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Solasta Crown of the Magister: Um breve olhar sobre o acesso antecipado

Depois de darmos uma vista de olhos pelo prometedor “Baldur’s Gate 3” hoje é a vez de olharmos com atenção para mais um RPG de ação por turnos. Ele chama-se “Solasta: Crown of the Magister” e chegou recentemente ao mercado através de uma versão de acesso antecipado.

Vamos por partes, embora “Solasta: Crown of the Magister” pertença ao mesmo género de “Baldur’s Gate 3” são essencialmente jogos que pertencem a “ligas” distintas. Este jogo é digamos uma alternativa mais “amiga da carteira” que não é tão exuberante na sua execução mas que apesar disso tenta traduzir para o mundo dos videojogos uma experiência fidedigna do jogo de tabuleiro “Dungeons & Dragons”.

O começo, a história e o tutorial

A aventura começa inevitavelmente com a criação das personagens e ao contrário do “Baldur’s Gate 3” neste jogo nós podemos criar todas as 4 personagens da nossa “party” e decidir de uma forma muito detalhada um pouco de tudo desde a raça; classes; traços de personalidade; capacidades em diversas áreas; estilo de combate e até as línguas que a personagem fala e naturalmente a aparência.

De facto a experiência começa na criação de personagens e para os jogadores mais meticulosos (principalmente os fãs do jogo de tabuleiro) há muito por onde escolher. Mas não desesperes se fores daqueles jogadores que tem muito pouca paciência para criar personagens porque já existe um grupo de personagens disponibilizadas pelo próprio jogo e do qual tu poderás escolher 4 e passares de imediato para a experiência propriamente dita. No nosso caso particular nós criámos apenas uma personagem e utilizámos as outras existentes para preencherem o grupo.

O tutorial neste jogo é talvez um dos mais interessantes e divertidos que nós já vimos num videojogo. Ele não se limita a ser um tutorial, pelo contrário é utilizado para nos contar as histórias individuais de cada uma das personagens enquanto simultaneamente nos vai ensinando as mecânicas de jogo.

Temos de reconhecer, adicionar uma pouco de história ao tutorial é uma forma engenhosa de fazer com que o primeiro contacto com o jogo seja mais divertido do que é habitual.

A jogabilidade é relativamente simples, tal como no “Baldur’s Gate 3” nós clicamos para movimentarmos as personagens para onde queremos e quando estamos em combate a ação decorre por turnos, que é como quem diz, as personagens atacam à vez.

Já no que diz respeito à história, ela apresenta-nos um mundo recheado de magia e segredos e que foi devastado após um evento chamado de “Cataclismo”. As personagens que controlamos são dos poucos corajosos que estão dispostos a explorar este mundo fantástico e encontrar os seus maiores tesouros.

A apresentação da história não é nem de longe nem de perto tão deslumbrante como a de “Baldur’s Gate 3” (nem nós estávamos à espera que fosse), mas apesar disso está bem conseguida e não desilude.

Habitual nestes jogos costuma ser a escala da história e os inúmeros diálogos com as personagens que povoam o mundo e que contribuem para que a experiência seja envolvente. Felizmente o jogo não desilude neste departamento e apesar da apresentação não ser extraordinária, existem muitas personagens e histórias interessantes espalhadas pelo mundo.

A jogabilidade

Estamos perante um RPG de ação por turnos e uma experiência estratégica que nos obriga a pensarmos antes de agirmos. É isto que “Solasta: Crown of the Magister” tenta ser e é nesta experiência clássica de “xadrez do combate” que inevitavelmente se encontra o seu ponto mais forte.

À semelhança do que encontrámos no “Baldur’s Gate 3”, também “Solasta: Crown of the Magister” é capaz de oferecer uma experiência bastante robusta no que a jogabilidade diz respeito. É claro que os combates estratégicos podem ser considerados uma experiência aborrecida para quem não aprecia o género, mas é praticamente garantido que os fãs vão apreciar e com toda a certeza que os fãs do jogo de tabuleiro também.

Quando encontramos inimigos tem lugar o clássico combate estratégico no qual nós tentamos sempre tirar partido das habilidades de cada uma das nossas personagens bem como tentamos explorar os pontos fracos dos inimigos e até fazer uso do terreno para ter vantagem. Também há o sistema de “rolar os dados” no qual as personagens podem sair beneficiadas de acordo com os seus atributos individuais.

Sem entrar em demasiados detalhes (para não corrermos o risco de sermos muito aborrecidos), vamos supor que uma das personagens é tem uma força física notável, naturalmente quando for “rolada a força” ela terá maiores probabilidades de obter um bom número e realizar um ataque devastador.

Embora a jogabilidade propriamente dita não seja difícil, há muitos elementos a ter em conta, por exemplo determinadas habilidades podem ter um impacto significativo em certos inimigos e saber tirar partido de todas as potencialidades de um mágico pode facilitar muito os encontros com inimigos. Verdade seja dita, nós não encontrámos uma grande adversidade durante as nossas primeiras horas, mas como em qualquer outro jogo do género, uma má estratégia pode comprometer a progressão e resultar numa derrota.

O grafismo

Sem surpresas “Solasta: Crown of the Magister” não é um trabalho gráfico ao nível de um “Baldur’s Gate 3” nem nada que se pareça. Os modelos das personagens são francamente maus sobretudo para um jogo desta geração e não deixam uma boa impressão. Pode ser que este departamento seja melhorado no futuro mas por agora é claramente um ponto fraco.

Já os cenários e no geral todo o trabalho artístico tem uma qualidade acima da média o que é um pouco estranho e de certa maneira acaba por tornar os modelos das personagens ainda mais deslocados. É quase como se eles não fizessem parte do jogo e não tivessem sido alvo da mesma atenção que o restante.

Não é nada de grave até porque um jogo desta natureza não depende da qualidade gráfica, mas seria interessante se no futuro os modelos das personagens levassem um upgrade.

No que diz respeito à “performance” não encontrámos problemas, muito pelo contrário o jogo corre às mil maravilhas em qualquer computador de gama média/alta ou até computadores de gamas mais baixas. A câmara que é sempre um departamento delicado neste género de jogo também não apresenta problemas e isso contribui para uma experiência de jogabilidade relativamente suave e agradável.

Experiência sólida, complexa e divertida

Se gostas de “Dungeons & Dragons” então vais “sentir-se em casa” quando jogares este título na medida em que ele é provavelmente a melhor reprodução do popular jogo de tabuleiro. Há muito para explorar, a costumização das personagens é qualquer coisa extraordinária e o combate estratégico é sempre recompensador.

Sem ser um grande colosso dentro do género e ainda em acesso antecipado, “Solasta: Crown of the Magister” já é capaz de oferecer uma experiência sólida e muito divertida que não obstante de ainda necessitar de muito trabalho, já revela um enorme potencial.

Não é por acaso que o jogo acumula uma média de críticas muito positiva na Steam.

O Figueiras é um elemento fundamental da Gaming Portugal e a figura mais respeitada da equipa. A sua vida atarefada impede-o de acumular uma posição de maior destaque, embora mesmo se tivesse essa oportunidade o mais certo era ele recusá-la. A sua participação na Gaming Portugal é motivada principalmente pelo gosto por gaming e dá-lhe um prazer especial saber que nesta casa a “independência” é uma característica definidora.

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

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