Hardware Nintendo Switch Reviews

Nintendo Switch: Review

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No passado dia 03 de Março a Nintendo Switch chegou finalmente ao mercado. Ela é simultaneamente uma consola portátil e uma consola tradicional que foi buscar inspiração às gerações anteriores. O resultado final é absolutamente notável e o potencial da pequena Switch é tão grande que o futuro advinha-se muito promissor para uma Nintendo que permanece fiel aos seus princípios.

Em Janeiro eu escrevi um pouco sobre a jornada e o futuro da Nintendo no mundo do gaming. Na altura terminei o artigo com uma advertência para não descartarmos a capacidade de resiliência de uma companhia que não só perdura ao longo do tempo como também é geralmente bem sucedida a fazê-lo.

Depois de uma Wii U que ficou aquém das expectativas foram muitos os gamers que ficaram reticentes perante a revelação da nova consola da Nintendo, todavia à medida que o tempo foi passando e mais detalhes foram relevados, gerou-se um entusiasmo considerável mas de certa forma contido em torno da Switch.

Esse entusiasmo só foi “libertado” aquando do lançamento da consola no passado dia 03 de Março, altura em que gamers de todo o mundo “invadiram” as lojas e começaram a comprar Switchs a um ritmo tão elevado que rapidamente ela começou a esgotar e a bater recordes.

Aqui em Portugal por exemplo a Nintendo Switch vendeu mais no seu fim de semana de lançamento do que qualquer outra consola lançada pela Nintendo em Portugal e o mesmo aconteceu em outros países da Europa e América.

Como se isso não bastasse, The Legend of Zelda: Breath of the Wild recebeu algumas das melhores análises de sempre da História dos videojogos e tornou-se no maior título de lançamento de sempre da Nintendo na Europa, superando inclusive as vendas do popular jogo Wii Sports no fim de semana inicial e jogos como o popular Super Mario 64 da Nintendo 64.

São dados interessantes mas isso significa que vale a pena comprar a Switch neste momento?

Eu poderia dar uma resposta simples com uma só palavra, no entanto isso desafiaria o propósito de uma análise, por isso mesmo e para saberes a minha resposta a esta pergunta terás de ler esta review ou poderás simplesmente fazer “scroll” até à parte da nota final para obteres a sua resposta.

Se porventura preferes acompanhar-me nesta jornada de análise à Switch então comecemos…

Tal como referi em cima, a Switch é simultaneamente uma consola portátil que podemos levar connosco para qualquer lugar e uma consola tradicional que podemos ligar à televisão. A transição do modo portátil para o modo TV é simples, basta colocar a consola portátil na “dock” (essencialmente um suporte) e numa questão de segundos o que estávamos a ver no ecrã da portátil aparece no ecrã da televisão.

Mudar do modo portátil para o TV é tão simples como pousar uma consola e foi um daqueles momentos que me deixou boquiaberto num primeiro contacto com a Switch. Confesso que a forma como a consola encaixa no suporte fez vir ao de cima memórias das antigas consolas de cartuchos como a Mega Drive ou a Nintendo 64, bons tempos…

Mas vamos por partes e antes de começar a escrever sobre a experiência propriamente dita, permitam-me que dedique algumas linhas ao que esta consola traz consigo:

  1. Consola Nintendo Switch;
  2. Dois comandos Joy-Con (o da esquerda e o da direita);
  3. Dock (base onde colocam a portátil quando querem jogar na televisão e onde se carrega a consola e os comandos);
  4. O Joy-Con Grip que essencialmente é um suporte para os dois comandos Joy-Con e que os transforma num só comando;
  5. Cabo HDMI;
  6. Transformador;
  7. Correias Joy-Con.

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A experiência com a Switch no modo portátil…

À primeira vista a consola pode parecer frágil mas quando pegamos nela percebemos que não é assim tão frágil como parece com excepção para o ecrã que esse sim parece riscar-se com muita facilidade.

Estamos a falar de uma plataforma de gaming portátil com um ecrã grande e uma estrutura que se assemelha mais à de um tablet. Por isso mesmo e à semelhança do que acontece com um tablet, não me parece ser boa ideia deixar a consola cair muitas vezes.

Para os gamers que pretendem fazer da Switch uma companheira inseparável eu recomendo que comprem um protector de ecrã juntamente com uma bolsa de transporte e até uma capa protectora. Desta forma estarão infinitamente mais bem protegidos contra as eventuais quedas ou riscos.

