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Space Otter Charlie: Opinião

Imagina um planeta Terra em que a humanidade chegou ao fim e quando é necessário salvar o reino animal tudo depende de uma espécie: as lontras. O jogo chama-se Space Otter Charlie, é uma experiência de plataformas em gravidade zero com muitos quebra-cabeças pelo meio.

Space Otter Charlie é um jogo de plataformas 2D no qual toda a ação decorre no espaço em condições de gravidade zero. É uma aventura “light” com uma história humorística na qual as lontras acabam por ocupar o lugar deixado vago pela extinção dos humanos.

Nesta história as lontras são a espécie mais inteligente que restou no planeta terra (faz sentido…) e quando o reino animal é ameaçado elas são obrigadas a viajar para o espaço numa tentativa para encontrarem um novo planeta que possa ser chamado de lar.

No jogo nós vestimos então a pele de um “lotronauta”, podemos criar equipamentos e armas; desbloquear habilidades; resolver puzzles e até lutar contra outros jogadores.

Plataformas 2D em zero gravidade

A jogabilidade de Space Otter Charlie é uma mistura entre a experiência clássica de plataformas e uma mecânica de gravidade zero. A ausência de gravidade é de resto uma mecânica muito popular no mundo dos videojogos e a título de curiosidade, foi popularizada sobretudo a partir do final dos anos 60 nos jogos de género “lunar lander”.

Hoje em dia ela é utilizada em tudo o que são videojogos que exploram a temática “espaço” e no caso particular deste jogo, ajudam-no a ser um pouco mais do que o tradicional jogo de plataformas 2D.

Há um factor a ter em conta neste jogo: nós não andamos do ponto A até o ponto B, nós pulamos e flutuamos do ponto A até o ponto B. Não percebeste, nós passamos a explicar.

Em Space Otter Charlie nós flutuamos em cenários de zero gravidade de duas formas, podemos saltar de plataforma em plataforma sem restrições, ou seja, podemos saltar do chão para o tecto (do tecto para a parede etc…) sem problemas, porém se quisermos controlar a movimentação enquanto estamos a flutuar teremos de utilizar o “jetpack”.

Com o “jetpack” podemos controlar a personagem enquanto flutuamos numa jogabilidade relativamente simples mas que requer alguma habituação até que seja dominada por completo. Não é uma mecânica de jogo revolucionária mas está bem implementada.

O “jetpack” é o segredo para uma movimentação mais fluída mas tem uma duração limitada sendo necessário calcular todos os impulsos de forma a que a personagem se movimente para as direcções que pretendemos. Depois de nos habituarmos a esta mecânica de jogo a experiência tornou-se muito divertida.

Começamos a aventura com poucos recursos mas não demora muito tempo até conseguirmos construir armas e equipamentos. Flutuar pelo espaço enquanto dizimamos forças inimigas é muito divertido e a mistura da resolução de puzzles está muito bem conseguida.

A jogabilidade também vai sendo alterada com os inúmeros fatos e ferramentas que vamos obtendo o que por sua vez oferece variedade à experiência. Por exemplo, por vezes temos de usar o impulso do disparo de uma arma para “empurrarmos” um objecto de forma a resolver um puzzle.

As armas; equipamentos e habilidades são muito importantes para a progressão, no entanto o seu acesso está quase sempre dependente da resolução de puzzles. A boa notícia é que os puzzles são, na sua maior parte, engenhosos e requerem não só pensamento lógico como habilidade. As batalhas contra os inevitáveis “bosses” também são muito divertidas e mais uma vez isso acontece devido à natureza da movimentação em gravidade zero.

Embora não exista nada que se possa considerar revolucionário na jogabilidade, ela é polida o suficiente para não apresentar problemas e quer utilizamos o setup clássico do PC “teclado+rato” ou optemos por um comando, o resultado será semelhante com alguma vantagem para o “reclado+rato” em questões de precisão.

Uma identidade visual sólida

Graficamente Space Otter Charlie destaca-se pela sua identidade visual sólida e por conseguir ilustrar uma divertida realidade na qual as lontras reinam.

Os cenários são bem desenhados, as animações são decentes e a arte no geral cumpre o seu papel mas na nossa opinião é uma abordagem visual algo simplista sobretudo em comparação com outros títulos de plataformas 2D no mercado.

É bom que o jogo tenha solidez no departamento gráfico e deve-lhe ser reconhecido mérito por isso, no entanto um pouco mais de “riqueza” visual não lhe faria mal. Por exemplo e atendendo à natureza “old school” da experiência, nós acreditamos que com arte pixel seria possível dar-lhe um pouco mais de “vida” e ajudá-lo até a destacar-se da concorrência.

Mas não nos interpretem mal, nada disto tem influência na base da experiência que reside principalmente na jogabilidade. Mesmo assim nós acreditamos que este jogo poderia brilhar com maior intensidade se fosse um pouco mais refinado no departamento artístico.

O multijogador local

Existe ainda um modo de multijogador (local apenas) no qual tu podes participar em batalhas contra mais três amigos ou familiares. Competir com amigos é sem dúvida uma opção interessante e divertida, sendo que a gravidade zero encarrega-se de proporcionar momentos hilariantes como derrotas ou vitórias completamente inesperadas.

As partidas são um pouco caóticas e temos a certeza que vão levar grupos de amigos à histeria, no entanto com apenas dois modos de jogo o multijogador local torna-se aborrecido rápido demais e após algumas partidas não há motivação para continuar a jogá-lo.

Para além disso o facto de não existir suporte para multijogador online limita um pouco o divertimento e obriga a que os jogadores tenham de recorrer ao Steam Remote Play e outros softwares semelhantes sempre que pretenderem jogar online.

Última atualização: Março 16, 2021 às 19:27

Vestir a pele de um "lotronauta" é divertido

Space Otter Charlie é um jogo que pode não surpreender mas é sólido em todos os departamentos e sobretudo a movimentação em gravidade zero está muito bem conseguida. A resolução de puzzles é divertida bem como as batalhas com os "bosses" e até o multijogador local tem os seus momentos memoráveis.

7
Recomendado:
7

Adepto do ar livre e dos desportos radicais, nós nunca sabemos se no próximo fim-de-semana ele não irá longe demais, levando a equipa a ficar com um elemento a menos. Quer dizer, o exercício é uma coisa boa, mas quando isso envolve quedas de grandes alturas ou escaladas perigosas, talvez seja melhor ficar em casa a jogar videojogos.

Apesar de ser editor, juntamente com o Diogo encarrega-se de gerir toda a equipa, é uma espécie de terceiro “boss” que muitas vezes acaba por ser o primeiro. Para além de escrever para o website ele é responsável pela verificação de conteúdo e por corrigir muitas das falhas que nós cometemos quando queremos trabalhar rápido demais.

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