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Genesis Alpha One Review

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Veste a pele de um pioneiro interstelar, explora o Universo; constrói e gere uma estação espacial; reúne recursos e sobrevive a infestações de aliens. Tudo isto chama-se Genesis Alpha One e por incrível e improvável que pareça, esta mistura peculiar resulta e foi uma surpresa agradável.

Genesis Alpha One é uma experiência audaciosa e que mistura vários elementos de géneros muito populares no mundo dos videojogos. O jogo é essencialmente um roguelike no qual somos encarregues da construção, gestão e expansão de uma base espacial. Isso implica a exploração de novas galáxias; reunir recursos; criar clones que nos vão ajudar; visitar planetas desconhecidos e garantir que a base é capaz de sobreviver aos ataques e infestações alienígenas.

Todo o Universo é gerado aleatoriamente e nunca se sabe o que se vai encontrar na próxima galáxia. Genesis Alpha One tem duas faces: por um lado ele pode ser uma experiência divertida e recompensadora, pelo outro pode deixar-nos à beira de um ataque de nervos. Ao bom estilo “roguelike” tudo vai depender da sorte de cada um o que na minha opinião torna a experiência mais divertida.

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Nós começamos a aventura numa nova nave espacial chamada Genesis e um tutorial encarrega-se de nos ensinar as bases do jogo. O sistema de construção é fácil, adicionar novas divisões é um processo muito simples e de certa forma o que vamos fazer é transformar esta nave numa estação espacial que, dependendo da nossa sorte, pode atingir proporções gigantescas.

Depois de adicionarmos à nave componentes fundamentais como a “Greenhouse” ou um “Tractor Beam” estamos prontos para começarmos a aventura. A cada divisão que criamos, podemos e devemos atribuir a sua gestão a elementos da tripulação, esses elementos são clones de nós próprios que são criados no laboratório de clonagem aumentando desta forma a tripulação.

No início criar, gerir e expandir a estação espacial não é uma tarefa muito difícil e o interessante neste jogo é que podemos sair do modo de construção e passear livremente pela estação numa visão na primeira pessoa. A experiência de jogo ganha em imersão com este modo até porque é fascinante quando construímos uma divisão e podemos visitá-la logo após a construção.

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Quando as bases do jogo estão finalmente dominadas é altura de começar a reunir recursos e isso pode ser feito de duas formas: com a ajuda do “tractor beam” que extrai recursos directamente de destroços espaciais e transporta-os para a nave, ou podemos descer a um planeta com uma equipa e fazermos pessoalmente a extracção de recursos.

Os dois modos envolvem riscos: com o “tractor beam” podemos transportar para a nave elementos indesejados e ter uma infestação em mãos, já na descida a um planeta nunca sabemos o tipo de inimigos que vamos encontrar e por vezes não existem armas que nos salvem.

Há uma imprevisibilidade entusiasmante neste jogo e muito ao estilo de um “FTL: Faster Than Light” o sucesso depende não só das nossas capacidades individuais como também da sorte. Numa sessão de jogo podemos conseguir reunir recursos suficientes para montarmos uma boa defesa na estação e sermos capazes de mitigarmos a maior parte dos problemas, enquanto numa outra o azar pode-nos bater a porta e resultar numa infestação aniquiladora.

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Uma coisa é certa, é uma questão de tempo até que a nossa estação seja invadida e é praticamente garantido que vamos perder membros da tripulação e até a nave durante as invasões. A morte também é interessante porque só é permanente quando a estação fica destruída ou quando perdemos todos os membros da tripulação. Quando a personagem que controlamos perde a vida, o jogo não acaba de imediato, pelo contrário o controle passa para outro dos clones que fazem parte da tripulação o que nos permite continuar a jogar. Isto acontece até só restar um membro e se esse acabar por perecer somos obrigados a começar de novo.

As derrotas fazem parte da experiência deste jogo e ajudam-nos a compreendermos como podemos melhorar na próxima sessão. Genesis Alpha One não “dá demasiado a mão”, pelo contrário ele espera que o jogador descubra por si próprio as diferentes mecânicas e estratégias de sobrevivência. Para alguns jogadores isso pode ser encarado como um defeito, contudo para mim é uma qualidade.

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Graficamente e apesar de não desiludir, Genesis Alpha One está longe de ser uma obra prima. Artisticamente o trabalho poderia estar um pouco melhor desenvolvido, até mesmo os modelos das personagens e os detalhes de algumas estruturas poderiam ser mais elaborados. Na minha opinião e referindo-me ao departamento artístico, acho que foi perdida uma oportunidade para transmitir a solidão aterradora de se estar no meio do espaço desconhecido no interior de uma estação espacial, mas reconheço que o balanceamento entre elementos de terror; sobrevivência; gestão e acção não deve ter sido fácil. Para além disso estamos a falar de um jogo independente que simplesmente não é capaz de mover a mesma quantidade de recursos que um grande lançamento AAA (Triplo-A).

A jogabilidade é um pouco estranha quando estamos no modo de primeira pessoa. A personagem move-se com muita rapidez e de uma forma um pouco rígida, talvez isso esteja relacionado com a natureza “roguelike” do jogo e na necessidade que existe em movermos rapidamente a personagem para combatermos inimigos. Mas se por um lado a movimentação rápida é útil especialmente quando temos uma estação espacial grande e somos obrigado a atravessar vários corredores para combatermos uma invasão, pelo outro ela é demasiado simplista e por vezes retira o brilho dos geniais momentos de tensão que existem no jogo.

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O combate é por essa razão pouco memorável, é quase como se as armas existissem “apenas para que o jogador pudesse desfrutar de alguma ação”. Não existe uma sensação recompensadora quando aniquilamos inimigos, pelo contrário por vezes fiquei com a impressão que estava a disparar contra “papel espacial”, não por ser fácil de matar inimigos, mas sim porque não há grande sensação de dano ou impacto aos inimigos. Infelizmente os efeitos sonoros também não ajudam, por exemplo eu não gosto do som da maior parte das armas e na minha opinião este é um dos departamentos que merece uma revisão.

Como já deu para perceber o Genesis Alpha One tem os seus problemas e algum trabalho pela frente, mas apesar disso a experiência no seu núcleo não sofre demasiado com eles. O receio até pânico que sentimos quando percebemos que a nossa estação pode estar em perigo é qualquer coisa especial e que poucos jogos conseguem reproduzir. A construção e a gestão da nossa estação espacial faz com que nos sintamos intimamente ligados a ela e o sentimento de perda é particularmente doloroso quando a perdemos e temos de começar de novo.

É verdade que não é um jogo para todos, mas mesmo com problemas Genesis Alpha One é uma experiência que vale pela unicidade do seu conceito.

Recomendado
No geral estamos perante mais uma experiência de jogo sólida e uma mistura de conceitos que apesar de arriscada, resulta sem grandes percalços. Genesis Alpha One pode não ser uma obra prima mas é capaz de proporcionar momentos de tensão absolutamente geniais e merece no mínimo um olhar mais atento por parte de quem aprecia este género de jogos.

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