A consola é grande para uma portátil muito por força do ecrã táctil capacitivo de 6.2 polegadas, porém não é um tamanho incómodo porque ela é leve, fina e encaixa perfeitamente nas mãos. Jogar na portátil é tão confortável que podem passar horas sem darmos por isso.

Um ecrã grande é uma mais valia sobretudo em jogos graficamente mais exigentes. Por exemplo o Zelda no ecrã da portátil a 720p é um autêntico regalo para os olhos e graças às 6.2 polegadas nós podemos desfrutar de toda a sua glória.

O sistema operativo é simples, basta ligar a consola, criar conta (ou fazer login com uma conta já existente como foi o meu caso) e começar a jogar. Não há nada que atrapalhe a experiência do utilizador, tudo é básico, fácil de perceber e muito “clean“.

O armazenamento interno da consola é de 32GB, porém o mesmo pode ser expandido com recurso a um cartão de memória MicroSD. Eu sei que alguns gamers gostariam de ver um pouco mais de armazenamento interno, no entanto talvez isso acabasse por se reflectir no preço final da consola (que já não é nada barata) e quem sabe até afectasse a sua portabilidade. Na minha opinião o cartão de memória é o complemento ideal para quem pretende construir uma colecção vasta de jogos Switch e o armazenamento interno não é um problema.

A consola portátil é tão leve e fina que eu não pude deixar de ficar maravilhado com a sua potência. A Switch é um aparelho portátil impressionante, mais impressionante quando olhamos a fundo para o seu hardware (o artigo do iFixit é interessante para quem quiser conhecer melhor a consola por dentro) e percebemos que a filosofia de simplicidade se estendeu ao mesmo.

Isto não significa que tudo é perfeito no hardware da Switch, mas uma nota de reparabilidade 8 de 10 pontos no iFixit revela que a Nintendo deixou muito pouco entregue ao acaso.

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É claro que por esta altura todos falam sobre Zelda na Switch e por uma boa razão, o jogo está absolutamente fantástico e dá-nos um vislumbre do que esta consola portátil (recorde-se que neste momento eu estou a escrever apenas sobre a experiência portátil) é capaz de fazer.

Se a Switch se ficasse por aqui ela já seria, na minha opinião, uma excelente consola portátil mas há mais.

A Nintendo criou os cada vez mais falados Joy-Con (o da esquerda e da direita) que são dois comandos de dimensão reduzida que basicamente nos permitem partilhar com facilidade e rapidez experiências de jogos com amigos.

Basta pousar a Switch, remover os comandos, oferecer um deles a um amigo e começar a jogar. Mais uma vez o ecrã de 6.2 polegadas revela-se uma excelente opção porque o seu tamanho garante que mesmo a alguma distância (desde que não seja exagerada) é fácil visualizar perfeitamente o que se estiver a jogar.

Os Joy-Con são pequenos mas encaixam bem na mão e o seu tamanho reduzido não afecta em nada a jogabilidade. Estes dois comandos são quase uma espécie de evolução da combinação Wii Remote + Nunchuk e ainda bem que a Nintendo conseguiu evoluir e readaptar o conceito na Switch não tivesse sido ele um dos pontos fortes da primeira Wii.

Jogar títulos de multijogador/cooperação na portátil é uma experiência extremamente divertida. Um jogo de festa como o 1-2-Switch é capaz de reunir amigos e família em torno da consola, Snipperclips é talvez um dos melhores jogos de cooperação que eu pessoalmente já joguei; Shovel Knight já é genial no modo de um jogador e em cooperação é ainda melhor; Fast RMX é um belíssimo jogo de corridas que vai trazer ao de cima o teu lado competitivo e apesar de ainda existirem poucos jogos de multijogador e cooperação na plataforma, o potencial é enorme.

Uma nota especial para a “vibração HD” que está presente nos Joy-Con e no comando PRO que quanto a mim é brilhante. A vibração é altamente precisa embora nesta fase só seja possível perceber isso ao jogarmos títulos que realmente a utilizem.

Por exemplo o jogo das caixas no 1-2-Switch, cuja missão dos jogadores é contar o número de bolas que se encontra no interior de uma caixa, nós podemos sentir as bolas a rolarem no interior da caixa (seguramos o Joy-Con como se fosse uma caixa). Se fecharmos os olhos a experiência torna-se ainda mais impressionante e consegue-se perceber o potencial desta funcionalidade que poderá e deverá ser aproveitada pelas companhias para elevarem a qualidade da experiência dos seus jogos.

