione é necessário descartar as imperfeições e uma delas é o protagonista do jogo.

Retro Machina oferece-nos um vislumbre de uma sociedade assolada pela tragédia mas na qual uma cidade e todas as suas infraestruturas continuam a funcionar graças aos robôs que restaram.

A vida é monótona e mecanizada e os robôs limitam-se a desempenhar a sua tarefa até que um em particular se opões à sua destruição e parte numa aventura pelo desconhecido.

A história vai-nos sendo revelado à medida que jogamos

Não existe muito diálogo em Retro Machina, pelo contrário grande parte da história é-nos contada através de imagens, do ambiente que nos rodeia e itens que vamos encontrando ao longo da aventura.

Nós percebemos que houve uma altura em que a humanidade reinava, mas hoje o que resta é apenas uma cidade mantida por máquinas e sem humanos à vista. É um olhar aterrador sobre o futuro, uma temática que de resto já foi explorada inúmeras vezes no cinema e na literatura de ficção científica.

Os cenários comunicam e principalmente os cartazes espalhados um pouco por todo o lado vão revelando detalhes sobre os humanos e esta realidade mecanizada da qual o nosso robô faz parte.

É sempre interessante quando a nossa própria imaginação é estimulada pelo desconhecido. Ao não desvendar toda a história de imediato, Retro Machina torna-se automaticamente mais interessante e há uma motivação acrescida não só para jogarmos como também para explorarmos o mundo que nos rodeia.

Um excelente trabalho artístico

Visualmente Retro Machina é acima de tudo um trabalho artístico de grande qualidade. Os cenários retro-futuristas são absolutamente fantásticos e estão cheios de pequenos detalhes que vão desvendado o passado deste mundo.

Os artistas inspiraram-se nas grandes ilustrações de ficção científica do século 20 e no trabalho de futuristas lendários como o Jacque Fresco. Toda a arte é desenhada à mão e alguns cenários são realmente belíssimos.

Mais uma vez o mercado de jogos independentes revela que o talento dos artistas é muito importante para que um jogo se destaque da concorrência. E de facto a força da história aliada a uma poderosa narrativa visual fazem de Retro Machina um autêntico regalo para os olhos.

É claro que continua a ser um jogo independente que terá sido desenvolvido com uma fracção dos recursos dos jogos de grandes orçamentos, porém não há dinheiro que compre o talento artístico e felizmente ainda existem muitos bons artistas a trabalharem na indústria.

A jogabilidade é simples, divertida e convida à exploração

Retro Machina é jogo de ação e aventura tradicional com resolução de puzzles pelo meio. A experiência é jogada numa perspectiva isométrica e é altamente recomendada a utilização de um comando.

No início temos à disposição um ataque básico e uma esquiva mas cedo descobrimos o poder de controlar outros robôs. Essa habilidade permite-nos realizar uma ligação a outro robô e a partir deste momento passamos a controlar simultaneamente duas personagens, sendo que a movimentação da personagem principal é realizada com o analógico esquerdo e a direita com o analógico direito.

Não é propriamente uma mecânica inovadora, mas a possibilidade de controlar outros robôs oferece uma maior variedade na jogabilidade e sobretudo permite a criação de puzzles mais elaborados. Como consequência a resolução de puzzles é muito divertida porque nos obriga quase sempre a fazer uso de todos os recursos de jogabilidade que temos à nossa disposição.

A execução do combate é bastante básica embora melhore com o desbloqueio de novas habilidades. Apesar disso há momentos interessantes e que até em combate nos obrigam a puxar pela cabeça. Por vezes controlar um robô inimigo à distância e usá-lo para destruir outros robôs inimigos é uma forma mais segura e eficaz na resolução de conflitos.

Apesar disso quando controlamos um robô, sempre que ele sofre dano nós também sofremos, por isso é necessário ter um cuidado adicional visto a derrota de um robô ser também a nossa derrota. Isto torna o jogo mais desafiante e também divertido.

Mais uma vez não existe nada de inovador ou revolucionário nas mecânicas de jogo, mas elas estão muito bem incorporadas e complementam-se bem. Para além disso o design dos níveis convida à exploração porque Retro Machina não é a clássica experiência em que simplesmente se avança de objectivo em objectivo, pelo contrário neste jogo é mais: “para desbloquearmos o acesso a C precisamos de ir a A e a B encontrar os itens necessários”.

A exploração por sua vez é sempre recompensadora porque através dela nós encontramos sempre itens para realizarmos upgrades ao nosso robô. E escusado será dizer que um robô mais robusto e munido de habilidades terá menos problemas nos encontros com inimigos.

A banda sonora contribui para a imersão

Retro Machina faz-se valer de um ambiente fantástico suportado por um trabalho artístico de grande qualidade e complementado por uma banda sonora também ela muito boa e que contribui muito para a imersão.

A banda sonora não é exuberante, não se impõe ao ponto de “se colocar à frente” da experiência, pelo contrário ela acompanha a aventura um pouco “nos bastidores” e deixa que os efeitos sonoros tenham a maior relevância.

Ao estilo de um grande épico da ficção científica, a música tem os seus momentos memoráveis e ajuda a que Retro Machina seja uma experiência surpreendentemente atmosférica. Um feito que, na nossa opinião, merece um reconhecimento especial.

A sensação é a de estarmos no interior de um grande clássico da literatura de ficção científica. Por vezes é como se tivéssemos “mergulhado” num livro do Isaac Asimov ou de qualquer um dos grandes autores que exploraram esta temática. Mais uma vez, a equipa de desenvolvimento está de parabéns pelo feito.

Uma experiência sólida e envolvente

Retro Machina não veio “reinventar a roda” e de uma maneira ou de outra tudo o que ele traz consigo nós já vimos aplicado vezes sem conta no mundo dos videojogos. Mas nós por cá não exigimos revolução em todos os videojogos que jogamos, não exigimos inovação ou potência gráfica porque nada disso é garantia de uma boa experiência.

Como já escrevemos várias vezes em tantas outras opiniões da Gaming Portugal, o que importa verdadeiramente numa experiência de jogo é a sua solidez. E isso Retro Machina tem para “dar e vender”!

O que fomos encontrar neste jogo foi uma divertida e charmosa aventura que nos transporta para um futuro improvável (ou talvez não) e fascinante. Encontrámos um jogo sólido no departamento visual, brilhante no trabalho artístico com uma jogabilidade simples, divertida, variada e que nunca desiludiu.

Se estás à procura de uma aventura envolvente e atmosférica com uma história futurista que seja “amiga da carteira”, então Retro Machina é definitivamente um jogo que te vai interessar.

Última atualização: Maio 12, 2021 às 15:15

Simples, sólido divertido e envolvente

Retro Machina é um belíssimo trabalho artístico, é como se um dos grandes clássicos da literatura de ficção cientifica tivesse ganho vida sob a forma de um videojogo. A história é fascinante, a jogabilidade é simples e divertida e há muito para explorar numa das experiências mais atmosféricas que tivemos a oportunidade de jogar nos últimos tempos.

7.6
Recomendado:
7.6

Adepto do ar livre e dos desportos radicais, nós nunca sabemos se no próximo fim-de-semana ele não irá longe demais, levando a equipa a ficar com um elemento a menos. Quer dizer, o exercício é uma coisa boa, mas quando isso envolve quedas de grandes alturas ou escaladas perigosas, talvez seja melhor ficar em casa a jogar videojogos.

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

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