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Cradle é Belíssimo e Promissor

Cradle é Belíssimo e Promissor

Cradle é um jogo de ficção cientifica na primeira pessoa que nos oferece uma notável liberdade de movimentos. A história é construída à volta da relação do protagonista com uma rapariga mecânica que se encontram juntos numa Yurt ( uma tenda ou cabana circular usada tradicionalmente pelos pastores nómadas mongóis e de outros povos da Ásia Central) nas colinas desertas da Mongólia. Ao jogador cabe restaurar as funções da sua companheira mecânica e consequentemente descobrir o que se passa à sua volta.

O jogo está a ser desenvolvido pela “Flying Cafe for Semianimals“, um estúdio fundado em 2011 em Kiev na Ucrânia. A equipa de desenvolvimento é composta por apenas três elementos, são eles: Eugene Litvynov, Roman Malinkin e Ilya Tolmachev.

Cradle é obviamente um jogo independente, mas isso não o impede de ser um título com um enorme potencial. Na realidade ele é um dos jogos mais interessantes que eu tive a oportunidade de experimentar nos últimos anos. Sim eu sei, é uma afirmação um tanto ou quanto audaciosa e o leitor é livre para discordar dela, mas na minha opinião nós estamos perante uma experiência polvilhada de brilhantismo e com um toque artístico que impressiona.

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A nossa aventura começa no interior desta “yurt”…

Voltemos à equipa de desenvolvimento, a verdade é que estes não são “uns senhores quaisquer“, pelo contrário eles já estiveram envolvidos em projetos icónicos como é o caso de S.T.A.L.K.E.R.: Clear Sky e S.T.A.L.K.E.R.: Call of Pripyat. Há experiência nesta pequena equipa e parece haver sobretudo uma vontade para que o conteúdo de qualidade seja igualado pela fidelidade gráfica.

Cradle é absolutamente belíssimo e deixou-me impressionado desde o primeiro momento que o comecei a jogar. Há uma magia especial, uma atenção notável ao detalhe e um ambiente que muito raramente se vê em videojogos. O peso da história é-nos transmitido mesmo antes de ela nos ser contada e eu fiquei de imediato intrigado e a imaginar as inúmeras possibilidades do que se teria passado neste mundo peculiar.

Nós começamos na Yurt ou na tenda – talvez seja melhor para todos os efeitos passar a chamar a Yurt de tenda – após um pequeno tutorial que nos explica essencialmente como podemos interagir com os objetos. No início não sabemos nada do que se está a passar, simplesmente sabemos que estamos no interior de uma tenda e a primeira coisa que fiz foi sair porta fora desalmado para ver melhor onde estava.

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Ida é o nome da nossa companheira mecânica…

Dei de caras com a beleza das colinas da Mongólia – que eu pessoalmente só tive o privilégio de ver em fotografias – e fiquei boquiaberto ao imaginar como uma equipa tão pequena tinha sido capaz de recriar este cenário idílico. Cradle é de facto um regalo para os olhos e “belíssimo” é um adjetivo que lhe encaixa na perfeição, tal como referi em cima, nós sentimos o peso da história muito cedo e são cada vez menos os jogos que conseguem realizar tal feito.

A interação com os objetos que nos rodeiam é também um ponto forte que devo destacar. No interior da tenda nós podemos agarrar em quase tudo o que vemos, mas a interação vai muito para além disso, nós podemos combinar objetos com uma lógica muito semelhante à vida real. Ao explorar a tenda deparei-me com um papel com instruções, nele encontrei informações sobre a minha primeira missão: preparar um pequeno-almoço.

Eu nem sequer estou a brincar, a nossa primeira tarefa no jogo é preparar o pequeno-almoço para um animal chamado Ongots. Nesse mesmo papel a misteriosa história também nos começa a ser revelada, aparentemente alguém abandonou a tenda onde nos encontramos mas não sem antes deixar uma nota detalhada sobre o que precisamos para prepararmos o pequeno-almoço para o Ongots. A nós cabe-nos aquecer o forno, juntar os ingredientes necessários e cozinhar.

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Cenários belíssimos convidam à exploração…

É aqui que começamos a compreender como a interação é brilhante em Cradle. Nós não só precisamos de encontrar os ingredientes como também vamos precisar de os cozinhar. É necessário acender o forno; aquecer o tacho; adicionar água e os restantes ingredientes. A forma como fazemos isso assemelha-se muito à vida real, ou seja, nesta fase inicial quando queremos fazer algo precisamos de pensar nessa ação na vida real para percebermos como a podemos executar no jogo. Pode parecer uma tarefa monótona mas eu asseguro-vos de que não é, pelo contrário eu fiquei de imediato “colado” no jogo e só consegui descansar quando finalmente vi o Ongots chegar depois de eu ter servido o pequeno-almoço.

Apesar de existir um tutorial, esta primeira missão serve para nos familiarizarmos com a mecânica de jogo e depois de realizarmos mais uma tarefa que envolve o Ongots, tem início outra tarefa fascinante: instalar os componentes em falta na rapariga mecânica. Com a exploração cedo percebemos que ao carregarmos no botão para ligar a rapariga, a mesma não vai funcionar. Na realidade faltam alguns componentes e para encontrarmos o primeiro vamos precisar de resolver um pequeno enigma.

Mais uma vez Cradle destaca-se por não ceder à vulgaridade. Apesar de não ser excessivamente difícil seguir a pista que nos dão, novamente a forma como tentamos desvendar este segredo assemelha-se à vida real. Precisamos de encontrar uma pedra diferente lá fora e daí para a frente resta encontrarmos as outras pistas que nos vão guiar ao primeiro componente. O jogo dá-nos uma ajuda mas ao contrário de outros títulos modernos ele não nos estende completamente a mão e não nos leva ao colo.

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Cradle está cheio de surpresas e ideias engenhosas…

Eu achei brilhante a forma como a história é apresentada; todo o ambiente que nos rodeia que é simultaneamente misterioso e intrigante; gostei bastante do nível de interação com os objetos e do realismo da mecânica de jogo. A liberdade de movimento também é outro dos pontos fortes de Cradle e convida à exploração, no geral este jogo está cheio de potencial e à medida que o continuo a jogar fico mais certo disso.

Não quero correr o risco de revelar demasiado da história ou das surpresas que fui encontrando pelo caminho na minha experiência de jogo. Neste momento ainda estou mergulhado no mundo de Cradle e para já posso deixar-vos com as minhas primeiras impressões que não poderiam ser melhores. Cradle poderá até ser um jogo que muitos de vocês não ouviram falar, mas acreditem em mim que este é um jogo ao qual vale a pena estarem atentos.

Ary Costa

Ary Costa

Fundador / Editor Sénior em Gaming Portugal
Empresário moderno, o Ary Costa é um daqueles indivíduos multifacetados que se movimenta em diversas áreas de negócio. Ele foi a força fundadora por detrás da Gaming Portugal e conseguiu reunir uma equipa competente e muito unida. É principalmente um elemento que trabalha nos bastidores, embora ultimamente vocês o conheçam pelo seu trabalho nas streams da NOX.
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