Outro dos grandes méritos da Switch no seu formato portátil é a sua adaptabilidade, ao contrário de outras plataformas, esta é uma consola que se adapta a ti e não és tu que tens de te adaptar a ela. Curiosamente tudo o que se vê nos anúncios é verdade, a Switch encaixa praticamente em qualquer situação do dia à dia em que exista algum tempo disponível e têm-se multiplicado pela Internet exemplos disso mesmo.

Nesta medida a Nintendo Switch enquanto consola portátil é imbatível quer seja pela sua potência ou, como referi à pouco, devido à sua adaptabilidade. No meu caso pessoal não restam dúvidas, sempre que um jogo marcar presença em várias plataformas a versão da Switch será a minha primeira escolha.

A experiência no modo TV (formato consola tradicional)…

Enquanto consola tradicional e no que diz respeito à potência a Nintendo Switch parece estar uns furos abaixo de uma PS4 ou uma Xbox One. De facto em nome da portabilidade algo teria de ser sacrificado e neste caso é a potência da consola no seu formato tradicional que acaba por sofrer.

No entanto na minha opinião, a experiência com a Switch no modo TV não sofre assim tanto ao ponto de automaticamente invalidar uma potencial compra. Pelo contrário e atendendo ao facto do grosso da experiência residir no modo portátil, a sua prestação enquanto consola tradicional é bastante decente mesmo quando estamos a falar do departamento gráfico.

Jogos como o novo Zelda ou por exemplo o Fast RMX são visualmente impressionantes, este último por exemplo corre a 1080p / 60FPS (um update de firmware da consola em breve deverá garantir um 1080p constante). A Nintendo Switch em modo TV pode não ser tão poderosa como uma PS4 ou uma Xbox One, mas o que ela perde em potência ganha em simplicidade; acessibilidade; rapidez e por aí fora.

Como tinha referido no início da análise, a transição para o modo TV é tão simples como pousar uma consola e tudo se processa com uma enorme rapidez e eficácia numa questão de segundos. Na televisão temos sempre acesso a uma resolução maior que os 720p do modo portátil embora a experiência geral seja virtualmente idêntica nos dois modos.

Na televisão podemos jogar com recurso ao Joy-Con Grip (ver imagem em cima) que é bastante competente e confortável, no entanto eu recomendo a utilização de um comando PRO porque considero ser uma experiência superior. Eu sei que este comando não é propriamente barato (talvez fosse uma boa ideia a Nintendo começar a pensar em integrá-lo em futuros bundles) mas, na minha opinião, ele faz a diferença.

Em suma, a Nintendo Switch cumpre o seu papel enquanto consola tradicional, ela compensa a falta de potência (quando comparada com a PS4 ou Xbox One) com elementos como a simplicidade ou a acessibilidade e para além disso é uma consola bastante rápida quer seja nos menus ou até nos loadings dos jogos.

Vamos desmistificar com brevidade a questão da potência gráfica da Switch…

A Nintendo Switch conta com um processador Tegra X1 da NVIDIA, é comum vermos este tipo de material em smartphones, PDAs ou tablets e a sua grande vantagem é o baixo consumo de energia enquanto ao mesmo tempo permitem uma excelente performance para áudio e vídeo.

X1

No caso da Switch trata-se de um produto costumizado, ou seja, o chip adaptado a uma consola de jogos. Peço desculpa por me estar a repetir mas é importante deixar claro que enquanto consola portátil a Switch é extremamente poderosa, aliás basta jogar o Zelda ou o Fast RMX para se chegar a essa conclusão.

Essa potência é traduzida para o ecrã da televisão quando se coloca a consola na “dock” mas não se deve esperar uma fidelidade gráfica ao nível de uma PS4 ou uma Xbox One porque estas duas últimas são apenas consolas tradicionais enquanto a Switch é uma consola híbrida.

Também em poucas linhas vou enumerar algumas das falhas ou problemas da Switch

  1. Problemas de contectividade com os Joy-Cons – Eu pessoalmente ainda não me deparei com este problema, no entanto muitos gamers foram afectados e parece ocorrer com maior frequência com o Joy-Con esquerdo;
  2. Quebras inexplicáveis de framerate (mas não dramáticas) no modo TV com o Zelda que não se registam no modo portátil. Este problema é bastante óbvio especialmente no meu caso que sou um jogador de PC e estou habituado aos 60fps estáveis;
  3. Não é possível guardar os saves no cartão de memória o que significa que se por alguma razão a consola se estraga nós perdemos os saves (espero que a Nintendo resolva o problema por exemplo: com saves na cloud);
  4. Alguns jogadores afirmam que estão a riscar a consola quando a colocam na “dock” (no suporte), no entanto na minha experiência pessoal depois de ter colocado e retirado a consola do suporte diversas vezes isso nunca aconteceu. Talvez alguns suportes tenham defeitos de fabrico (comuns em primeiras edições) que façam isso, no meu caso pessoal eu não encontrei este problema;
  5. O ecrã poderia ser mais resistente pois parece muito susceptível a riscos (nada que não se resolva com um protector, mas espero que a Nintendo melhore o ecrã nas próximas edições da consola);
  6. O suporte traseiro da consola portátil poderia ser maior ou mais resistente;
  7. Uma pequena percentagem de consolas com problemas graves apenas solucionados com a troca do aparelho (este tipo de problemas são muito comuns nas primeiras edições das consolas).

Peço que tenham em consideração que o lançamento de uma nova consola nunca é 100% suave. Com isto quero dizer que poderão eventualmente adquirir uma consola com problemas ou até defeituosa e caso isso aconteça basta que voltem à loja onde compraram o produto e solicitem uma troca por uma Switch em condições.

Para além disso também podem recorrer ao suporte da Nintendo que estará sempre disponível para ajudar clientes que tenham problemas com a sua nova consola.

Já no que diz respeito a problemas de performance da consola ou com certos videojogos, os mesmos deverão ser resolvidos com futuros updates à consola bem como aos jogos.

Agora é tempo de concluir a review sob pena de ela se tornar tão grande que ninguém terá vontade de a ler…

O que eu gosto na Switch e aliás o que eu gosto na filosofia da Nintendo é que eles tentam sempre criar consolas que simplesmente tentam ser consolas e não consolas que de certa forma tentam ser computadores.

Simplicidade; acessibilidade; rapidez; conveniência; versatilidade e adaptabilidade são características definidoras da nova consola da Nintendo. Para mim foi uma agradável surpresa e embora eu acreditasse que a Nintendo tinha aprendido com os erros cometidos na Wii U, eu não esperava que eles criassem um produto tão intimamente focado nas necessidades dos gamers.

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É curioso quando uma companhia que tantas vezes foi acusada de criar produtos infantis, cria aquela que é provavelmente a melhor consola para adultos actualmente disponível no mercado. É verdade que já existem outras consolas portáteis, porém nenhuma delas chega sequer aos calcanhares da qualidade da experiência que a Switch consegue proporcionar.

E não é só para adultos, arrisco-me a dizer que a Switch tem potencial para ser a consola ideal para todos os gamers sejam eles pequenos ou graúdos. Mesmo nesta fase inicial de introdução ao mercado eu sou da opinião que a nova consola da Nintendo é uma compra obrigatória para quem gosta de experiências divertidas, novos conceitos e claro para quem aprecia a sua portabilidade.

O preço da consola é elevado e ao “bom” estilo da Nintendo os acessórios são excessivamente dispendiosos. Mesmo assim acredito que a Switch é uma das poucas consolas que vale cada cêntimo do seu preço.

No entanto a médio/longo prazo o apoio das “third-party” será fundamental para garantir o sucesso da consola e neste momento só posso afirmar com alguma segurança que a Switch reúne todas as qualidades para ser extremamente atractiva para outras editoras. Agora se elas concordam com a minha opinião, isso já é outra conversa…

A Nintendo tem nas mãos uma excelente consola com um enorme potencial. A Switch não é perfeita mas o que conseguimos “tirar” dela não conseguimos tirar de mais nenhuma plataforma de gaming disponível no mercado.

Ary Costa

Ary Costa

Fundador / Editor Sénior at Gaming Portugal
Empresário moderno, o Ary Costa é um daqueles indivíduos multifacetados que se movimenta em diversas áreas de negócio. Ele foi a força fundadora por detrás da Gaming Portugal e conseguiu reunir uma equipa competente e muito unida. É principalmente um elemento que trabalha nos bastidores, embora ultimamente vocês o conheçam pelo seu trabalho nas streams da NOX.
Ary Costa

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Excelente!

Elegante; simples; versátil; adaptável e rápida. A Nintendo Switch é uma consola multifacetada que brilha especialmente no seu modo portátil e desempenha a sua função com competência no formato tradicional. A Nintendo criou um produto tão intimamente focado nas necessidades dos gamers que todos merecem desfrutar da sua glória. Ela é excelente e recomenda-se!

8.8
Jogabilidade (qualidade geral da experiência):
9
Design:
9
Acessibilidade:
10
Performance:
8
Interface do Utilizador:
9
Qualidade dos materiais:
8
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